domingo, 12 de agosto de 2018
20a Carta para minha filha - Dia dos pais
domingo, 5 de agosto de 2018
18a Carta para minha filha
18a CARTA PARA MINHA FILHA
(Continuando a carta anterior)
Quando nos apaixonamos criamos eixos que sustentam nosso encontro (e reencontro, que precisa ser repetido com a mesma potência para estar vivo e novo). É fato que todo relacionamento duradouro se faz de “recontratos”, pois mudamos sempre, mas o nascimento de uma criança deve ser o que de mais transformador possa acontecer a um casal. Como se de repente a substância de duas pessoas fosse demasiada para seus corpos e inundasse de líquido humano, fértil, perfumado e amoroso um outro “pote” corporal. Você, filha, já nasce banhada pelo nosso amor e emerge dele também. Você é fruto e motivação do nosso encontro, geradora e consequência da nossa união.
Mas por inspiração nas conversas que temos com Madhuri ( @madhuri_oficial ), a doula, reconhecemos que após o seu nascimento, quando o furacão da transformação tiver passado e deixado suas marcas, precisaremos olhar com profundidade para quem somos, fatalmente seremos outros. Teremos que atravessar a redescoberta da nossa alma para então nos apresentarmos novamente. (Sugestão baseada nos estudos da Madhuri)
“Olha, meu nome é Aline, hoje eu gosto disso, eu não gosto mais daquilo, eu me interesso por isso, para mim é importante aquilo. Para tal coisa eu não ligo mais, porém preciso disso e posso oferecer isso. Para mim relacionamento se tornou isso. Você topa?”
Filha, o seu pai há de fazer o mesmo e me dizer. Poderemos pensar se somos capazes de levar adiante um casamento tão diferente do que aquele ao qual nos dissemos “sim, eu quero me casar com você”, mas sabendo disso parece que será ao menos um pouco mais fácil, estaremos mais abertos a nos compreender e compreender o outro. Pode ser que daremos como resposta: “Vai ser difícil para mim tolerar essa parte! Mas aceito tentar” e também pode ser (sou romântica e otimista, filha!) que nos apaixonemos ainda mais e mais profundamente por aqueles que seremos, após você passar por nós. É assim que sinto. (Continua na próxima carta)
#cartasparaminhafilha
19a Carta para minha filha
19a CARTA PARA MINHA FILHA
Filha, nas horas doces da vida vi muitas vezes escapar, do homem que amo, o seu pai em um sorriso. Saía sem timidez ao olhar um bebê, carregar uma sobrinha, ou te imaginar. Em alguns momentos antes de dormir a se perguntar "já pensou uma menininha dormindo aqui com a gente?"
Desde que ele instalou você no meu ventre esse sorriso tão pouco assíduo foi ficando mais presente e duradouro. Um sol brilhante no rosto dele, um sol todo seu, filha, direcionado para essa lua cheia, crescente, luminosa, na minha barriga. Há meses, quando notamos você se expandir como uma semente que rompe a terra para cumprir seu destino de árvore, ele começou a conversar com você todas as noites antes de dormir. "Está quentinho aí, filha? Deve ser gostoso estar na barriga da mamãe! A gente está te esperando. Vai ser gostoso aqui também. Olha, a saída é por aqui!". Dizia ele apertando levemente meu baixo ventre. Outros dias ele contava algum acontecimento "Filha, hoje fizemos o ultrassom e vimos você!" ou ainda "Hoje a vovó veio aqui em casa e levou umas roupinhas suas para lavar". Também fazia muitas perguntas como se sua voz estivesse disponível para responder e fosse decifrável para nós "Já está dormindo, filha? Tá acordada?" e com as mãos ficava sentindo se você correspondia com algum movimento, como se você estivesse nos ensinando o seu alfabeto próprio que o deixava mais entusiasmado em traduzir "É mesmo? Acordou?" E olhava para mim, como se para confirmar que eu também testemunhava o fenômeno de um pai amar e se comunicar com uma filha que ainda não nasceu. Por vezes meu olhar ficava turvo de lágrimas. Enquanto te dizia em palavras, filha, ele me validava em silêncio, seu pai reconhecia em mim a mãe emanando carne, ossos, sangue, te nutrindo de vida e ele ali, nos nutrindo de amor. O seu pai tem tanto amor dentro de si, que ele se esparge em arte e em ciência, em música e em poesia, em presença e em abraço, em carinho e no sorriso dele. Meu pai, filha, o avô que você não vai conhecer fisicamente quando nascer, dizia que "era um sorriso capaz de iluminar uma sala toda".
