sexta-feira, 26 de junho de 2015

Um pouco sobre liderança

Ontem fui em um jantar na casa do chefe do meu marido. Sou tão admiradora dele e da esposa! Gente tão "gente como a gente", moram em uma casa aconchegante, perto da natureza e o que eu mais gosto é a simplicidade deles. 
Ele tem uma equipe incrível com pessoas muito competentes, acredito que são os melhores da América Latina (no mínimo), meu marido entre eles. E o chefe vem e diz: "O que me deixa mais feliz com esta equipe é que vocês são muito melhores que eu, mas muito melhores, tenho orgulho de vocês, porque é assim que tem que ser mesmo"
Ele fala da equipe com admiração verdadeira. Um líder assim faz toda a diferença. Ele diz que só precisa soltar a rédea, deixá-los livres... E assim aprendi um pouquinho sobre liderança ontem. Foto da mesa do jantar. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Surpresa de amor

Todo dia é dia de grandes emoções no Colégio Nahim Ahmad. (Jamais subestime nossa capacidade de nos emocionar e emocionar os outros 😂). Rose é uma professora querida que completou 20 anos no colégio em fevereiro deste ano, quase este tempo todo trabalhando na alfabetização das crianças. Hoje, exatamente, ela completa 20 anos de casamento. Estávamos reunidas na escola (eu e algumas professoras) fazendo a nossa "Ciranda das Mulheres Sábias", um momento de relaxamento e autoconhecimento para todas nós, ao final, quando fazíamos nosso minuto de silêncio de olhos fechados, com a ajuda de algumas "anjinhos", o marido da Rose entrou com uma cesta de flores para ela, que por sensibilidade abriu os olhos antes de todas nós. Aproveitei para perguntar o que os manteve juntos por 20 anos e ele respondeu "o amor". Então quis saber o que ele mais gosta na Rose e ele disse "tudo". Foi muito especial e inspirador presenciar esse momento romântico do casal. Saímos do encontro todas preenchidas com este mesmo sentimento. 
Depois, conversando com a Rose por facebook, ela me disse que o colégio e o marido são dois casamentos de muito amor na vida dela. 
Para nós também, Rose, tenha certeza!
#SomosAhmad #AhmadApaixonadoPorVocê

Corrente do Bem

Felipe Ventura, esse rapaz de 24 anos é uma inspiração para os jovens do nosso Brasil. Sensibilizado com o Teleton, quando tinha apenas 8 anos, ele pediu aos pais para doar suas economias no banco da emissora que estava promovendo a campanha. Por uma série de coincidências a família foi confundida com uns amigos de Silvio Santos, que chegariam naquele horário, e foi parar nos bastidores da gravação. Quando esclareceram que o menino estava ali porque queria apenas doar o seu cofrinho de economias Hebe Camargo ouviu e quis levá-lo ao palco. Silvio Santos o entrevistou e fez um desafio "Felipe ano que vem você volta e me traz 2 cofrinhos?" No ano seguinte ele estava lá. Silvio pediu "ano que vem 3?" E assim acontece há 16 anos. No começo era uma contribuição de amigos e familiares apenas (esta contribuição continua e chegou a mais de 30 mil reais no ano passado), mas há 10 anos Felipe percebeu que poderia ir mais longe. Então ele passou a dedicar parte do seu tempo fazendo palestras pelo Brasil, deixando seus cofrinhos e arrecadando dinheiro para construção de hospitais e ajuda na manutenção das AACDs que existem no país. O projeto que ele começou com 14 anos se chama "Corrente do Bem", ano passado o valor arrecadado chegou a um milhão de reais. Por sorte, nossa aluna Ana Júlia, uma linda cadeirante, conheceu Felipe nos bastidores do Teleton e este ano o convidou para visitar o Colégio Nahim Ahmad e compartilhar a sua história com nossos alunos. Foi muito emocionante! 
Eu me sinto honrada por proporcionar aos nossos alunos a convivência com Ana Júlia (e também por proporcionar a ela a convivência conosco, afinal sabemos da dificuldade que essas crianças passam para serem aceitas em escolas e na sociedade como um todo) e também por eles terem como exemplo este jovem, uma chama de solidariedade capaz de trazer luz e fazer brilhar o que cada criança e adolescente tem de melhor. Entramos com tudo nesta campanha. Até semana que vem chegarão nossos cofres de arrecadação e até setembro queremos reunir nossos esforços para contribuir com o Teleton. 

CHE Guevara

Em uma venda de livros de um morador de rua, na calçada da Av. Paulista, ele nos mostrou este livro, no domingo passado. Conversamos tanto com ele que, quando eu disse que queria tirar uma foto da frase, ele me falou "é seu". Claro que não quis levar o livro de graça. Pagamos por ele. A frase linda é de #CheGuevara

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Quando estamos muito próximos

Quando estamos muito próximos, criamos fantasias, porque somos próximos, porque nos vemos, nos sentimos e sinto que você cabe em todas elas.

Quando não estamos próximos, criamos fantasias, porque estamos distantes, porque a distancia permite as fantasias e elas aumentam.

Quando estamos presentes, inteiros, completos, não criamos fantasias, vivemos, criamos a nossa história, sem expectativa do que poderia ser ou do que eu pensamos que seria, simplesmente com o que é. Você é. Eu sou. Somos. Juntos, presentes, criadores da nossa realidade. Então a realidade fica sendo nosso sonho. E o nosso sonho, que é viver essa doce realidade, a gente não sonha mais: vive.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O olhar da árvore



Ela estava tão sozinha diante desta linda vista que resolvemos oferecer nossa companhia e ela, aos nossos olhos, deixou a vista mais linda...

sábado, 23 de maio de 2015

Nascimento da vida e consciência de viver

 Ontem eu vivi uma das maiores emoções de toda a minha vida. Eu agradeço muito por fazer parte desta família que me permitiu entrar em contato com esse momento tão mágico, tão verdadeiro, que acontece todos os dias, mas que não nos damos conta: viver! Porque estar diante de um nascimento renova todos os nossos conceitos sobre o milagre de viver. Alguém nascer faz respirar em nós a nossa própria vida e vibrar na pele o respeito e amor por cada vida deste mundo, por cada pessoa que nasceu e vive, e por todas que viveram esta experiência [viver] e não estão mais aqui. Tive um vislumbre de consciência como se estivéssemos a maior parte do tempo dormindo, sem notar a riqueza e o milagre que é a vida. Recebi um sopro forte de "verdade" vindo de dentro do vidro, de uma criança absorvendo seu primeiro sopro e de todos em volta, cada um à sua maneira, sendo impactados por isso. 

