quinta-feira, 7 de abril de 2016

Irritado ou irritável?

Se você encontra uma pessoa conhecida na rua e ela faz uma determinada cara quando te vê, você pensa: "Por que será que ela fez essa cara? Será que ela gosta de mim? Será que ela não gosta? Será que ela me acha feio? Será que ela gostou de ter me encontrado? Será que ela percebeu que eu não gosto dela?" Enfim, qualquer pensamento. Neste caso acontece tudo, menos um encontro verdadeiro de aceitação à pessoa, à vida e à si mesmo.
Em um relacionamento (de família, de amor, de amizade, etc) esses pensamentos podem ser ainda mais destruidores, porque eles não são reais e nos impedem de viver o momento, de viver o encontro, de realmente estar inteiro e receber o outro na sua inteireza particular em um processo de aceitação que envolve aceitar e amar a realidade do jeito que ela é, estando presente. É muito gostoso estar em contato com essa energia.
O aborrecimento, o ciúme, a raiva, etc., podem durar um segundo, são emoções fluídas como todas as outras (como os pensamentos) a ideia é aceitar essa emoção (ou esse pensamento) e deixar fluir sem se apegar. O sofrimento está no apego que temos à essas emoções e pensamentos venenosos... Se você se sente apegado a pensamentos ou emoções negativas é uma oportunidade para olhar para esse apego. Ou seja, ao invés de pensar: "esta pessoa está me traindo" escolher pensar "eu sou uma pessoa que se sente traída diante de tal situação". Ao invés de pensar  "que pessoa irritante!" escolher pensar "eu sou uma pessoa irritável". Ao invés de olhar para o outro olhar para si mesmo. Somos a única possibilidade de mudança que existe.
(Escrito em 7/4/2014)

quinta-feira, 24 de março de 2016

Renasci



Aprendi com meu pai o significado da Páscoa quando eu ainda era uma criança e ele um teólogo, filósofo, mas, sobretudo, um professor. Meu pai me ensinava religião no sentido etimológico da palavra, com a intenção de me "re-ligar" ao sagrado que eu já era.

Anos depois eu senti o significado da Páscoa em mim, através da minha viagem pela Índia, no ano passado, que culminou em um ritual de iniciação espiritual que completa um ano amanhã, 25 de março de 2016. 

É sempre tempo de renascer e começar de novo. É sempre tempo de aprender e se religar àquilo que se acredita ser eterno. 

Há uma eternidade em mim que me liga à centelha de vida presente em todas as estrelas do universo, poeira cósmica que sou, ciente da grandeza-pequeneza de cada uma existência e de todas elas em comunhão. 

Como veículo humano me sinto cada vez mais uma buscadora de mim, como uma viajante que desconhece a bagagem que carrega, mas que a descobre através dos passos que dá. 

Há um ano eu quis conhecer meu rosto, um além de mim que os cabelos velavam. Eu quis abdicar dos longos fios que me ligavam ao que não era eu e diante de um mestre verdadeiro eu sucumbi. Entreguei a ele a parte invisível do excesso de personalidade que eu carregava, em seguida fui deixar com ela, a Ganga — o rio sagrado para os hindus — aquilo que eu mais via ao me olhar no espelho. 

Vêm de séculos este costume humano de ritualizar no estado concreto as cerimônias mais profundas que acontecem na alma. O que fiz eram somente símbolos do que acontecia simultaneamente dentro de mim. E, por sorte minha, acontece ainda. 

Gratidão, vida! Gratidão, amor! Gratidão, Guruji!❤️❤️❤️

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Meu aniversário

Entre eu e minha sobrinha existe um vácuo de quase 35 anos. Momentos que preenchi com muito amortecimento e distrações mas que também me deixei levar e foi como se a vida me arrancasse um beijo ou me exigisse os sonhos para me dar seu sangue. A alegria veio quando a vida sangrou de tanta fricção, e não cabe aqui nenhuma conotação sexual - mas também sexual, por que não? Se é do sexo que a vida nasce e permanece - me refiro a fricção no sentido daquilo que é experimentado com força e à exaustão. A alegria assim é conquista. Mas há também uma outra, a presente, a que acontece em um suspiro, no instante de um olho piscar, em um perder-se ou encontrar-se, numa epifania que atenta "eu existo e isto basta". Pode durar apenas um segundo para sentir ambas, pode levar 35 anos (ou mais!) para percebê-las. Por essas alegrias (eu agradeço!) a minha existência foi criando significado. E mesmo com algum sentido, para a minha vida, é cisma minha continuar inventando novos... Novos sentidos! 
...Quando olho uma criança percebo que andamos ao contrário nos distanciando de nós mesmos para, só na velhice, fazer o caminho de volta ao nosso próprio encontro.  ...A solidão do útero, a solidão dos anos, mas a companhia que a gente deve aprender a gostar: a nossa. É acostumar-se consigo que nos permite uma aproximação mais verdadeira e real com os outros. Bom, em um dia como hoje os textos ficam como a vida, sem um fim determinado. Feliz aniversário, Aline!
(Escrito em 18/02/2014)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

É feio chorar?