Daqui uma semana será domingo de dia dos pais. Fico pensando se você vai querer passar essa data dentro de mim ou no colo do seu pai, se ele estará olhando seus olhos ou o meu umbigo e se estaremos sorrindo de amor ou de ansiedade. Você escolhe, filha!
17a Carta para minha filha
16a Carta para minha filha
16a Carta para minha filha
Enquanto publico as cartas que escrevo a você, filhinha, muitos corações nos acompanham. A sua mãe tem mesmo gosto por ser lida e partilhar o que sente. Além de te deixar esses vários símbolos de amor, cada carta também espalha pelo vento do mundo a conexão única que estamos criando mesmo antes de você nascer. Na carta anterior falei da nossa bagagem, que ao nascer já está um pouco cheia, nela trazemos também alguns segredos que aos poucos somos capazes de revelar a nós mesmas. Não são inventados, só mal compreendidos. São origens anteriores a nós. Veja só, filha, eu com esse prazer pela escrita e minha mãe cursou Letras. Eu com meu amor pela educação e minha mãe e pai são pedagogos. Jung, um homem muito admirado por nossa cultura, querida, e que deixou uma linda obra de pesquisa sobre o humano e nosso inconsciente (onde provavelmente esta bagagem se situa), tem uma frase muito boa que diz mais ou menos assim: “Nada influencia mais os filhos do que a vida não vivida de seus pais”. Todos os sonhos que eu não viver pode ser que sobrem como peso na sua bagagem. Preciso viver meus sonhos!
Porém não sei se Jung previu que podemos também ser escolhidos por almas que compartilham nossos sonhos. Acredito que de alguma forma escolhi assim meus pais, os que já amavam o que eu também amava, mesmo antes de mim. Como e por que será que você nos escolheu?🙏🏻💜 #cartasparaminhafilha
📸 @sitah_photoart
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
15a carta para minha filha
15a Carta para minha filha
Como é sábia a natureza, filha!
A mulher tem 9 meses para tornar-se mãe. Um tempo de mergulho em si mesma. Acontece ou acontece. Algumas podem viver isso propositalmente com entrega e consciência. Quando não é possível existe o sono incontrolável que toma as grávidas. Não é só cansaço, é tempo para se assimilar internamente todas as transformações. O sono permite os sonhos, as imagens e histórias inverossímeis que formulam na alma o que precisa ser vivido ou revisto, revisitado. Também é comum que a gestante se torne mais seletiva, escolha melhor com quem irá encontrar, de quem irá se aproximar ou distanciar. Às vezes o distanciamento pode ocorrer mesmo de pessoas muito amadas, mas se alguma convivência não está trazendo amor e acolhimento, sem nem notar, a gestante se afasta, e não faz isso por si mesma, mas pela criança que carrega e que não pode se defender sozinha. É o instinto materno protegendo a cria. Não é incrível?
Olhando para trás, nesses meses, filha, me percebi algumas vezes em conversas desagradáveis. Lembro que logo minhas mãos tocavam a barriga na tentativa de criar uma barreira para aquele conteúdo não atingir você. Também me notei mais caseira, querendo mais horas de descanso, sono, ou de lazer divertido e gostoso que fizesse bem pra mim e pudesse agradar você também. Acho que fiz essas coisas com pouca consciência e escolha, por isso celebro a minha natureza feminina que me guiou nessas direções.
O mundo está evoluindo mas continua um tanto despreparado para compreender os processos internos humanos. Carregamos a bagagem do nosso passado e dentro dela a bagagem de todos nossos antepassados com as percepções deles, dores, mágoas, alegrias e belezas de todo o tipo. Essa hereditariedade está ainda mais presente na gestação, na maternidade e na paternidade, porque justamente estamos ampliando para mais uma geração que irá carregar a nossa bagagem. Quando abrimos essa “mala” de conteúdos inconscientes e procuramos compreender (o que implica nos compreender), damos a oportunidade de que o próximo carregue uma bagagem mais leve. Tenho tentado aliviar o tempo todo o peso da sua bagagem, filha.