A irmã do meu marido, Marília, deu à luz a sua primeira filha, minha segunda sobrinha. Ela teve todo o cuidado para que este momento fosse reservado e vivido intensamente por ela, seu marido, a equipe médica (que incluía sua prima Daniela e meu marido Paulo), ela estava um pouco avessa a expor este episódio a um grupo de pessoas assistindo ao vivo por um vidro, soava um pouco como uma "espetacularização" do nascimento, creio eu. Eu pensava da mesma forma, achava esquisito expor um momento tão íntimo. Mas da sala ao lado, onde aguardávamos o nascimento, recebemos a mensagem de que ela tinha liberado o vidro. Flora tinha acabado de nascer, de fora da sala vi aquela pequena criança ainda absorver suas primeiras frações de ar, todo seu corpo movimentar-se com este enorme desafio vivido pela primeira vez, vi meu marido emocionado chorando, tanto quanto eu, presenciando o "tornar-se mãe" de sua irmã mais nova. Vi os recém-pais tranquilos e tocados e a médica e prima segurando todas as pontas para não chorar junto com a família inteira. Do lado de fora os quatro avós não sabiam se riam, pulavam, choravam e faziam um pouco de tudo isso para verem um pouco mais, o que nem mesmo os olhos acreditavam serem capazes de ver. Os sentidos desacreditam que a vida existe. O coração pulsa no peito para provar que é verdade. 
Eu me senti um pouco mais viva, um pouco mais "pessoa", um pouco mais"gente" do que costumo ser, um pouco mais humana do que minhas distrações permitem...

Enquanto eu chorava e tirava fotos, nem sei como, a cortina se fechou. Todos saíram. Precisei de alguns longos minutos sozinha para chorar mais e sentir mais a emoção que eu deveria sentir em cada instante da vida. Fui tomada. 
Silenciei com os olhos fechados para estender, o máximo que pude, aquela sensação de presença e consciência que Deus me presenteou sentir. Fui arrebatada!
É exatamente a sensação que busco através da meditação: sentir-me viva, plena, completa, unida a tudo e a todos, mesmo aos que parecem dormir... 
A sensação de uma compreensão maior que demora a chegar: "Como não chorei assim antes? Como não vivo assim emocionada? Eu deveria me sentir assim o tempo todo. Então é isso que é estar vivo!"
E, sinceramente, como não me sinto assim o tempo todo, não é sempre que estou completamente viva e desperta, não é sempre. Mas agradeço por cada instante em que isso acontece!

Flora acabou de nascer e já começou a nos ensinar. ❤️

(Na foto: de perfil, meu marido Paulo e, no centro, a prima dele, e da mãe, vendo toda a família no vidro e sendo com maestria a médica responsável pelo parto. Mágico!)

Uma lição de vida (e amor!) no elevador

Em 23 de fevereiro de 2015:

Depois de um dia longo de tristeza com a perda de uma amiga querida, de muitos abraços em seus irmãos tão queridos quanto, da tentativa de dar algum consolo a sua mãe, de uma visita a minha mãe, eu cheguei na garagem de casa exausta. Do elevador saem um casal de senhores distintos, alegres, bonitos. Eles sorriem para mim e meu marido e a alegria deles nos invade. Entramos no elevador, ele segura a porta e ela pergunta se moramos no prédio. Dizemos que há 2 anos. Ela explica que nunca nos viu porque não usa muito o elevador pois mora no primeiro andar e emenda a pergunta: vocês estão casados há quanto tempo? Assim que respondemos o senhor nos diz: "estamos casados há 55 anos". 
Eu amo casais que estão juntos há bastante tempo, eles me trazem esperança e fé no amor, sempre que posso eu abordo e pergunto há quanto tempo estão juntos e em seguida lanço um "como faz?", adoro conversar com essas pessoas e ouvir como elas me respondem, dessa vez ele me disse: "Como faz? Eu acordo todos os dias, olho para ela, dou um beijo na boca e digo 'eu te amo', isso há 55 anos, todos os dias", ela ouvia sorrindo de orelha a orelha e os dois aparentavam muito mais jovens do que são. Aquela energia contagiou a gente de tal forma que eu abracei meu marido e desejei que possamos construir um relacionamento assim, verdadeiro, presente, amoroso, que seja um amor que possa se espalhar pelas pessoas, inspirar os mais jovens e nos ensinar a ser, cada vez mais, quem somos.

domingo, 17 de maio de 2015

Festa Infantil




Papai & mamãe da Amora, esse aniversário foi muito fofo!

Por muito tempo as famílias se acostumaram a fazer aniversários infantis em buffets com super produções que atendem mais a necessidade dos pais de se autoafirmarem do que a delicadeza da infância de ser só si mesma, com acolhimento e amor. As crianças precisam do lúdico, da imaginação, da criação para crescerem saudáveis e conectadas. Uma festa onde tudo está planejado (por adultos) e não há espaço para esta "criação", para a invenção da brincadeira como experimentação do mundo, não é uma festa infantil, pois a "brincadeira" mesmo, foi feita pelos adultos. Sobrou para a criança copiar, repetir, seguir o planejado. Assim agem os "monitores" dos buffets, propondo atividades o tempo todo para entreter os pequenos e despreocupar os pais. 