Estou no aeroporto. Uma criança de, aparentemente, 1 ano começa a chorar. A mãe é carinhosa, a pega no colo e diz carinhosamente: "Que feio, páre com esse choro feio, filha. Que feio chorar..."
O carinho e amorosidade desta mãe é perigoso, pois oculta a crueldade de seu discurso, mesmo não sendo intencional ou consciente. 
Torço para que a criança não entenda, para que não aprenda que é feio chorar. Mas dificilmente isto não acabará por ser aprendido em algum momento. 
É feio chorar?
É tão difícil para um adulto ter a sensibilidade de perceber  que dizer a uma criança que é feio chorar é o mesmo que impedi-la de sentir ou de expressar seus sentimentos?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

No olhar de uma criança

Eu quero sempre ter a consciência da beleza, privilégio e sorte do que eu faço, de como eu levo meus dias, da importância e riqueza do meu trabalho. 
Eu quero sempre me emocionar com a expressão pura das crianças, manter o encantamento pelo que elas me ensinam e a reverência pelos mestres que elas são para mim. (3/2/2014 - há 1 ano)
Eu quero sempre me lembrar quem sou e o que vim fazer neste mundo. E sempre agradecer, por ter encontrado no olhar e sorriso de uma criança (um mestre que conheço e que transformou minha vida para sempre) a resposta para todos os mistérios do mundo — os que não precisam de resposta pois se encerram na doçura desse olhar que expressa todo amor possível e impossível, além de todas as linguagens e geografias.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Primeiro dia de aula

Passamos dias, e semanas, e horas, aguardando, planejando, sonhando, com este momento. São várias e várias cabeças pensando, muitos corações agindo. Sabemos que somos também pensados e aguardados por outros corações mais jovens que nós. São crianças e adolescentes que nos permitirão participar de suas vidas. Enfim, o primeiro dia de aula, o momento esperado, ao mesmo tempo, de sensações inesperadas. Quem virá? Quem entrou? Quem saiu? Quem eu serei? 
O baú de escolhas se abre com seus reflexos ilimitados. São futuros que se moldam na velocidade do pensamento. Em um estalo não somos mais os mesmos, não seremos mais os mesmos, porque esse encontro muda todo o resto de nossas vidas. Está apenas começando. Mais um ano de inícios. Com toda a vontade de que jamais se complete, termine ou acabe a minha missão de educar. ❤️
(Foto dos alunos de 2016, do Colégio Nahim Ahmad - 1º/02/2016)
#somosahmad #somostodosahmad #brilhaahmad #sempreahmad


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Missão, Visão e Valores

Aprendi que "missão" é a alma do que realizo. A minha é nobre demais!
"Valores" são os princípios que reverencio, o que eu valorizo e considero imprescindível. E "visão" é a meta distante, mas que me faz vibrar a cada dia por me aproximar um pouco. 
Minha missão? Educar!
Meus valores? O amor e a verdade!
Minha visão? Um mundo educador, com um povo aprendiz e professor, simultaneamente. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Semana Pedagógica

Todo ano eu adoro me ocupar preparando as atividades da semana pedagógica (a semana de planejamento, com os professores, que antecede o início das aulas). Neste ano a ideia foi olharmos para dentro de nós, com aulas de autoconhecimento e desenvolvimento humano, e para fora, buscando experiências educacionais inspiradoras ao redor do mundo. Para nos guiar por esta "viagem" interior convidamos grandes profissionais de destaque na área empresarial com treinamentos realizados dentro e fora do país. Hoje a atividade foi com Roberto Ziemer, autor de livros, especialista em liderança e cultura organizacional. O trabalho foi profundo, acerca dos nossos medos e crenças limitantes. Aprendemos que sabemos muito pouco sobre nossos medos e essa distância só faz com que os temores fiquem maiores e dominem nossas atitudes, deturpando a realidade; que reconhecer e estudar os medos faz parte de saber quem somos; que os medos são contagiosos e influenciam pessoas à nossa volta principalmente se estamos inconscientes; que para ser líder é preciso liderar a si mesmo; que o educador ensina com o exemplo e que jamais poderá ensinar o que sequer aprendeu ou pratica. 
Semana que vem começam as aulas, até lá ainda teremos reunião de pais na sexta e momentos criativos para expressão da equipe, assim, além de olharmos para fora e para dentro, olharemos para frente. O futuro nos espera! 💙💙💙
#somosahmad #brilhaahmad #colegioahmad #somostodosahmad

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016 é um bebê. Agradeço por 2015!

2015 se foi com a responsabilidade de ter sido o ano mais difícil que já vivi. Foi o ano da verdade e das transformações. Foi o ano de expressar a minha verdade, com inteireza, de manifestar a minha beleza e o meu poder de uma forma que eu não tinha aberto caminho antes. Foi o ano de ser honesta comigo e com os outros e esta honestidade permitiu a honestidade dos outros comigo. Relações baseadas em honestidade são mais desafiadoras, geram a liberdade de sermos o que realmente somos. Às vezes precisamos experimentar períodos de luto para encarar as verdades das pessoas que amamos. Às vezes são elas que precisam deste luto para suportar a verdade que somos, imperfeitos, evoluindo, aprendendo... Além de ter sido o ano mais difícil da minha vida também foi meu melhor ano até agora (sinto que 2016 o vai superar). Foi o mais difícil pelo que aconteceu e foi o melhor pelo que eu fiz com o que me aconteceu (não podemos escolher o que acontece, mas podemos escolher o que vamos fazer com o que acontece!). 2015 me espremeu, extraiu de mim a seiva da minha vida, o néctar do meu sabor, a cor da minha alma. Por isso eu agradeço. Agradeço a coragem de seguir os comandos do meu coração! (Não é fácil, mas é libertador!) Agradeço a música dos meus sonhos que sussurra em meus ouvidos o caminho para realizá-los. Agradeço a semente do silêncio que faz florescer as verdades que quero continuar plantando. Agradeço a irmandade humana, brilhante e repleta que me acompanha. Tenho sonhos grandiosos e não estou sozinha. 
Agradeço ao meu mestre externo, capaz de acordar em mim o meu mestre interno, (a minha conexão comigo mesma) e a percepção da manifestação de Deus em todas as coisas, situações e pessoas da minha vida. 
Agradeço à você que me lê, por minha acompanhar com seu olhar, de perto ou de longe, trazendo a sua presença aos meus dias. 
Agradeço porque me sinto inspirada, 2016 é um bebê que nasce sorrindo. Que você possa recebê-lo com alegria e criá-lo com amor!