📸 @sitah_photoart
14a Carta para minha filha
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
13a CARTA PARA MINHA FILHA
domingo, 29 de julho de 2018
12a CARTA PARA MINHA FILHA
12ª CARTA PARA MINHA FILHA
De que lugar do universo vem essa força, esse Ser que já me habita com suas vontades próprias e expressões? Parte de você filha, parece ter vindo de dentro de mim e de dentro do seu pai, assim demos origem a sua carne, ossos, sangue, sua matéria, o corpo com que viverá a aventura da sua vida no planeta Terra. Mas há também sua parte sagrada e etérea, sua alma sublime e potente, a música da sua existência, a essência do seu Ser. Acredito que não vem de mim, nem para mim, mas para o mundo. Para mim somente na medida que sou parte deste mundo, e que agora o represento, na esfera do meu útero: o mundo todo pra você. Sinto-a navegar nas águas do meu mar e do meu amar. Você ainda passará pela minha terra, um portal que dará você à luz.
Por muitas vezes refleti sobre esse termo “dar à luz”. O parto é a primeira dissociação de nossos corpos em que sabiamente a nossa linguagem nos indica que eu a estou dando, mais que a recebendo.
Preciso sempre me lembrar!
E quem te recebe é a Luz. Provavelmente esta, sim, a de onde realmente você veio.
Seja sempre bem-vinda, filha, ao lar iluminado que te deu origem, de onde se preencheram de alma todos os seres, e todas as coisas belas e puras!
Bem-vinda!
#cartasparaminhafilha
Foto: @sitah_photoart
sábado, 21 de julho de 2018
11a Carta para minha filha
Filha, ontem estava lendo sobre reconciliação com o nosso passado. Você ainda nem nasceu e sinto como se já criássemos juntas registros na sua vida. Meus sentimentos emitindo impressões nos seus. Minha vida tocando a sua. A sua tocando a minha. Estamos tão nuas uma para outra, tão próximas como jamais estaremos novamente, imagino. Sabemos uma da outra como a nós mesmas e desde sua chegada em meu ventre estamos criando um passado único. Há meses partilhamos os mesmos registros, as mesmas emoções, o mesmo alimento, o mesmo corpo. "É preciso se reconciliar com o passado", li ontem. Sim o passado anterior a você recobre meu presente com as marcas que ficaram. Revejo sobretudo minha mãe, o que ela foi para mim, o que ela é para mim, o que eu sou. Quanto dela ficou no que sou, quanto preciso me reconciliar com ela e com o que fomos. Observo que as mães desconhecem o olhar dos filhos para elas. As mães tem sua própria perspectiva amorosa de como criaram os filhos e se dedicaram a eles com o máximo que puderam oferecer. As mães são generosas, o olhar profundo para elas não é generoso, é humano. E é preciso esse olhar humano para alcançar a mãe dentro de nós, a que gerou e soprou a vida em nós. É preciso passar pela ausência da mãe, pelas imperfeições da mãe, por sua humanidade, para chegarmos a sacralidade da grande mãe: a natureza, a terra, o mar, grandiosos símbolos acolhedores da nossa vida, que nos dão o que comer, onde pisar, onde nos levar.. A mãe é a origem, o chão. Sem a mãe simbólica e única que criamos em terrenos supraconscientes do nosso Ser, não temos apoio para os pés, para caminhar no mundo, nem passagem para adentrá-lo, nem vida que nos alimente a alma. Quando falta a mãe precisamos criá-la recolhendo em nossas próprias raízes os restos de nós mesmos.
Vou falhar filha, vou me culpar pelas falhas. Essa tem sido a cruz das mães do meu tempo, as que observam mais e que se cobram mais. Com os olhos mais vivos essas mães, nas quais me incluo, reconhecem imediatamente as marcas que estão deixando, tatuagens na pele sensível dos filhos. Quanto mais aprofundamos o olhar para nossas mães, fica mais claro o olhar para nós mesmos. Também as descobrimos em nós, decodificamos as repetições, boas ou más. Somos aquela mãe também. E a vida competente na capacidade de nos ensinar, nos presenteia com o perdão. Quando erramos ficamos mais doces para perdoar quem julgávamos ter errado com a gente. Quando compreendemos nossas pequenezas, nos abrimos para aceitar que todos podem ser pequenos também, inclusive nossas mães. Quanto de humildade recebo me tornando mãe! Não sou perfeita, nem posso mais sonhar ser. Nem sonhar que poderiam ser melhores comigo. Como me ensinariam tudo que tenho aprendido? A frase mágica que sempre me liberta das lamentações: "Vivemos exatamente o que precisamos viver para aprender exatamente o que viemos aprender". Chega de lamentar como poderia ter sido, como gostaríamos que fosse! Esta vida, tal como é, é a única forma possível de aprendermos exatamente o que viemos aprender. Controlamos nossas escolhas, mas não controlamos o que nos acontece quando escolhemos. E, ao mesmo tempo, podemos controlar o que faremos diante do que acontece…
Outra frase mágica, filha. Mágica porque nos tira da ignorância, da ilusão, com poucas palavras. "Não é o que nos acontece que nos marca, mas o que fazemos com o que nos acontece". Todo abismo pode representar uma queda, mas se formos pássaros podemos voar. Atravessar abismos com as asas dos sonhos que sustentam nossa realidade. Somos esse vôo pela vida. Um dia voamos, livres do passado. Meu sonho é que eu possa viver intensamente tudo com você, para que não me lamente de nada quando você voar de mim, de nós, de todas nossas memórias, para o céu do seu existir sem limites. Sem os meus limites. Sem os nossos limites. Que você seja livre, filha, LIVRE! Que nenhuma corrente possa impedir seu vôo. Nem as suas próprias. Que você aprenda a se soltar.