Hoje, na festinha de 2 anos da minha sobrinha, fiquei feliz em ver a "produção" amorosa dos pais, que receberam os convidados na casa dos avós. Conforme a festa foi enchendo de gente e crianças, Amora, minha sobrinha, diante do "agito" pegava a mão de seu amiguinho querido (no caso, Paulo, meu marido) e pedia: "vamos para a cabana". A cabana ficava do lado de fora da casa, em seu espaço aberto ela podia olhar para cima e ver o céu, andar em seu cavalinho e atravessar montanhas e florestas sem sair do lugar. 

Que possamos permitir à criança o sonho, a pureza de sonhar, antes de realizar o que ela jamais sonhou e que pode impedir que o sonho exista. 

sábado, 16 de maio de 2015

Livros e livrarias



Eu já contei uma vez que um dos passeios familiares que fazíamos muito na minha infância e adolescência eram idas ao shopping. Meu pai tinha muita paciência com suas 4 mulheres (minha mãe, eu e minhas duas irmãs) ele adorava nos esperar na livraria, conforme cada uma ia acabando o que queria fazer a livraria era nosso ponto de encontro para esticarmos em um jantar ou sorvete. Era comum que cada um de nós escolhesse um livro, meu pai lia às vezes mais de um por semana e sempre nos dizia que com livro não se faz economia. Até hoje acho tão gostoso visitar as livrarias no final das compras (ou durante, ou antes). Sempre pego vários para olhar e procuro comprar apenas um por vez, nem sempre consigo. Hoje comprei esse primeiro "Como ficar sozinho", uma indicação do Léo Fraiman, o autor das apostilas de autoconhecimento e projeto de vida que usamos no Colégio Nahim Ahmad. O segundo se chama "O brilho do bronze", do historiador Boris Fausto, que vai ser um dos convidados da Flip deste ano, a festa literária de Paraty. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Amor de irmãe



Acerca desta foto, postada por minha irmã no facebook, em que a seguro com amor e cuidado em seu aniversário, eu escrevi a ela:

Eu ainda não tenho filhos e não sei se terei mas você e Deza foram o vislumbre da maternidade em minha vida. Eu me senti um pouco "mãezinha" de vocês, embora não tivesse um pingo de maturidade para isso... Sei que fui muito cruel, mas também amei muito e ainda amo. E para sempre vou amar você e Deza (Andreza Ahmad) como as filhas de uma gestação no meu coração. 

domingo, 10 de maio de 2015

O dia das mães e a gratidão pelo feminino em mim



Estas são as reverberações do feminino em mim, 
"Como um eco que sem querer ressoa"(Drexler)
Uma origem e um destino,
Uma partida e um caminho,
Um deixar-se e um vir-a-ser:
Mãe, filha, irmã
Aspectos da deusa, mãe divina,
Que habita todas as mulheres
Aquela que tem útero
De onde a vida brota
E faz continuidade
E faz eternidade
Para a matéria mortal. 
"Eu recebi essas flores, beleza que não tem igual..." (Prem Baba)
Estas são as flores que recebi no jardim da minha vida. A primeira flor foi minha mãe, eu a recebi como mãe, enquanto eu me tornava sua primeira filha. Ela foi meu portal de nascimento neste mundo, fiquei em seu colo interno durante meses e passei pelo vão do seu corpo para tornar-me eu: Aline. Uma travessia que em uma esfera mais ampla ainda continua.  Depois, ainda muita pequena, meu reinado acabou. A chegada das minhas irmãs dilacerou meu ego, moeu meu sentimento e, ao mesmo tempo, fez brilhar a minha vida para sempre. Eu recebi duas raras e femininas flores. Um jardim sagrado se compunha em minha vida. Não poderia jamais ser tão feliz e tão eu sem elas. Elas são a mais pura e real alegria da minha infância. Nem sempre estive consciente desta dádiva, nem sempre... Mas hoje estou! 
Quanta beleza e amor neste jardim!
Quanta gratidão por estar entre vocês!
E mais uma flor chegou, há quase 2 anos e outra se prepara para chegar no mesmo ventre mais jovem das irmãs: uma mãe que tem revelado a verdadeira riqueza da maternidade nesta familia: Adelita. Uma mãe que nasceu da minha mãe e que contém muitos pedaços meus, sangue, cor, pele. 
Minha mãe, rainha, Avanil, espero que você possa olhar seu jardim e ver as muitas reverberações e o florescimento do seu ser através de outros corpos. Somos pedaços seus! Obrigada por ter permitido esta existência, por ter nos escolhido como filhas e perpetuado esse império de mulheres na nossa família. Viva, você, mamãe! Viva! Viva!❤️❤️❤️
(Foto do almoço de dia das mães do ano passado, em breve a desse ano)

terça-feira, 5 de maio de 2015

A vida é mágica

A vida é mágica. Chega um momento que você olha para o céu e percebe. Era a imagem que faltava para concluir. 

Tenho vivido dias de muito florescimento no trabalho, quero compartilhar com calma estas sementes, que são o processo natural da flor e do fruto do ser: lançar sementes!

Hoje conversei com vários alunos do colégio que me pediram esse contato individual e pessoal. Estou com uma listinha ainda para atender. Lembrei que quando eu era adolescente, na idade deles, eu sonhava em estudar psicologia e, embora não o tenha feito academicamente, eu me lancei por estudar por conta própria e, sobretudo, por me estudar, mais profundamente há uns 5 anos. As coisas foram clareando e passei a acreditar na minha sensibilidade e intuição. Eu não sou uma psicóloga, sou apenas um ser que quer ouvir, conhecer e acalmar, trazer alguma consciência e clareza a esses jovens. Eles me dizem que sentem isso de mim: paz, calma. Fui muito paciente até conquistar estes "pacientes" que me procuram espontaneamente para pedir ajuda. Eu só posso olhar para o céu e agradecer. Enquanto procuro curar a história deles tenho certeza que curo a minha: vertendo a frustração em sonho realizado, o vazio em preenchimento, o dom em ação. É tempo de colocar o amor em movimento!❤️❤️❤️