Compartilhei aqui a minha lista de agradecimentos do ano que passou, qual a sua lista? Vamos iniciar este ano com gratidão nos inspirando com as histórias, conquistas e aprendizados uns dos outros?
(Foto:27/3/2015)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mensagem de início de 2014

Para recordar, compartilho uma mensagem que publiquei há 2 anos no facebook:

Queridos, neste ano consegui dar alguns passos em direção a um amor mais pleno. Vivemos em um mundo que valoriza a FELICIDADE como o maior valor possível. Percebi que a felicidade nada mais é que o reverberar do amor. Sem amor a felicidade é impossível. Ser feliz é se sentir tocado pelo AMOR, da vida, da natureza, das pessoas ou pela vida, pela natureza, pelas pessoas... Porque o amor nos atinge como fim, mas também como meio, aliás mais como meio de se fazer existir. Observem que todos querem ser amados, mas poucos se dispõem a amar. 

Muito do meu aprendizado (responsável pela ampliação da minha capacidade de amar) decorre das palavras do líder humanitário Prem Baba. Para quem não o conhece ele era um psicólogo, brasileiro, e após assimilar tudo que podia sobre a mente humana viajou para Índia e lá conheceu um mestre espiritual que mudou sua vida. Anos depois ele mesmo passou a ter seus discípulos ao atingir o que é chamado de "iluminação". Compartilho com vocês as palavras iluminadas de Prem Baba para o ano novo.

“Despertar o amor é a razão mais profunda de estarmos aqui; é o que nos move nesse plano, é o que nos faz levantar de manhã, e faz com que estejamos aqui, fazendo tudo o que estamos fazendo. Despertar o amor significa acordar o seu potencial, o seu poder mais profundo. Significa acordar a divindade que te habita e consequentemente todos os talentos e dons que ela traz. Acordar o amor equivale a iluminar todas as sombras que nos habitam; significa acordar do encantamento da matéria, ou seja, se libertar do apego a ela. Nesse caso, matéria é tudo aquilo que te desvia do amor.

Eu quero desejar a você um feliz 2014. Mesmo que tudo esteja balançando, lembre-se que tudo, absolutamente tudo, se dissolve no amor. O amor é a luz que dissipa toda a escuridão. Eu lhe convido a se firmar no amor. Esse é o meu pedido e a minha oração para 2014. Esse é o meu desejo para você: que você possa se firmar no amor. Que o amor não seja um “servo de ocasião”; que você possa se firmar no amor constante. Que assim seja. Que isso se realize para que você possa conhecer o valor do amor em 2014.”


domingo, 27 de dezembro de 2015

O significado do natal

A͟͟l͟͟g͟͟o͟͟ p͟͟r͟͟e͟͟c͟͟i͟͟s͟͟a͟͟ n͟͟a͟͟s͟͟c͟͟e͟͟r͟͟, a͟͟f͟͟i͟͟n͟͟a͟͟l͟͟: É N͟͟A͟͟T͟͟A͟͟L͟͟!

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O natal passou, mas seu significado fica. A palavra natal não se refere a presentes, consumo, papai noel ou shopping. A palavra se refere a nascimento. De quem? Do Cristo.

Não é preciso crença para reconhecer que Jesus (se de fato existiu, talvez você questione!?) foi um homem que manifestou a consciência cristíca, deixando pegadas de amor para seguirmos seus passos.

(Esta é uma lição que tenho aprendido com o líder humanitário e mestre espiritual Sri Prem Baba. Como traz conhecimento e liberdade para a minha caminhada, senti vontade de compartilhá-la. Não exige crença e me pareceu absolutamente coerente).

Cristo é você! A sua essência! A centelha sagrada que mora em seu coração. O nascimento de Cristo, comemorado no natal, celebra o nascimento da essência do seu Ser em você. Jesus foi apenas uma manifestação de Cristo e sua vida nos permite observar esse farol, esse rastro de luz, capaz de guiar esta caminhada na direção de si mesmo.

O natal vem nos revelar esse nascimento oculto, que não acontece fora de nós, mas dentro. Vem também nos questionar se estamos abrindo espaço e oferecendo luz a este nascimento. Se estamos entregando nossa essência à luz de nossos dias. Ou se a estamos abandonando no escuro de nossas almas. Temos nos lembrado de Cristo? Temos nos lembrado do que somos? Daquilo que nos faz vibrar? Daquilo que nos faz brilhar?

O natal é a lembrança que nos tira do esquecimento de nós mesmos. Jesus é o exemplo humano desta lembrança. Exemplo humano, pois foi de carne, osso e sangue, por mais divino que tenha se expressado. Foi alguém que viveu a verdade. É como se a vida Dele nos questionasse “qual é a sua verdade?”

Qual é o SEU sentimento? Qual é o SEU pensamento? Quem em você é você?