É preciso se reconciliar com o passado, filha!
quinta-feira, 19 de julho de 2018
10ª CARTA PARA MINHA FILHA
domingo, 15 de julho de 2018
O portal da mãe
Cada criança que chega traz a sua luz para iluminar o mundo. A mãe é o portal que entremeia os mundos. É como o nascer e por do sol no limiar do dia e da noite. Pela passagem pelo corpo (e alma) da mãe — e de forma muito mais sutil, do pai também — chegamos ao planeta imantados e somos “animados”, no sentido de preenchidos de nossa própria alma, conforme recebemos o sopro do amor, do reconhecimento e da atenção dos que estão ao nosso redor. Como soprar a vida em um bebê sem estarmos nós mesmos preenchidos da nossa alma?
Antes de ser esse portal eu precisei buscar a mim mesma. E somente no momento último, quando a energia de uma criança pousou no meu útero, foi que eu realmente me senti preenchida. Como se concebê-la e gestá-la fosse o artifício que faltava para tornar-me eu. Ela também tem me soprado a vida, preenchido meu corpo e me permitido ser sagrada.
Foto: @sitah_photoart
O portal da mãe
Cada criança que chega traz a sua luz para iluminar o mundo. A mãe é o portal que entremeia os mundos. É como o nascer e por do sol no limiar do dia e da noite. Pela passagem pelo corpo (e alma) da mãe — e de forma muito mais sutil, do pai também — chegamos ao planeta imantados e somos “animados”, no sentido de preenchidos de nossa própria alma, conforme recebemos o sopro do amor, do reconhecimento e da atenção dos que estão ao nosso redor. Como soprar a vida em um bebê sem estarmos nós mesmos preenchidos da nossa alma?
Antes de ser esse portal eu precisei buscar a mim mesma. E somente no momento último, quando a energia de uma criança pousou no meu útero, foi que eu realmente me senti preenchida. Como se concebê-la e gestá-la fosse o artifício que faltava para tornar-me eu. Ela também tem me soprado a vida, preenchido meu corpo e me permitido ser sagrada.
Foto: @sitah_photoart
sábado, 14 de julho de 2018
9a CARTA PARA MINHA FILHA
9a CARTA PARA MINHA FILHA
Meu amor, os meses de gravidez são longos para a sua espera mas curtos para que eu consiga preencher com tudo que gostaria. Eu me sinto ligada à você. A sua presença também me preenche de mim, da vontade de me presentear sendo mulher e viva, sendo encantada e bela. Encantada por esta outra vida impregnada no meu corpo e na minha alma. Só mesmo o encanto da matéria concebe a mágica deste mistério em que um outro corpo é gestado no interior do meu. O fenômeno se repete em toda parte e ainda deslumbra. É como a natureza, o sol nasce e se põe, as sementes se tornam árvores, os animais geram filhotes, a poeira na ostra converte-se em pérola, e você, fruto de um profundo amor, se tornará uma mulher! Minha filha!
Eu não tenho mais buscado por seu nome, nossa relação está selada pelo encontro da mãe que sou para você, e da filha que você é para mim. Sinto que os outros vão te chamar pelo lindo nome que surgir dos seus olhos e do seu respirar. De alguma forma espero saber decifrar sua linguagem e em seu lugar pronunciar sua palavra-identidade. Mas enquanto tantos o usarão, você continuará sendo para mim: filha, minha filha. Ainda que jamais venha a me pertencer, mas “minha” como Saramago escreveu, no “Conto da Ilha Desconhecida”: por ser amada. Afinal amar deve ser a melhor forma de ter, e ter deve ser a pior forma de amar. Não pretendo te ter, mas você será minha pelo amor que nos liga uma a outra. E eu sua, sua mãe. Para sempre!