domingo, 3 de maio de 2015

Amortecedores de consciência

Por que tantos amigos (queridos) associam alegria, bem-estar, descanso e feriado ao consumo de bebida alcoólica? Pelo visto os publicitários das grandes marcas entram em nossas cabeças (na minha não nesse caso, mas quando se trata do consumo de moda eu preciso reconhecer que eu caio como uma patinha) e nos convencem sobre o que é felicidade. Até parece que a alegria cabe dentro de uma garrafa, e cabe mesmo, para os que acreditam nisso. 
Só queria trazer um pouco de consciência para olharmos nossos vícios e refletirmos se esta alegria é verdadeira ou se é uma fuga daquilo que não queremos sentir?(seja o que for)
Os vícios tampam os buracos das sensações com as quais não queremos ter contato. Podemos até fazer uso deles, mas propagar que isso é um bom jeito de se curtir o domingo, ou sábado, ou o feriado? Para mim parece uma atitude sem consciência, uma confissão de angústia. Estamos mudando os valores de lugar, não?
Não estou julgando como quem olha de fora, mas como quem olha de dentro, pois também tenho meus vícios e acho que também sinto vontade, às vezes, de propagá-los para confessar-me. Então questiono a você e a mim. Que orgulho é esse que sentimos quando amortecemos nosso sentir consumindo, bebendo, comprando?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sobre decepções

Acredito que ficamos apegadas a dor, a decepção poderia durar um segundo se estivéssemos na presença. Mas nossa mente viaja para o passado refazendo as situações que decepcionaram, a gente deixa de viver o presente e sofre. O presente, em geral, é muito belo e vivo. Só traz alegria o instante. Mas quando a mente revê o passado ou inventa o futuro ela não sabe ser tão perfeita como foi o universo para tecer a nossa história. O que é certo é que o sofrimento traz aprendizados, e aprendizados são presentes que, por enquanto, só sabemos aprender assim... Quando vem a gratidão de aprender a decepção passa. Vivemos exatamente o que precisamos viver para aprender o que precisamos aprender.  Se fosse diferente não aprenderíamos. E viemos aqui para isso, para nos curar de "desaprendizados" antigos. As oportunidades de cura estão aí mais fortes nestes momentos. (Assim acredito)
Se quiser conversar é só chamar. 
Beijos de luz e amor
😉🙏💕😘

domingo, 19 de abril de 2015

Reflexão

A͟͟m͟͟o͟͟r͟͟ e͟͟ s͟͟o͟͟f͟͟r͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟ s͟͟ão͟͟ p͟͟u͟͟r͟͟o͟͟ m͟͟e͟͟r͟͟e͟͟c͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟  
A͟͟l͟͟e͟͟g͟͟r͟͟i͟͟a͟͟ é v͟͟i͟͟v͟͟e͟͟r͟͟ c͟͟o͟͟m͟͟ c͟͟o͟͟n͟͟s͟͟c͟͟i͟͟ên͟͟c͟͟i͟͟a͟͟ e͟͟ c͟͟e͟͟l͟͟e͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ o͟͟s͟͟ m͟͟o͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟s͟͟

Sobre a beleza e a foto

A foto tirei no domingo de Páscoa, em Jacareí.
A beleza de um instante invade todos os instantes. 
A foto tem data, a beleza não. 
Foto é registro, beleza é acontecimento. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Partilha de ontem

Desde o ano passado eu tenho refletido sobre esse chamado de compartilhar, reunir e oferecer partilha, espalhar amor e conhecimento... Por isso ontem foi uma data especial, por que eu consegui realizar esse "dharma"(missão, verdade) que vem chegando à minha consciência, cada vez mais forte.

Meu pai, antes de casar, foi padre. Sinto que, mesmo depois de se desligar da igreja, ele tinha esse dharma de entusiasmar as pessoas que encontrava com seu otimismo, com sua fé e espiritualidade. 
O contato que tenho tido com o amor, na forma personificada de um mestre (Prem Baba) tem acendido a chama deste mesmo dharma em mim. Senti que o dharma também pode ser herdado, pode ser uma realização da família. Poder reunir pessoas e falar um pouquinho sobre isso, na forma da experiência vivida na Índia, é a realização deste dharma, é a realização da minha natureza, da minha verdade. Eu agradeço à cada olhar e à cada coração que estava lá comigo, celebrando a união, a sabedoria e o amor. Unidos podemos fazer muito! E há tanto a ser feito neste planeta. Cada pessoa tem tanta luz... Precisamos acender essas chamas!

Na vida corrida que levamos é muito difícil conseguirmos respirar, parar um instante e olhar para dentro. Tudo nos distrai e o nosso coração fica um pouquinho (ou muito) de lado. A proposta do encontro foi um pouco esta também: olhar para dentro. Sendo assim dá ensejo a outras reuniões. 
Espero que no próximo encontro todos que se sentirem chamados possam participar. 💗



domingo, 12 de abril de 2015

A metáfora do "Cinquenta Tons de Cinza"

Tenho ainda muito a contar sobre a Índia, um país de assuntos inesgotáveis para mim, até porque se confunde com o país que eu mesma sou, sob a superfície de pele do meu corpo, com tudo que há por dentro dele, não fisicamente, mas os tecidos psíquicos, emocionais e espirituais que me preenchem. Talvez eu não os tenham escrito `a toa assim no plural, somente uma alusão aos inúmeros habitantes deste país chamado "eu".