Estamos tão misturados àquilo que não somos nós, que se torna difícil reconhecer a verdade em nós.

No final do ano precisamos nos deixar tocar por este sino. O tempo tem passado. O ano passou…

O natal é um chamado para nascer. 

Feliz nascimento! Feliz natal!

sábado, 26 de dezembro de 2015

Uma presença presente ainda

Dia 7 de dezembro, data que meu pai faleceu, comecei a escrever um texto sobre ele. Terminei só ontem, no dia do natal:

Faz 6 anos. Não foi uma perda, ele permanece comigo e através de mim. Se hoje tenho 6 anos sem ele, tive 30 ao seu lado, admirando, aprendendo, amando e sendo amada. 

Nós éramos muito próximos,  eu o acompanhava nos compromissos profissionais e pessoais. Tão próximos que isso preencheu meu coração. Sou capaz de senti-lo ainda hoje. Minha irmã Andreza também era muito presente, talvez ainda mais que eu. Mas havia uma diferença, eu e ele partilhávamos a mesma paixão pela educação, ela era apaixonada por ele...❤️

Bom, não era difícil apaixonar-se por ele, por onde passava deixava corações no olhar das pessoas. E nos ouvidos também. Porque além da beleza do seu ser havia a beleza da sua fala, de seu pensamento. Beleza que compreendi completamente. 

Meu pai foi um homem presente e sua presença vibrava em volta, atingia quem estivesse por perto. Foi um religioso, ex-padre, parte da vida dele foi dedicada completamente à espiritualidade. Mas talvez seja injusto dizer "parte" e mais coerente dizer "toda" a sua vida, pois mesmo quando deixou de ser padre ele ainda estava caminhando na direção de seu espírito e de seu coração, buscando a própria verdade e explorando a sua capacidade de espalhar amor e sabedoria por onde passasse. Assim foi até o seu último suspiro. 

Meu pai amava a vida e encontrou sua própria forma de imortalidade: as filhas e o trabalho. Ele vive em cada uma de nós (eu, Andreza e Adelita). Através de nós ele continua sua caminhada em direção ao espírito do mundo, em direção à verdade da vida, pois levamos seu sangue e seu legado em nossos corpos. 

Além disso há a vida que pulsa no trabalho educacional que ele iniciou, que ele sonhou, e que eu honro, por ser este trabalho também o meu próprio sonho e a expressão do meu ser. 

Uma ausência repleta de presença, uma morte cheia de vida: a do meu pai. Muito oportuno lembrar dele não na data que ele morreu, mas no dia que Cristo nasceu. 🙏🏻❤️

(Foto gentilmente cedida pela Katia Rocha, tirada em uma de suas palestras)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Pai aprendiz, pai ensinador

Meu pai era um homem "antigo" e conservador, criado no colégio interno, com formação religiosa católica, foi padre e seu histórico de vida justificava esse jeito de ser tradicional. Mas então vieram as filhas (eu e minhas irmãs) e toda a renovação que os filhos trazem à vida dos adultos. Ele ouvia, dava carinho, amava, ponderava. Mas "ouvir" era uma ação que acontecia integralmente. Ele, realmente, levava em consideração o que dizíamos, como pensávamos e que ideias nasciam de nós. 

Esta foto é uma recordação de 2007. Após ficar inspirada por um filme sobre os "Doutores da Alegria" falei para o meu pai que precisávamos fazer uma "palhaçada" com os alunos, colocando mais alegria no dia deles. Meu pai topou na hora, ele sempre topava quebrar os protocolos por propósitos que valessem a pena. Então, fomos, assim, com nariz de palhaço, visitar as salas de aula, falar um pouco sobre serviço, sobre servir (no caso estávamos servindo água, apenas como pretexto), sobre dignidade, alegria e amor. 
Meu pai era um parceiro incrível! Como ninguém, ele sabia descer de sua enorme sabedoria para ser um aprendiz e, humildemente, aprender algo comigo. Um de seus maiores legados foi me ensinar, com seu exemplo, que jamais aprendemos tudo, há sempre o que se enriquecer com outro ser humano. 
Aprendi muito com ele, sobretudo, aprendi que poderei aprender sempre!

domingo, 15 de novembro de 2015

Jornada

Viver é uma jornada, às vezes estamos seguindo, às vezes somos seguidos, nunca estamos sós, mesmo quando as pedras são tudo que vemos. Para atravessar os rios são justamente as pedras que nos levam à outra margem. Pelos caminhos elas podem atrapalhar os passos convertendo-os em tropeços, no entanto são só passagens. Mais uma entre tantas que tivemos, entre tantas que teremos. Vida que segue, jornada que renasce. 

(Foto da Chapada do Veadeiros)

Admirando e aprendendo

Faz um minutinho que encontrei esta foto na internet (no blog do Barro, que se você não sabe o que é pode procurar ou me perguntar) e a legenda era algo como "Parece um editorial de moda, mas é só Adelita, Guto e Amora se divertindo em um dia normal", não era bem isso, mas isso também vale. Fiquei com vontade de publicar porque achei a foto linda. Porque mesmo tendo trabalhado com educação a vida toda eu continuo me achando uma aprendiz. Aprendo com a experiência da maternidade vivida intensamente por minha irmã e sei que isso me faz uma educadora mais potente, mais consciente, que respeita e conhece mais as opções que o senso comum oculta. Tem tantas formas de educar, de ser mãe e pai, tem, provavelmente, um jeito só seu. E eu, que ainda não tenho filhos, vou descobrindo com o olhar (e com o coração) a mãe que eu poderia ser, presenciando essa mãe que admiro tanto. ❤️ @adelitaahmad

