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sábado, 26 de agosto de 2017

Palavras

E eu? Eu colhi as palavras espessas e puras. 


Palavras raras que debruçavam sua força 

por uma rampa longa e escura. 


Palavras que desciam do céu como candelabros acesos em chamas singelas


Palavras que beijavam o horizonte com cores de sol poente. 


Palavras que a brisa levava para dançar canções no breu.


Palavras pelos recantos, cantos, matos, pelas multidões, campos, cidades, levadas em vôos de besouros, mosquitos, pernilongos. 


Palavras caminhando nas peles e pelos, nos corpos e folhas, em você, em mim. Dentro e fora de nós. 


Palavras, sim.


Palavras. 


terça-feira, 8 de agosto de 2017

domingo, 16 de julho de 2017

Resolvi ser eu



Resolvi ser eu

Um curto espasmo

Em que percebi que não era

Continuo não sendo

Mas naquele instante resolvi ser


Resolvi ser eu

A que observa

Não a que faz

A que respira

Não a que esquece

De si


Resolvi ser

Então tudo aconteceu:

Resolvi 

Tudo!


Quando resolvi ser eu eu


#poesia #poema #eu #selfie #selfpoem #selfpoet #autoconhecimento (Quem me segue no Stories sabe que momentos foi esse!)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Invenção

Você nunca está comigo
Nunca
Você não me vê
Você não repara
Você não me sente
Queria que me adivinhasse
Mais do que sou capaz de adivinhar a mim mesma. 
Não seria o homem amado aquele que me sabe mais do que mostro?
Que me nota o que não digo?
Que me oferece abrigo?

Preciso inventar que não me ama
Para justificar minha tristeza inerente
Que sinto dentro da alegria
Que escondo no riso


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Labirinto

Chego em casa e penso em percorrer todo um labirinto. São muitas as canções dos meus passos. A literatura me dita frases de efeito que saem prontas. Basta ouvir um poeta me dizer um punhado de palavras. Os livros me provocam isso. Um vômito sem sentido. Mas uma beleza que coleciono porque de alguma forma conversa comigo. Em casa eu penduraria quadros com as minhas frases. Penduraria nas paredes brancas meus próprios rabiscos. Caberia meu nome? Minha assinatura é a lembrança que existo, sou alguém, tenho nome.

O que escrevo componho entre o intelecto e o espírito, ainda sou eu com alguma consciência de mim mesma. O prazer de ser traz só silêncio, as palavras precisam de um desconforto para sair. São a busca de um estado que as cala. A busca permanece e elas nunca calam, nem eu mesma calo. Vejo que as palavras são em grande parte eu mesma.

A literatura é também uma religião aos que a vêem desta forma. Um caminho para iluminação, mas um caminho que nunca ninguém alcançou, onde as passagens importam mais que a chegada. O escritor teme se livrar dos desprazeres que o fazem explorar a linguagem. É isso! Uma busca da libertação através da linguagem. Jamais se chegará a algum lugar. Escreve é um consolo. Ler é um consolo. Vem o êxtase momentâneo. O paraíso se aproxima por frágeis instantes. Viver no paraíso é não ter palavras para contar.

Canto as canções do labirinto que eu sou. Sem saída.

domingo, 2 de novembro de 2014

Rei

Fazenda, em 14/10/2012:

É você meu rei
Somente eu o sei,
Embora a tua majestade brilhe
Como duas esferas cintilantes
Sobre teus ombros. 

Você é meu rei 
Porque em ti encontro o ouro da minha vida
E a riqueza de cada manhã
Tenho ao teu lado o reino mais precioso
Que a história única e simples dos nossos dias

Sou, ao teu lado, uma rainha
E são teus lábios que coroam os meus com beijos noturnos, 
antes que eu durma

E antes que adormeçam teus olhos
Eles ainda iluminam nosso leito com tua sabedoria
(dos livros e da alma)
E sei que me sabes mais rainha quando durmo
E te sei ainda mais rei quando acordo e te vislumbro
Sou como quem acorda da realidade para mergulhar em um sonho profundo,
Que é você, meu amor. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Quem me procura

Na minha adolescência eu tinha muitos amores platônicos e era muito tímida. Eu já amava escrever, que era o único lugar de refúgio para todo o sentimento não expressado que morava em mim. Meus poemas contavam meus amores não vividos, tudo aquilo não realizado na vida, emitido somente em palavra. Quando me perguntavam para quem eu os escrevia, nem eu mesma sabia, era para um "outro" sonhado, que eu sequer conhecia, alguém que eu estava à procura. Mas se eu o procurava imaginei que ele também estava à minha procura. Então escrevi esse poema:

QUEM ME PROCURA

É muita amargura
Porque pra mim o teu olhar tem tal fissura
Que meu maior medo é do teu pranto
Derramando-me lágrimas que gritam
Tanto quanto gritam os que choram,
Tanto quanto choram os que por ti tem tal encanto
Choram porque te olham e não te encontram
Choram pelo medo e pela dor de te amar
Choram como eu choro
A desejar cada segundo do teu tempo
Meu maior desejo?
É estar em teu mundo e me encher de encantamento. 
Porque teu beijo é meu momento de ilusão 
É que o traduz e cristaliza sentimento e emoção. 
Vale a pena te amar ou não?
Vale a pena te ter então?
Vale a pena te querer em vão?
A não ser que deixes de ser minha amargura e passes a ser minha esperança pura de um novo amanhã. 
Acredito que te amar é uma loucura sã,
Porque não encontro ternura em teu olhar
Ainda que seja uma realidade dura
Vou ter que deixar de te amar pra encontrar
Quem me procura. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Vida em poema