Esse preâmbulo é só para justificar que vou mudar levemente de assunto para escrever sobre algo que ficou comigo. Antes da viagem fui assistir ao filme "Cinquenta tons de cinza". Eu viajei pensando que precisava escrever sobre ele e sabia que só teria tempo na minha volta. Não li o livro, falo apenas do filme, mas sobretudo da história, que me parece ser a mesma, até porque cinematograficamente pode não ser um filme com a sensibilidade da arte em sua expressão e linguagem. Este seria um assunto para outro texto, porque embora eu não seja uma especialista, eu admiro o cinema como arte e linguagem, meus olhos ficam preenchidos e encantados quando o diretor escolhe contar uma história por um viés novo, quando ele mistura a história a ser contada com o tipo de enquadramento, com as cores da direção de fotografia, com a música ou ausência dela… Enfim, não foi um filme que fez com que eu me apegasse a esses detalhes, mas a história me toca porque é uma história de amor, embora tenha toda essa embalagem "sexual". Sinto vontade de escrever sobre ele pelas críticas de que foi um filme fútil e bobo, ou de que valoriza a violência contra a mulher, ou de que é vulgar. O problema é que a maioria de nós leva uma vida bastante fútil, convive com pessoas (ou é a própria) que maltratam a mulher, seja com preconceito (no trânsito, no trabalho, na vida doméstica), seja com violência verbal ou física. Essa "guerra" de desrespeito com o "feminino" é muito mais vigente no "mundo real" do que no filme e isso se exprime muito nos relacionamentos afetivos. Então achei pertinente aproveitar o ensejo do filme para olharmos a nós mesmos, deixarmos o julgamento do filme um pouco de lado para esvaziados disso podermos ser mais transparentes com nossas próprias mazelas e violências reprimidas no nosso sentimento ou memória. Eu e diversas amigas fomos muito mais maltratadas em diversos relacionamentos "amorosos" que tivemos do que a personagem "Anastassia". Porque o "sadomasoquismo" não é só um modelo de relação sexual. O "sadomasoquismo" é o principal modelo de relação afetiva que permeia a maioria dos relacionamentos. Há sempre um "agressor", no casal, a figura que domina, que manda. E há um "dominado", uma vítima que cede, que atende e aguenta tudo, para que ela possa se queixar e lamentar eternamente. Pode ser que esses papéis até se invertam eventualmente, mas se formos detalhistas e sensíveis poderemos encontrar esses perfis em nossos próprios relacionamentos e em todos os relacionamentos a nossa volta. Veremos também o prazer que um sente em humilhar, mas também o prazer que o outro sente em ser humilhado, por mais que seja difícil reconhecer. Esse jogo de violência velada é tão comum que a sociedade se acostumou a chamar isso de "amor", de "relacionamento amoroso", de namoro, de casamento. Esta não é uma teoria minha, a psicologia está cansada de saber disso. Sempre comento que tenho aprendido demais com meu mestre Sri Prem Baba, ele tem inúmeros satsangs (uma espécie de palestra em que os textos são redigidos e ficam disponíveis em seu site) que falam sobre isso. Como este a seguir que comenta sobre onde podemos perceber o sadomasoquismo nos relacionamentos:

"Na necessidade de controlar o outro; na dependência ou na codependência que você tem do outro. Na necessidade de que o outro sofra para que você se sinta seguro; necessidade do outro estar por baixo, para você se sentir por cima; de ver defeitos no outro, para você sentir que tem alguma virtude. Essas são formas de exercer poder sobre o outro. São formas de eternizar o jogo do sadomasoquismo. (…) Ora você é o sádico, ora você é o masoquista. Esses papéis se alternam na relação - às vezes, dentro de um minuto, dentro de uma hora, semanas, meses ou mais.
Se você está no papel do masoquista, você se sente uma vítima indefesa da maldade do outro. Se você está identificado com o sádico, você vai agredir ao outro com o seu falso poder. Existe um abuso de poder. O sádico humilha o outro para exercer poder; e o masoquista se sente humilhado para obter poder. Você tenta mostrar para o outro, o quanto ele está sendo cruel com você; o quanto ele é responsável pela sua infelicidade. É sempre um jogo de acusações, e nesse jogo a energia é consumida. Nesse jogo, você vai se esquecendo cada vez mais da sua identidade, e vai fortalecendo cada vez mais a identificação com a criança que precisa ser amada, reconhecida e considerada."
Esses mecanismos podem ser observados, porém para explicá-los preciso me apegar ao que acredito e tenho aplicado `a minha própria experiência de autoconhecimento. Portanto é uma veracidade que tenho vivenciado em mim. A raiz está na infância, em nossos relacionamentos com as pessoas que participaram da nossa criação e que contribuíram para a nossa conclusão de mundo. Ali se instalaram "crenças" e as crenças foram tomadas como verdade. Ali estabelecemos o que é um relacionamento; as maneiras de manipular o poder; como se comporta uma mulher; como se comporta um homem em uma relação; ou na forma invertida; como nunca devemos nos comportar. 

Voltando um pouco ao ponto do filme, o que também me interessa é o sucesso que ele fez. Eu sou uma escritora, isto está gravado na minha vocação, mesmo que nenhum livro meu tenha (ainda, por enquanto) sido publicado. Eu me comunico na forma escrita com o coração nos dedos. Mesmo que o livro não seja sucesso de crítica – eu sei bem o que é beleza literária e reconheço que provavelmente eu não a encontre no livro – admiro quando alguém escreve e faz uma multidão se identificar. Foi, evidentemente, um fenômeno! O que o fez ter este sucesso todo? Na minha opinião foi a riqueza dos personagens principais, ela uma mulher comum, que poderia ser qualquer leitora ou espectadora, sem nenhuma qualidade de beleza, riqueza, ou inteligência muito além da média (por favor não analise a ordem das qualidades que descrevi pois pode acabar descobrindo demais sobre as crenças desta que escreve),  enquanto que ele é um príncipe moderno: lindo, rico e inteligente. Ao personagem "Grey"  podemos acrescentar a característica tão perseguida nos dias de hoje: "bem-sucedido". Mas com tanta perfeição ele poderia se tornar "chato", "tedioso", "boring", como se diria em inglês (um termo que uso por expressar melhor, ao meu ver, sonoricamente, o que procuro dizer). Os príncipes dos contos de fada só duram até a infância, cada vez menor, aliás, as crianças são precoces. Logo as mulheres se interessam pelos "cafas", "bad boys", então a autora de "Cinquenta Tons" foi capaz de fazer este príncipe, que é um "gentleman", cavalheiro, carinhoso, educado, ter esta "pimenta" agressiva. Foi a combinação perfeita para satisfazer o desejo feminino pelo masculino. Grey tem uma doçura, mas a sua virilidade fica intacta pelo apelo sexual que se estabelece entre os personagens. Anastassia realiza suas fantasias sexuais, mas ele realiza todos os sonhos de romance encantado da maioria das mulheres. Como chamar este romance de violento se ele a trata como a maioria das mulheres jamais foi tratada? Ou então não se ouviriam suspiros no cinema. O que acontece no quarto reservado (no filme) é combinado por contrato, com antecedência. Não acontece o mesmo quando um homem trai a confiança de uma mulher, quando a rejeita, ou a trata com descaso, na vida cotidiana, no passar dos dias, diante dos amigos ou na presença-ausente de uma companhia que não existe, e isso vale também ao contrário. Há mulheres que fazem o mesmo, porém ouvimos menos estas histórias, pois os homens não estão tão acostumados a contar as decepções que vivem e sentem. 