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O valor da empatia

Quando era adolescente li uma entrevista de Amós Oz respondendo sobre o que levava alguém a ser um terrorista e ele respondeu "falta de imaginação" para espanto da reportagem. Mas ele continuou "falta da capacidade de se imaginar no lugar do outro". Quem não se coloca no lugar do que sofre, do agredido, do que morre, tem menos resistência em fazer sofrer, agredir ou matar. Essa foi uma das experiências que levei para minha vida como educadora, como talvez a capacidade mais nobre e central a ser alcançada por um aluno e um objetivo importante para a educação: a capacidade de se colocar no lugar do outro. Mais recentemente fiquei encantada com a proposta e o estudo sobre empatia de
 Roman Krznaric, ou mesmo de Humberto Maturana, de Marshall Rosenberg (da CNV) e do querido Dominic Barter entre tantos outros que abordam a relevância do tema. 
Agora, orgulhosamente, soube que a Co.R, da minha querida amiga Rita Almeida se atentou para isso, oferecendo um novo olhar para o relacionamento do marketing de grandes marcas com os clientes. A empatia está para o nosso tempo como um valor necessário não só à sobrevivência dos seres, mas das empresas também. 



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nunca se repete

Tenho essa mania de fotografar o céu. Como se fosse possível registrar a beleza pura que um olhar ou uma fotografia não repetem. Eu não desisto da tentativa...
O cinza das cidades não interrompe a "eterna novidade" do mundo. O céu nunca se repete. Olhando de perto, nós também não. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O feminino em mim


Estas são as reverberações do feminino em mim, 
"Como um eco que sem querer ressoa"(Drexler)
Uma origem e um destino,
Uma partida e um caminho,
Um deixar-se e um vir-a-ser:
Mãe, filha, irmã
Aspectos da deusa, mãe divina,
Que habita todas as mulheres
Aquela que tem útero
De onde a vida brota
E faz continuidade
E faz eternidade
Para a matéria mortal. 
"Eu recebi essas flores, beleza que não tem igual..." (Prem Baba)
Estas são as flores que recebi no jardim da minha vida. A primeira flor foi minha mãe, eu a recebi como mãe, enquanto eu me tornava sua primeira filha. Ela foi meu portal de nascimento neste mundo, fiquei em seu colo interno durante meses e passei pelo vão do seu corpo para tornar-me eu: Aline. Uma travessia que em uma esfera mais ampla ainda continua.  Depois, ainda muita pequena, meu reinado acabou. A chegada das minhas irmãs dilacerou meu ego, moeu meu sentimento e, ao mesmo tempo, fez brilhar a minha vida para sempre. Eu recebi duas raras e femininas flores. Um jardim sagrado se compunha em minha vida. Não poderia jamais ser tão feliz e tão eu sem elas. Elas são a mais pura e real alegria da minha infância. Nem sempre estive consciente desta dádiva, nem sempre... Mas hoje estou! 
Quanta beleza e amor neste jardim!
Quanta gratidão por estar entre vocês!
E mais uma flor chegou, há quase 2 anos e outra se prepara para chegar no mesmo ventre mais jovem das irmãs: uma mãe que tem revelado a verdadeira riqueza da maternidade nesta familia: Adelita. Uma mãe que nasceu da minha mãe e que contém muitos pedaços meus, sangue, cor, pele. 
Minha mãe, rainha, Avanil, espero que você possa olhar seu jardim e ver as muitas reverberações e o florescimento do seu ser através de outros corpos. Somos pedaços seus! Obrigada por ter permitido esta existência, por ter nos escolhido como filhas e perpetuado esse império de mulheres na nossa família. Viva, você, mamãe! Viva! Viva!❤️❤️❤️
(Foto do almoço de dia das mães do ano passado, em breve a desse ano)
#SomosAhmad
Escrito em 10/05/2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Encontro com Humberto Maturana



Ontem foi dia de conhecer pessoalmente o biólogo e pensador chileno Humberto Maturana, que tem influenciado tantas áreas do pensamento e da sociedade com suas ideias. 
(Fiz muitos snaps, olha lá: 👻ahmadaline)

"O amor faz parte da história dos seres vivos, pois foi a condição para a vida". 

"A linguagem não nos atrapalha, a não ser que desejemos possuir a verdade". 

Quando perguntado sobre qual a origem do rompimento com o amor na humanidade:

"O amor se rompeu de nós quando rompemos a coerência com o mundo natural".
(Em algum momento passamos a usar a linguagem para explicar, forjar, mentir, enganar, esta falta de coerência com a natureza, com a nossa natureza, causou [e causa] o rompimento do vínculo com o amor em nossas vidas)

"O amor é a síntese do desejo de convivência"

"Às vezes negamos o outro e construímos teorias de negação do amar".

"Expectativas nunca se cumprem. Nem as próprias, nem as dos outros. Sabendo disso nos tornamos livres".

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sexualidade

(Texto lúcido de Wesley Aragão)

A origem da palavra sexo é seccionar, cortar. O que foi cortado ?

No Banquete, Platão fala sobre amor ; Diotima, sacerdotiza de Afrodite, vai ensinando os filósofos os segredos e mistérios do amor. Essa é uma concepção platônica da humanidade que originalmente era andrógina.

Segundo ela, os deuses resolveram neutralizar o poder e a felicidade desses seres que, depois de seccionados, começaram a ansiar muito um pelo outro. É Eros quem vem para reunir as partes separadas.