O encanto você me trouxe e a beleza, pela qual me sinto penetrada nesse estado gestante, foi registrada em um ensaio da artista e fotógrafa @sitah_photoart
Veja também: @sitah_fineart
Assim me presenteei, filha, repleta de você e de mim!💜🌷💜
terça-feira, 3 de julho de 2018
8ª CARTA PARA MINHA FILHA
sábado, 23 de junho de 2018
7a carta para minha filha
Você vivia pequenininha escondida na minha barriga que demorou a ficar arredondada e vistosa. Nem percebiam que eu estava grávida de uma luz tão brilhante como a que você é e que me ilumina por dentro. Eu procurava no espelho todos os dias e parecia que jamais o seu tamanho teria as proporções que os olhos das pessoas poderiam captar. Mas, de repente, de uma semana para outra, como de um dia para outro, não sei ao certo quando, a minha barriga foi crescendo de tal forma, que você ficou evidente. O porteiro que eu sempre comprimento mas nunca tinha falado sobre você se manifestou: “Pra quando?”
A recepcionista da academia (que me vê praticamente dia sim, dia não) me falou: “Nossa! Como está grande!” E o seu pai, filha, passou a conversar, cada vez mais, diretamente com você. Diretamente e diariamente. É a cena mais linda do meu dia. E você responde se movimentando. Eu também adoro a voz dele. Parece que nosso gosto é parecido, filha!
Para que saiba como está sendo tudo para mim: tenho pensado muito no nosso encontro aqui fora. No parto. Na equipe médica que vai te nos assistir e cuidar de mim, nos exames e consultas que ainda faltam e nas coisas que eu gostaria de fazer mas que não sei se acontecerão em tempo... Eu queria um dia de bênçãos, com os amigos próximos, para criarmos uma rede de pessoas para te receber. Um núcleo amoroso e terno. 🙏🏻💜 Eu queria encomendar lembrancinhas para dar às pessoas que amo e que quero que estejam por perto a partir do seu nascimento. Queria já ter definido seu pediatra (marquei uma consulta), a minha doula (está quase!) e a decoração do seu quarto. Ao mesmo tempo que sinto que as coisas práticas estão atrasadas, o meu coração não está distraído com tantas tarefas e está tomado do perfume inebriante da sua alma. É como se você não se importasse com nada disso... É como se você me perdoasse o desleixo ou descuido com a matéria e compreendesse a minha essência etérea, um pouco (ou muito!) aérea, que está com você o tempo todo. Sinto que cuido de nós em um outro nível, invisível e intocável pelos outros, um mundo imaginário e vivo, de candura e poesia. Lá caminhamos agarradas e acolhidas, eu por você e você por mim. Ninguém nos vê, mas nos sentimos assim, ainda um pouco misturadas e parte uma da outra. Pelo menos até você nascer!
Não sei quantos anos levaremos para ser duas, depois de tão intensamente sermos uma 💜
(23/06/2018, 6:19 AM)
domingo, 10 de junho de 2018
Quem não quer ser amado?
#30semanas
O que estou sentindo?
Alegria, com a gravidez. Sensibilidade, com o mundo.
Continuo querendo ser gentil. Mas continuo querendo gentileza também.
Continuo querendo oferecer amor ao mundo, mas para dar precisamos ter. Às vezes estamos frágeis, já se sentiram assim? Às vezes não temos para dar e a solução é se recolher e se preencher do amor do nosso próprio coração. No fundo ainda quero mais ser amada do que amar. Quem não quer ser amado?
Somos condicionados a acreditar que para sermos amados temos que fazer isso ou aquilo, ser de um jeito ou de outro (cada um inventa suas regras e as toma como verdades). Às vezes até alcançamos algum grau de admiração. Mas essa não vale... Não preenche. Porque foi preciso muito sacrifício para conquistá-la. Não foi espontâneo. Então é como se não nos tivessem amado pela nossa verdade. Se ficarmos relaxados sendo nós mesmos, seremos amados? Ou ser amado requer um esforço nosso? Se decepcionarmos, seremos perdoados?
Não sou perfeita. Sei que a maternidade vai me mostrar isso ainda mais, como também é provável que vou me cobrar ainda mais... Eu tenho muitos defeitos e acho mais saudável reconhecê-los que apontar os defeitos dos outros. Só assim sou capaz de aprender.