Enfim, recomendo o filme, que seja visto pelos homens com esta atenção: o que nele encanta tanto as mulheres? Garanto que não é o chicote, mas pode também ser, em alguns casos. Por que não conversar sobre sexo e intimidade com seus pares?

E que seja visto pelas mulheres, para que se alimente o sonho, daquelas que o tiverem, e para que se reconheça a metáfora. Afinal, o sadomasoquismo, entre quatro paredes, é apenas uma metáfora dos relacionamentos que vivemos o tempo todo, porém com muito menos consciência e, muitas vezes, com muito mais violência e desrespeito pelo outro.

Minha irmã

Há as irmandades de sangue, mas não é só isso. Esta é uma irmandade de alma, um vínculo de origem mais profundo... 
Há pouco tempo me questionei, afinal, onde este vínculo nasceu, ou onde ele se fez forte e a memória me trouxe a cena. 
O escuro era aterrorizante. A idade era tenra e a noite misteriosa, eu ainda não sabia que podia sair viva desta morte que é o sono. Eu tinha somente uma cúmplice para atravessar o medo. Por isso dormíamos de mãos dadas e guardávamos nosso segredo. Quando o espanto viesse, quando eu me sentisse só no silêncio eu apertaria sua mão. A minha mão seria apertada de volta. Era o jeito de saber que eu não estava só naquela jornada até o dia amanhecer. Ela na cama mais baixa às vezes fazia o mesmo e eu prontamente respondia sem palavras apertando sua mão, assim caminhávamos juntas sem usar os corpos, somente a alma. Assim atravessávamos pântanos sombrios, nuvens de medo e pesadelos. 

Deza, porque você existe eu sei que jamais estarei só neste mundo. A vida com você é um vale sem solidão. 
Viva o seu dia, minha irmã, Andreza, Deza, minha querida, amada, maninha!!!
Que você saiba atravessar sozinha todos os desertos da sua existência, ciente de que uma mão a sustenta e a acompanha, uma mão da qual eu fui apenas expressão e canal, pois esta mão é a de todos as pessoas que a amparam amorosamente, e também das ausências dessas pessoas, pois até na ausência delas Deus, na forma do seu coração, te abraça e te ama. 💗💕
Você é seu maior dom!
Beijos com amor

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Cada vez mais perto de mim

Alguns amigos não se conformam com a loucura que eu fiz. 
Outros me acham linda!
O que cada um sente ou acha é uma disposição do coração. O meu só agora se abriu para aceitar minha irmã que quase não deixa o cabelo crescer, está sempre curtinho. Os padrões de beleza mudam, o nosso gosto e olhar também. Às vezes olho no espelho e vejo meu rosto de um jeito que eu não conhecia. Eu me vejo com cara de força e de coragem, como um personagem mitológico capaz de acabar com todos os demônios da história. Parece que me tornei uma guerreira. Logo eu que sempre me senti tão frágil. Se eu soubesse que este simples gesto (agora parece simples e bobo, antes não)   de raspar o cabelo, me traria tanta força, teria feito antes. 
Acho que minha vida antes disso foi de sempre corresponder às expectativas dos outros em relação a mim. (Vide minha amiga de faculdade que prometeu andar pelada na praça se eu voltasse careca. Ela tinha certeza que eu jamais faria...rs Não vou dizer o nome para não comprometer a amiga), eu fazia igual ou menos do que esperavam, eu não sabia me superar, ir além, atravessar... Agora eu sei. E é emocionante, delicioso, se desafiar e se conquistar: ser si mesmo! Cada vez mais perto de mim. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Em um primeiro de abril

Há 6 anos, era 2009, no dia 1º de abril, eu estava em casa, desesperançosa com a vida, com o futuro, principalmente na área dos relacionamentos. Então recebi no meu celular uma ligação. À partir daquele dia tudo mudaria, minha vida daria inúmeras voltas, voltas que continuam sendo dadas até hoje. Era ele! O homem que entrou no meu coração 5 anos antes, mas que eu não sabia que ainda faria pulsar amor no meu peito. Bastou ouvir sua voz e a palpitação começou. Não nos falávamos ou nos víamos há 4 anos e meio. Ele tinha ido morar do outro lado do planeta, nós dois tínhamos começado outros relacionamentos e eu nem podia imaginar que bem em um dia 1º de abril sua voz voltaria a soar em meus ouvidos e espalhar doçura em meu corpo. Em poucos dias a certeza que tive na primeira vez que o vi ficou novamente evidente: era (e é!) o homem da minha vida! 
Nessas muitas voltas eu fui ao seu encontro em uma senda de um país longínquo, ele mudou de país, meu pai faleceu, ele enveredou por esta mesma Índia (que agora descubro ser minha também), conheceu um homem que, hoje, é uma inspiração que me preenche completamente (Prem Baba), e este foi apenas nosso primeiro ano juntos. 
Ele diz que quando nos conhecemos eu parecia uma criança. Quando nos reencontramos ele brincava que eu tinha entrado na adolescência, sinto que agora, careca, ao seu lado, eu renasci como mulher. Um feminino além das aparências, do que é possível ver ou julgar, mas suscetível ao sentir. 
E esta história mágica que vivemos se tornou o primeiro romance que escrevi. Sai esse ano e espero que envolva muitas pessoas na energia da confiança e do amor: algumas das verdades da nossa existência. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Adoecer

Eu, ainda com cabelo, no Safari. 