Sexo é religião – cada vez que se faz sexo está se religando. Em várias culturas diferentes, percebeu-se essa relação, o sexo era uma coisa sagrada.

No mito de Kali, na Índia e nas celebrações celtas cujas orgias celebravam o ato criativo, observa-se a sacralidade do sexo.

Na época romana o sexo foi desvinculado da religiosidade, porque, até a época dos gregos, beleza e divindade caminhavam juntas – o cheirar e o comer era belo. As orgias romanas eram uma avacalhação geral. Agostinho foi um dos que tentou resguardar a alma dessa dessacralização.

O movimento cristão vem tentar purificar essa degradação romana. Já na idade média, o sexo e tudo o que estava interligado a ele virou profano, diabólico. A mulher, assim como o prazer nesse patriarcado virou culpado, reprimido.

A religião virou renúncia e ascetismo, saída e condenação do mundo : a clausura ; tentação versus salvação e misoginia, horror da mulher.

Portanto o sexo que na antiguidade era sagrado, agora virou pecado.

A renascença veio abalar a mentalidade medieval. A relação homem/mulher e o casamento estavam ligados a propriedade e ciúmes.

Rudolf Steiner fala de diferenciação das almas :  na época grega a “alma do intelecto ”, na época medieval a “alma do sentimento”, e na época moderna, a “alma da consciência”. Foi Kant quem primeiro falou de auto consciência, esta é uma percepção interna recente, onde cada um é ligado à si próprio.

Steiner propõe que, para cada um ser si mesmo, devia-se partir para o individualismo ético em lugar do egoísmo – o judeu herege foi Jesus e o maior herege indú foi Buda.

O toque é o elemento básico da sensualidade. A hipersexualidade da época  atual é justamente por uma hiposensualidade, ou em outras palavras, uma cultura com muita falta de toque, tato.

A concepção evolutiva da antroposofia se distingue da ciência oficial que crê na descendência do animal ; em um sentido, quanto mais para traz na evolução, mais espiritual e não animal .

Para que serve o sexo ? Reprodução, prazer, afeto, espiritualidade .

Existe uma relação direta entre a insatisfação afetiva, de toque, e as formas de câncer, em mulheres ,mais comuns o da mama e colo de útero, e nos homens, de pulmão e próstata .

Individual é uma coisa que não se divide. Uma das maiores coisas esquisofrênicas é puxar o espiritual para um lado e o sensual para o outro.

A “alma da consciência” exige que façamos escolhas livres e harmônicas com o si mesmo – pressupõe auto conhecimento.

Nos antigos mistérios existia o processo de iniciação que começava pela Katarsis, seguia para a Katabasis ( encontro com o sósia ), e terminava com a Anabasis ( encontro com Deus ).

Quando se tem uma proposta espiritual na vida, a primeira coisa que se tem que perder é a contradição entre as coisas .

São apenas aspectos diferentes da vida.

As pessoas tem que ser o que elas são verdadeiramente. Não é a sexualidade que é sombria, é o ser humano que tem um aspecto sombrio que pode mais facilmente se expressar na sexualidade.

A humanidade ainda não sabe amar. Quanto mais humanos nos tornamos, mais capazes de amar nós somos.

sábado, 22 de agosto de 2015

Uma prática em CNV - Comunicação Não-Violenta

Estou há algum tempo buscando expressar o que aconteceu. 
Estou há algum tempo tentando conceber algo que sempre acontece, ou algo que poderia acontecer sempre, ou que acontece quando escolhemos que aconteça. 

Estive em um grupo de pessoas, durante um dia todo, e uma noite que o antecedeu, respeitando uma lógica que não respeitava a lógica comum, mas a convivência capaz de tornar comum um outro ser humano que a princípio seria incomum, diferente, e por isso um excluído de meu convívio. Ou por ser criança, ou por ter outra classe social, ou por ter uma formação diversa, ou por não ter formação alguma, ou por ter dinheiro demais, ou de menos, ou nenhum… A lógica do não-julgamento, da não-violência, da não-ignorância. 

Pausa. Neste momento procuro pela etimologia da palavra "ignorância". Encontro um dicionário em outro cômodo da casa. "Consto", como diria Dominic *, para dizer "constato", o quanto a linguagem e a forma me contagiam. Pois passo a escrever conforme as pessoas que leio, ou ouço. Escuto em minha mente uma outra voz, como se ele articulasse minhas palavras e respeito esse processo meu de reproduzir uma mensagem, que é minha, mas que escolhe a forma de uma outra pessoa por estar por demais embevecida, banhada, influenciada por ela. Vejo que alguns formatos de minha linguagem são misturas daquilo que ouvi e ouço do mundo, e não só de Dominic, e volto para a palavra "ignorância" cujo significado etimológico é "não saber, não conhecer". Ou seja, aquele a quem chamamos "você é um ignorante!", quando queremos dizer "você é um grosso" ou "grosseiro", estamos na verdade emitindo o que, muito provavelmente, é uma verdade. Isto é, talvez "você", este nosso interlocutor de que falamos, seja apenas alguém que não sabe, ou não conhece. Ainda não podemos julgar se a si mesmo, ao outro, ou ao mundo todo. Mas apenas alguém que não sabe ou conhece as mesmas coisas que nós e isso não deve diminuí-lo, ou desumanizá-lo, na mesma medida em que ele nos diminui ou desumaniza. Não só porque temos um conhecimento que ele não tem, mas porque ele também tem um conhecimento que não temos. Mesmo que ainda não tenha, ele mesmo, entrado em contato com este conhecimento, ele é a única ponte que temos para conhecê-lo, para adentrá-lo, como um explorador que busca um tesouro em uma gruta escura e que, `a medida que avança, pode perceber lampejos e brilhos das preciosidades que ainda não podem ser vistas. 

