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domingo, 19 de abril de 2015

Reflexão

A͟͟m͟͟o͟͟r͟͟ e͟͟ s͟͟o͟͟f͟͟r͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟ s͟͟ão͟͟ p͟͟u͟͟r͟͟o͟͟ m͟͟e͟͟r͟͟e͟͟c͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟  
A͟͟l͟͟e͟͟g͟͟r͟͟i͟͟a͟͟ é v͟͟i͟͟v͟͟e͟͟r͟͟ c͟͟o͟͟m͟͟ c͟͟o͟͟n͟͟s͟͟c͟͟i͟͟ên͟͟c͟͟i͟͟a͟͟ e͟͟ c͟͟e͟͟l͟͟e͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ o͟͟s͟͟ m͟͟o͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟s͟͟

Sobre a beleza e a foto

A foto tirei no domingo de Páscoa, em Jacareí.
A beleza de um instante invade todos os instantes. 
A foto tem data, a beleza não. 
Foto é registro, beleza é acontecimento. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Labirinto

Chego em casa e penso em percorrer todo um labirinto. São muitas as canções dos meus passos. A literatura me dita frases de efeito que saem prontas. Basta ouvir um poeta me dizer um punhado de palavras. Os livros me provocam isso. Um vômito sem sentido. Mas uma beleza que coleciono porque de alguma forma conversa comigo. Em casa eu penduraria quadros com as minhas frases. Penduraria nas paredes brancas meus próprios rabiscos. Caberia meu nome? Minha assinatura é a lembrança que existo, sou alguém, tenho nome.

O que escrevo componho entre o intelecto e o espírito, ainda sou eu com alguma consciência de mim mesma. O prazer de ser traz só silêncio, as palavras precisam de um desconforto para sair. São a busca de um estado que as cala. A busca permanece e elas nunca calam, nem eu mesma calo. Vejo que as palavras são em grande parte eu mesma.

A literatura é também uma religião aos que a vêem desta forma. Um caminho para iluminação, mas um caminho que nunca ninguém alcançou, onde as passagens importam mais que a chegada. O escritor teme se livrar dos desprazeres que o fazem explorar a linguagem. É isso! Uma busca da libertação através da linguagem. Jamais se chegará a algum lugar. Escreve é um consolo. Ler é um consolo. Vem o êxtase momentâneo. O paraíso se aproxima por frágeis instantes. Viver no paraíso é não ter palavras para contar.

Canto as canções do labirinto que eu sou. Sem saída.

sábado, 1 de novembro de 2014

Iminência

Existe uma beleza na solidão que se instala quando estamos juntos.

É que ela está sempre na iminência de acabar. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Pessoa Humana

Existe um pleonasmo muito bem-vindo, que é quando dizemos "pessoa humana", como se a humanidade pudesse habitar duas vezes o mesmo lugar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Jornada da vida



A vida é uma jornada, um caminho de pedras ou flores, depende de como você olha e vê. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Obscuridade transparente


Poesia é um rio negro de onde se pode ver peixes transparentes.
É da obscuridade da palavra poética que emerge a clareza da alma de quem lê.

Sonho

Um sonho acontece se estivermos devidamente acordados.

Acontecimentos

Não são palavras que produzem acontecimentos, são os acontecimentos que produzem as palavras.

Vislumbre da verdade

Sou sozinha por dentro. Minha solidão às vezes grita meu próprio nome, eu me confundo. Quando ouço "Solidão" acho que sou eu quem deve responder. Eu me escondo, reclusa em minha vida, eu me isolo do mundo e das pessoas. Deve ser medo de ser descoberta. Na vida é melhor fingir ser qualquer outra coisa, menos si mesmo, para não sofrer. Quando escrevo posso ser um vislumbre da verdade que carrego, depois é só dizer que estava inspirada em outra gente ou personagem. Aqui ficam as verdades minhas... Nas palavras! Não sei onde aprendi a adorá-las tanto... Tanto...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Eu no mundo

Quem sou eu no mundo depende mais de mim do que do mundo.
Quem sou eu no mundo depende mais do mundo do que de mim.
O mundo e eu, ou eu e o mundo, somos entidades misturadas.

Silêncios

A poesia é feita mais de silêncios do que de repetições.

Tempo

O tempo é um cálice derramando todo o líquido do mundo em um transbordar sem fim.
Eu temo morrer afogada...

O tempo é um alarme ensurdecedor.
Eu temo amanhecer surda.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Palavra

Acredito em um tipo de despertar pela palavra.
Acredito na palavra justa, certa, exata, que acorda a alma e encerra silêncios.
Acredito que cada um tem a sua e que ela fica escondida inaudível como se o ouvido, para esse som, precisasse de apuro e preparo.
Mas também precisam estar afinados os dedos que escrevem e a voz que canta a palavra.
O mestre é sempre o tempo, afinador dos aprendizes, encantador dos instantes.
A palavra serpenteia as horas e espreita o tempo, esta sempre na iminência de ser dita, mas ninguém a conhece.
O seu rosto é uma sombra que ninguém vê, e seu nome é uma senha que ninguém diz.
Ainda assim acredito no despertar pela palavra, nas raras vezes em que pode ser pensada, escrita e dita. Ela é o único antídoto para a alma que dorme.
E dormem todas as almas vivas, enquanto o despertar da palavra "morte" não chega.

Morto é aquele que não sabe que está vivo, ou que, se vivo, não sabe que vai morrer.

A voz (e a escrita) são os instrumentos da palavra, pelos quais ela se concebe bela e única.
A poesia é a música da linguagem e a palavra é a sua melodia.

(21/04/2012)