Estamos em Delhi para nossos últimos dias antes de voltar ao Brasil. Adoeci um pouco de novo e estou passando um dia de molho no hotel. Imagino que seja algo que comi que não me fez bem. Ficar um pouco sem se distrair com nada faz a experiência se assentar, se instalar em nós. É forte estar aqui, mas poderia passar batido se eu não tivesse a devida atenção ao que tenho vivido. Não foi só turismo, longe disso, eu permiti que a Índia percorresse meu ser como que me dizendo de que sou feita e me suplicando a entrega. Para todos os lugares que olho ouço esta frase interna: "Se entregue!", resistir é adoecer, mas se entregar também é adoecer. Não tem como. O aprendizado acontece na dor. A própria palavra "a-do-e-cer" me remete ao significado: "a dor é ser".
Ser pode doer um pouco, mas eu não desejo outra coisa além disso. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Safári em Khajuraho

No nosso último dia em Khajuraho (22/03/2015) acordamos antes das 5 da manhã para viajarmos 45 minutos de jipe até o safari Panna Tiger Reserve. Uma reserva de animais selvagens com mais de 30 tigres. 
Eu não esperava fazer um safári nesta viagem. Lá pegamos um guia especializado, do parque, que nos foi mostrando as diversas espécies de pássaros, árvores, macacos, antílopes... Vimos até gato selvagem e porco selvagem, mas o tigre não pudemos ver. De qualquer forma a atmosfera e adrenalina de participar de um safári são estimulantes. Nosso guia ficava sempre muito atento aos sons, para algo que caracterizasse um "chamado" de algum animal alertando para a presença do tigre, chegamos a ouvir avisos de macacos, mudamos a direção, mas mesmo assim não foi suficiente. De qualquer forma valeu muito a aventura. 



Rituais

Já contei que para o hinduísmo (segundo nosso guia em Khajuraho) se raspa a cabeça pelo menos uma vez na vida como um oferenda para a Ganga (rio Ganges). Vi muitas crianças assim e concluí que era para esse ritual. 
Hoje (25/03/2015) foi o dia da minha iniciação. Recebi o diksha. Tenho amigas que aproveitaram este momento (da iniciação) para raspar o cabelo e realmente renascer. Afinal o cabelo, o corpo, não somos nós, embora estejamos identificados com eles. Raspar a cabeça é um símbolo, de que reconhecemos que somos mais que isso. Pelo menos este é meu jeito de ver. Desde que planejei esta viagem, há mais de um ano, tenho pensado em raspar minha cabeça no dia da iniciação. Venho me preparando psicologicamente, buscando compreender o significado disso para mim. Percebi que meu cabelo representa: a vaidade, a distorção do feminino, a valorização da imagem e "do que os outros vão pensar". Percebi que podia deixar isso tudo para trás. Assim abrir espaço para colocar no lugar: a beleza verdadeira do ser, a alma, a liberdade de fazer o que quiser e ser si mesmo(a), a coragem, o poder, a força, a fé (de que a vida continua, de que eu continuo, de que a beleza está além do cabelo...)
Foi assim que fui interiorizando este ato. 
Depois conto mais. 
(Foto tirada em Khajuraho)

Pranam

O "pranam" não é uma reverência ou um ato de humildade, talvez seja, para nós ocidentais, mas o significado deste gesto do hinduísmo, praticado com os gurus remete a crença de que os pés de um iluminado tem poderes de dissipar males materiais, mentais e emocionais. Ao tocar os pés do guru com a cabeça estamos purificando o nosso ser e recebendo inúmeras graças. Esta é uma explicação racional (embora sem comprovação científica para os céticos), porém a experiência espiritual pode nos pedir atitudes irracionais. Conheço algumas pessoas que diante do Prem Baba, sem nunca antes terem contato com a cultura hindu, caíram aos seus pés. Fenômeno que o próprio Prem Baba conta ter acontecido em seu primeiro contato com seu guru. As pessoas que fizeram isso me contaram que se sentiram até um pouco constrangidas logo em seguida. 

O que posso falar por mim é que a presença dele é muito forte, um silêncio interno se instala por onde ele passa e também é muito comum uma certa comoção e choro diante do seu olhar e sorriso. 

Esta foto me tocou. Esse garotinho deve ter entre 7 e 9 anos, quase todos os dias ele dançava no centro do salão e parecia o próprio Deus encarnado em um ser, pois seus olhos ficavam cerrados, seu semblante era doce e os gestos repletos de delicadeza como se acarinhasse o ar com o toque sutil dos dedos. Na boca sempre um sorriso muito leve e único e um olhar fugidio escondido na pálpebras ou, às vezes, levemente se mostrando para fechar-se novamente em seu escuro interior. No momento da foto foi quando livremente o menino se prostou na fila de pessoas que aguardavam para fazer "pranam", quando chegou sua vez ele reverenciou o mestre. A beleza da foto é que Prem Baba em toda sua magnitude e sabedoria também o reverencia. 