Comunicação não-violenta é desejar e buscar o tesouro "violentamente", `a todo custo. É se empenhar para que esse encontro seja possível, sobretudo com aqueles a quem consideramos ignorantes, grosseiros, quando na verdade são apenas uma outra pessoa, um ser, que sabe outras coisas, não as nossas mesmas coisas, e que por essa divergência parece muito diferente, mas guarda inumeráveis semelhanças com aquilo que somos mais profundamente. Comunicação não-violenta talvez seja a busca dessas semelhanças, uma exploração de algo que difere de nós na esperança do encontro daquilo que nos espelha. 

Então me recordo do trecho de uma canção de Caetano:
"Narciso acha feio o que não é espelho". 

Que possamos ver beleza, achar belo, o que não é espelho, o que é apenas humano. Que possamos chegar onde esta humanidade ainda sobrevive intacta como um tesouro intocado e valioso, repleto dos nossos próprios valores, os mesmos valores. 
…………………..
*Dominic Barter, o facilitador do workshop de CNV - Comunicação Não-Violenta, é inglês, mas fala fluentemente português, até com uma certa beleza e sofisticação de linguagem, talvez o neologismo faça parte disso. 😉

Como chegamos ao consumismo que nos consome?


Esse vídeo me toca porque representa a cultura ao nosso redor, aquilo com o que compactuo de forma inconsciente... É uma porta para reflexão e abertura de consciência a respeito desse consumismo louco. Você já se perguntou se isso está certo? Se faz mesmo bem para você? Tenho me perguntado cada vez mais e torço para que as respostas sejam encontradas antes que o planeta seja ainda mais destruído. 
Onde (e quando!) vamos parar?

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Louis Lavelle


Estou fascinada com o livro "O erro de Narciso" de Louis Lavelle, filósofo do qual nunca tinha ouvido falar. Sinto-me grata por ter me deparado com esta bela edição da Realizações Editora. 

"O próprio da sinceridade é obrigar-me a ser eu mesmo, isto é, tornar-me eu mesmo o que sou. Ela é uma busca da minha própria essência, que começa a se adulterar quando tomo do exterior os motivos que me fazem agir. Pois essa essência nunca é um objeto que contemplo, mas uma obra que realizo, o emprego de certos poderes que estão em mim e que murcham se deixo de exercê-los".

domingo, 2 de agosto de 2015

Amor



Amor é uma palavra rara. Não importa quantas vezes seja dita. A palavra se realiza no ato, não no verbo. É o ato de amar que faz a palavra amor ser provável, existível, "vivível mas não achável". Que é o mesmo que dizer "capaz de ser vivido, mas não de ser encontrado". Se alguém disser que encontrou o amor, foi porque o viveu, ou viu alguém que o vive e que, por isso, ama. 
Eu já vi. O amor puro. Não porque estava conscientemente em busca, porque mesmo a busca consciente não ajuda tanto,  mas há o propósito da alma, a alma está destinada a esse fim: o amor, e a minha foi arrebatada com este encontro. Eu olhei para o amor e ele tinha braços, pele, pernas,  olhos e sorriso de gente. E ele amava tudo ao seu redor, até eu mesma. Ser verdadeiramente amado é uma parte da libertação, é um passo na caminhada de amar, embora seja um trajeto misterioso e escuro a quase todos que vivem nesta Terra. 
O amor eleva a alma a estados superiores, é uma morte em vida. A morte do "eu", do "meu", do ego. E a possibilidade de visão do que é real. Como ouvi ontem "o mundo não é um shopping center" embora muitos pensem que seja só isso "não viemos aqui só para comprar, casar, ter filhos e morrer". Ou você acredita nisso também? Viemos aqui por diversão, então? O problema é que essas "diversões" são fantasias que não preenchem por muito tempo. Por isso queremos sempre mais e mais e mais... Com isso como fica o planeta? É possível conseguir atender tantos desejos? Falo debaixo, de todos meus desejos, e não de cima. Falo de dentro de todo meu ego, minha prisão ilusória. Falo apenas. Não busco o amor, basta que minha alma o busque. E uma sabedoria me diz que é meu destino vivê-lo, mesmo sem encontrá-lo. Enquanto isso reverencio quem já o vive. Quem pode ser o próprio amor. Reverencio com todo amor e devoção que me é possível. 
(Mas não deixa de ser curioso que a palavra esteja exposta justamente em frente e um shopping center)

sábado, 1 de agosto de 2015

Mudar o mundo. Que mundo?