Meu pensamento às vezes acontece em poemas
São nas frases curtas dos versos
Que às vezes expresso meus eus

Eu teria como iluminação 
Objetivo de alma
Virar eu mesma um poema

Não quero que me escrevam em linhas ou palavras
Não isso
Mas uma vida toda sem elas
Que seja, quando olhada, uma poesia
Que rime repentinamente
Que soe rimas raras, claras, obscuras, densas
Uma poesia da junção de todos os meus dias, horas, segundos
Para rimar com meu próprio universo e próprio mundo,
Onde tão raramente me exponho
Mas por meio dela me ponho 
a ser
eu


Onde vivem os monstros

A conjuntivite me deu o presente.
E o tempo presente me devolveu a literatura. 
E a literatura devolveu minha alma. 
Roubada alma. 

Os monstros que invento são meus. 
Eu me visto deles. 
Eles se vestem de mim
Os monstros que invento tem meu nome e me assombram. 
Eu sonho com eles à noite. 
De dia eles usam minha pele para sair. 

Os monstros são sempre humanos
Agora percebido não os temo
São meus. 

Uma irracionalidade de um antes... 
Julgava os monstros uma outra coisa qualquer. 
Não existe outra coisa qualquer. 
Somente nós. 
.
.
.
Somente eu e todas as outras coisas. 
.
E todas as outras coisas em mim. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cozinha

A cozinha foi um laboratório feminino por muito tempo. 
Lágrimas misturadas ao feijão. 
Submissão. Submissão. 
Mas, também riso, como tempero
Amor, café coado, 
Bolo de aniversário. 

Olha, filha, pra você quero outra vida. 
Aprende não a cozinhar,
Vá ser princesa. 

Mas no palácio dos anos futuros
Em que a aristocracia mora uma sobre a outra,
E que o castelo vizinho é repleto de cômodos-cubículos
Divide-se o transporte que economiza a escada
E quem não se vira na cozinha
Come miojo ou terceiriza a arte de fabricar delícias
Com grãos e ervas que boas mãos
transformam em cheirosa comida. 

Ah, que vida de princesa mais desnutrida de sentido!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Vivo

Um poema não é uma coisa planejada, programada.
Um poema é um ser vivo.
Às vezes me empresto a ele.
Ele vem e se presta a mim.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O amor

O amor é o único pedaço do corpo com alma dentro
Todos os outros pedaços são corpo sem alma
E ocos sem amor.

O amor é a única alma que vibra
Faz bater o coração,
Ensanguentar as veias
Arder o olhar
Até sorrir de lágrimas.

O amor é a única vida do corpo
Todo resto é morte

Um corpo morto é um corpo que nunca experimentou o amor
Um corpo vivo é o que viveu dele até a morte.

O corpo morre, o amor vive, pois é ele a própria vida.


sábado, 10 de agosto de 2013

Para sempre é tempo demais

A qualquer momento você pode ir embora.
Não existe estratégia que o faça ficar.
Eu vou chorar, imaginando que poderá ouvir atrás da porta e sentir-se culpado.
Desejarei que vá embora com amargura na boca e feridas na alma, como as que me deixará.
As minhas eu vou regar.

Das feridas, flores vão nascer.
E o perfume exalado trará você de volta para mim.
Incontáveis vezes.
Simples assim.
Para sempre.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O que eu não sei dizer

Tenho pensado sobre a literatura, com meu coração apertado querendo dizer coisas que eu não sei dizer, só sentir, mas me cobro. Se são da textura da minha vida, as palavras, a elas devo recorrer para me dizer. E, mesmo assim, não me digo.

Eu me cobro uma descoberta constante, acontecimento que não posso promover sem dor.
Eu me cobro, delinear sonhos novos...

terça-feira, 9 de julho de 2013

Insonia

Quero reviver o início

Depois do início esta é a primeira noite sem você e sem sono...
Horas em que te espero
Ainda falta tempo para o seu abraço...

Há uma canção para o meu sono
E uma razão pro sonho não acontecer
É porque o sonho está acordado em outro lugar

domingo, 7 de julho de 2013

O verso e o inverso

Toda alegria é estar sozinha.
Toda tristeza é estar sozinha.

E a ilusão de que tudo se resolve com um abraço.
E a verdade de que tudo se resolve com um abraço.

Entre estes versos o antagonismo da vida.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Não é poesia

A vida não tem mais poesia
Água é água,
Chuva é chuva,
Cadeira é cadeira.

Dentro de mim água é transparência,
Chuva é lágrima,
Cadeira é apoio.

Mas água também é água,
Chuva também é chuva,
Cadeira também é cadeira.

Mas aí não é poesia.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Obscuridade transparente


Poesia é um rio negro de onde se pode ver peixes transparentes.
É da obscuridade da palavra poética que emerge a clareza da alma de quem lê.

Garantia

Eu não tenho garantia de que escrevo poesia.
Eu não tenho certeza de que o que escrevo é poesia.
Não sei se há suficiente beleza.