Já falhei como amiga, como filha, como sobrinha, como chefe, como irmã... As pessoas criam expectativas sobre nós, sobre como devíamos ser ou fazer. Também fazemos isso com os outros.
Sem nos comunicar fica difícil esclarecer qual a expectativa que estamos ou não atendendo. Isso se chama feedback.
Como falei no início, estou grávida, sensível, procurando me resguardar e resguardar a minha filha. Para completar fui diagnosticada com uma pneumonia benigna, um vírus (metapneumovirus) que às vezes me abate (ou será um abatimento emocional? Ou natural da gravidez?) Tudo isso para que você leve em consideração meu estado e também pontue o seu. Pois é a partir do nosso estado que nascem nossos pensamentos, palavras, sentimentos e ações. E, mais importante, peço que me passe abertamente por aqui ou no privado o seu feedback sobre mim, me apontando se decepcionei você (já peço desculpas antecipadas) e como posso ser melhor que sou🙏🏻💕
(Escrito em 4/6/2018)
6a Carta para minha filha - Vim neste corpo
CARTA PARA MINHA FILHA
Vim neste corpo conhecer sua alma e forjar o seu.
Vim desconhecendo esse destino escrito com a mão de Deus.
Vim de desertos, tecelagens, estaleiros, gerações de antigas mulheres
Vim ser sua mãe! A que costura seus ossos, sangue e carne, e tece o seu pensamento com o que sinto.
Vim ser sua morada quente, redoma viva de água transparente.
Vim caminhando sem saber, constituindo o meu próprio ser para alcançar a dignidade de receber você.
Somente quando estive minimamente em mim é que pude ser preenchida por sua vida.
Há meses que a alimento e a sonho. Que sinto seu mover e me emociono.
Há meses que sou habitada por uma outra luz que mal posso conter.
Recebo o amor do mundo às gestantes, como se estivéssemos grávidas de um sonho comum a todos: o novo que virá!
Você é este novo que não me encerra.
Sou o portal de tudo que é efêmero para você.
E você o meu portal para tudo que é eterno na matéria.
Hoje você vive em mim. Amanhã eu que viverei em ti.
(Aline Ahmad)
9/6/2018
sábado, 2 de junho de 2018
9 anos com você, Paulo!
sábado, 26 de maio de 2018
5ª carta para minha filha
domingo, 20 de maio de 2018
3ª carta para minha filha
4ª carta para minha filha
domingo, 13 de maio de 2018
2ª carta para minha filha
Korczak
Sobre presença e comunicação nos relacionamentos
sábado, 28 de abril de 2018
1ª Carta para minha filha
Filha, estou adiando escrever para você. Talvez porque agora você não vá ler, mas poderá sentir dentro de mim o que está acontecendo e o que temos vivido juntas. A sua mãe desde muito pequena sonhou em ser escritora. Ela até já publicou um livro inspirada na história de como conheceu seu pai. (Acabo de perceber que eu disse “a sua mãe”, ao invés de “eu”, talvez ainda esteja me familiarizando com essa nova persona que é sua mãe, no fundo, no fundo, somos almas companheiras vivendo esses papéis nesta vida. Eu sinto profundamente que você é uma alma que me acompanha. Nós nos escolhemos em algum tempo e espaço em que tempo e espaço não existiam. E já é uma honra para mim ser sua mãe!)
Como estava dizendo, sobre minha vontade de ser escritora, de não apenas escrever, mas de ser lida, isso faz com que eu queria compartilhar com as pessoas o que eu vivo e o que eu sinto. Hoje temos a oportunidade de fazer isso através das redes sociais. Toda vez que escrevo sobre mim e você muitas pessoas lêem e se emocionam, acredito que consigo conectar nelas não o meu amor por você, mas algum amor que exista nelas. Na verdade o amor deve ser um só. Então são palavras de amor que despertam o amor, filha. Você já deve sentir.
Esta semana, na noite de 23/4, seu pai e eu nos deitamos para dormir mas antes de fechar os olhos ou de ler um pouquinho (como costumamos fazer) o papai veio conversar com você colocando o rosto bem pertinho da minha barriga. Ele também colocou as mãos e eu coloquei as minhas com as dele. Ele já tinha feito isso outras vezes mas nesta noite foi a primeira vez que sentimos você se mexer dentro de mim. Enquanto ouvia a voz dele você se mexeu algumas vezes. E eu me dei conta que para sentir você eu preciso ficar bem quieta e atenta. Seu pai me ensina muitas coisas e neste dia ele me ensinou a te sentir.