Um comentário a um amigo desanimado com a "ignorância" de sua timeline no Facebook:
"Entendo completamente suas palavras e acredito que alguns desses amigos são os mesmos. Mas acredito ainda mais que esses amigos também somos nós, infelizmente. Uma parte nossa é assim já que são "nossos amigos" mesmo que só no Facebook. Acho que a revolução precisa acontecer na gente, dentro do coração e quando ela acontece de verdade ela há de pegar esses amigos e todos. Se eles ainda não compreendem, ou não foram 'pegos' é porque temos ainda muito a fazer e a mudar. Isso não devia nos desanimar. Se a nossa paixão é empreender, fazer o que amamos, influenciar pessoas, mudar o mundo, que possamos nos motivar porque existe muito mundo (e muita gente) a ser mudado e mudada. Mas precisamos começar por nós mesmos, um pouquinho a cada dia. E a mudança acontecerá. Sempre. 
'Que possamos ser a mudança que queremos ver no mundo'. "🌸😉

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Imagem e mil palavras

"Nós nos amamos muito e amamos a filha que criamos juntos. Temos uma moto e nossos corpos para apoiar a bicicleta que acabamos de comprar, com todo amor, para o aniversário de 10 anos da nossa herdeira. Em um dia distante, esperamos, ela herdará de nós não a bicicleta, tão pouco a moto, mas o amor, esse que nos incendeia de vontade de fazer o outro feliz. E a nossa alegria, não em comprar a bicicleta, nem em trazê-la, mas em vê-la aprender a andar, caindo, levantando e sorrindo com a conquista de superar sempre um pouco mais a si mesma".
(Tudo isso enxerguei quando fotografei esta cena)

terça-feira, 28 de julho de 2015

O herói de mil faces - Joseph Campbell

Somos bombardeados o tempo todo com tantas incríveis informações.
Resolvi há algum tempo compartilhar no blog não só que escrevo, mas também o que leio, o que vejo, o que me interpela e me provoca.
Artifício também de colecionadora. Diante de tantas belezas que a internet dispõe, aqui vão ficar as minhas escolhas. Uma curadoria do que vejo de mais interessante.

Como um exemplo este vídeo:




Infelizmente só encontrei sem legendas mas achei um incrível resumo sobre o estudo de Joseph Campbell, acerca da "Jornada do Herói"

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Amar em 4 letras

Um "eu te amo" calado. 
Amar é estar atento. É ter duas cores do olhar, uma que diz sem palavras, outra que cala e acolhe. 
Amar não são 4 letras, nem 4 atitudes. Amar são 4 silêncios, 4 intervalos de vida (em que cabem a vida toda), 4 suspiros, 4 pulsações cardíacas. Nesse espaço de apenas 4 tempos é possível amar e ser amado, para sempre. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Três minutos

Escrito por um amigo muito lúcido acerca da diminuição do limite de velocidade nas Marginais em São Paulo:
"Três minutos. 
Estamos todos correndo demais. Correndo com tudo, como se fosse necessário sempre correr. Cada dia mais intolerantes com a espera, perdendo a paciência com facilidade, pensando pouco na importância de desacelerarmos esse ritmo inadequado que tomou conta de nossas vidas.
O grau de desconforto causado pela redução da velocidade nas marginais é um exemplo claro disso. 
Em qualquer trajeto que fizermos, em qualquer uma das pistas, levaremos, em média, 3 minutos a mais do que costumávamos, considerando-se um percurso de tráfego totalmente livre (coisa rara nas marginais). Se formos da ponte do Piqueri à Eusébio Matoso pela expressa, ou à Casa Verde pela local, em ambos os casos levaremos 3 minutos a mais do que levávamos antes.
Três minutos. Não mais do que isso. A não ser, claro, que as vias estejam entupidas, coisa que pouco depende de velocidade e, muito mais, da quantidade de veículos disputando um mesmo espaço. Aí, a espera vira aquela incógnita de sempre.
O que observo é que uma medida como essa, que "rouba" três preciosos minutos de nossa agitada vida, torna-se alvo de ataques aparentemente óbvios, dado o grau de insatisfação geral da nação com tudo e todos. "Esse governo, que já me mata com impostos, insegurança e falta de transporte público adequado, ainda quer restringir meu direito de chegar 3 minutos antes no meu destino?". 
Não era só pelos 20 centavos e, agora, certamente dirão que não é só pelos 3 minutos. Questiono, entretanto, se a queixa advém, verdadeiramente, de uma preocupação com o bem comum, defensável com argumentos lógicos, ou por mais uma reivindicação individualista e ranzinza de cidadãos que não admitem desacelerar um pouco e assumir que podem, sim, esperar 3 minutos pra chegar onde desejam caso queiram usufruir daquele espaço comum por onde outros cidadãos igualmente apressados também precisam passar, especialmente se a proposta é favorecer a segurança. 
Claro que, em nossa tradição paranoica, a medida é vista como uma manobra maquiavélica para arrecadação de multas. "Segurança? Que nada! Eles querem é dinheiro!". Confesso que o bom senso me faz pensar preferivelmente que não existe uma indústria das multas e, sim, uma indústria da desobediência, da pressa, da desatenção, do pezinho nervoso no acelerador que rende milhões de reais aos órgãos de trânsito. A regra é simples: obedeça à sinalização e você não será punido. 
Acredito que temos reivindicado muito e nos dedicado pouco, recusado a todo custo qualquer sacrifício ou esforço e ficado na condição de vítimas o tempo todo. Estamos tão irritados com tudo, que qualquer coisa que exija algum empenho do cidadão e coloque um novo limite é severamente rechaçado. Vide as ciclovias. Vide agora, essa redução de velocidade nas marginais. Vide os próximos capítulos dessa novela que é o progresso da mobilidade urbana em constante choque com os interesses individuais e setoriais.
Se você não concorda comigo, peço desculpas por tomar esses 3 minutos do seu tempo, que poderia ter sido melhor aproveitado fazendo um miojo. Apenas convido você a repensar seu ritmo de vida, as concessões que você aceita fazer ou o quão irritável fica o seu humor quando alguém lhe diz "não, você não pode ultrapassar este limite". Pense nisso. Sem pressa." (Cezar Siqueira)