Meu berço, Rishikeshi

Hoje estamos nos despedindo de Rishikeshi. Temos alguns dias em Delhi e ainda tenho muitas fotos para postar principalmente de outros lugares que passamos e alguns vídeos daqui também. Contudo percebo que quando cheguei nesta cidade acabou a minha viagem turística e começou a minha viagem pelo caminho do coração. O caminho bem ao encontro de mim mesma. Eu fotografei muito menos, eu deixei de fazer algumas coisas que queria (vão ficar para a próxima), mas eu compreendi que podemos ter muitas casas espalhadas pelo mundo, mesmo que não as usemos como residência. São lugares com pedaços de nós aconchegados para nos receber, sensações de conforto mesmo diante de situações peculiares que nunca estivemos perto de viver. Eu estive aqui inteira e sei que esta abertura não partiu só de mim, havia um berço de amor acolhendo minhas impurezas e purificando meu ser, o tempo todo. Eu pude experimentar a certeza de que pertenço a este berço e de que ele me dá de viver onde quer que eu esteja, com isso não desmereço todas minhas outras origens, também as reverencio como fontes da minha natureza única, luminescências da minha personalidade, lampejos da minha presença. 
(Foto da vista do Ganges)

domingo, 29 de março de 2015

Índia - Banho no Ganges

Para os hindus o Rio Ganges é um rio sagrado, representa a deusa Ganga que saiu da trança na cabeça de Shiva para lavar o mal do mundo. 
Esta história pode ser interpretada como uma mitologia. Para Joseph Campbell, famoso estudioso dos mitos, a humanidade os criou em todas as épocas e em todo o mundo. A diferença entre um mito e um conto é que o conto trata-se de uma jornada individual, já os mitos são universais, são histórias conectadas ao que vivemos interiormente, batalhas que travamos em nós mesmos, através de aspectos íntimos (arquétipos, como estudou Jung), personagens e padrões que se repetem no inconsciente coletivo e aparecem em sonhos, portanto presentes em todas as pessoas e que, de alguma forma, podem estar sendo reproduzidos em nossas vidas sem que percebamos. Estou falando de algo um pouco complexo, pode ser um conteúdo nebuloso para quem esteja lendo pela primeira vez esses termos. Eu não sou nenhuma estudiosa sobre o assunto só quis esclarecer um pouco para não ferir amigos monoteístas que possam estar intrigados com os mitos hindus. 
Fiz esta viagem querendo experimentar verdadeiramente a espiritualidade que a Índia me oferece. Quando ouço as histórias eu não permito que meu ceticismo questione, mas liberto meu corpo para viver com os sentidos a experiência. Foi assim no rio. Com a crise de água que vivemos no Brasil eu passei a reverenciar a água como uma deusa, como algo que nos dá vida, nos dá de beber, de banhar, de comer, de ser... Ou seja, uma matéria sagrada, de que necessitamos. Acho lindo que os hindus tenham essa reverência, como uma consciência mais ampla sobre a importância de um rio e de suas águas. 
A água do Ganges é muito gelada mas é uma delícia mergulhar e saímos sempre revigorados. Uns dirão que é pela sensação do banho gelado, outros dirão que é a ação da Ganga no nosso organismo. 
Outro detalhe é que aqui as mulheres entram vestidas no Ganges, é o costume deles. Cheguei a ver algumas poucas ocidentais se vestindo de forma mais ousada na rua ou no Ganges mas eu adorei entrar vestida, me senti até mais à vontade. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Índia e religião

Nunca acreditei em religiões. Preciso confessar-me. Nunca acreditei em templos, em deuses, aliás, eu, nem sequer, acreditava em mim mesma. 
A minha crença era, e ainda é, a psicologia. Como se fosse uma ciência. Ah, esqueci de dizer. Eu sempre acreditei no estudo, na pesquisa, na experiência. A psicologia atendia todos os meus anseios. Seria o meu método de salvar a alma. A salvação de mim mesma. Compreender com a mente para ter paz no coração. Mas, através da psicologia, pelo estudo de mim mesma, da minha história, da minha infância, da minha vida eu fui chegando a trechos da jornada que não podiam ser atravessados só com ela. O mapa era falho. Me levava a um ponto nulo, do qual não me permitia adiantar-me. Então eu notei que apesar de não acreditar nas religiões, eu acreditava no amor, na amizade, na liberdade. Também já acreditava mais em mim, mas ainda não tinha paz o suficiente para fazê-lo por completo. Então, naturalmente, meu coração foi se abrindo para uma compreensão maior, cujo nome "espiritual" se tornava mais e mais latente para discriminá-la, mas que ao mesmo tempo não me convidava a reconhecer meu espírito e sim reconhecer meu corpo, meu próprio instrumento, minha presença, minhas atitudes. Notei que tudo que eu acreditava ser "espiritual" eram fenômenos físicos que podiam ser experimentados no meu corpo, na matéria, através dos meus sentidos. Passei a praticar diariamente a meditação, uma disciplina com o silêncio, uma devoção ao meu próprio ser e quanto mais fui apurando minhas práticas percebia um buraco a ser preenchido. Eu não sabia atravessar a escuridão do caminho sozinha — já que eu não tinha nem mesmo um direcionamento confiável. Seria necessário um mestre. Alguém que tivesse experimentado na pele todos os estágios desta jornada em busca de si mesmo, um guia que conhecesse o caminho. 
Foi assim que minha conexão aconteceu. É como um encaixe perfeito, simplesmente flui e acontece. E vem no momento de relaxamento, é como se tudo antes fosse uma resistência para evitar esse encontro, mas, na hora que deixei de resistir, o encontro naturalmente se deu. 
Religião vem do latim "religare" que quer dizer religar. Entrar em contato com um mestre verdadeiro no momento certo do caminho é como despertar de um sono profundo para tomar consciência de tudo: de si, dos outros, do mundo. Eu fiquei maravilhada com o que vi. Fui tomada por um êxtase de alegria e amor. Não se tratava de uma lição dada pela mente racional, aquilo não era fruto de uma comunicação cerebral entre dois seres, mas de uma experiência vivida no sentimento, com todos os sentidos do corpo e em todos os sentidos e significados possíveis. 

Ainda ontem Prem Baba nos disse:
"Assim como cada um tem fins e talentos específicos, uma forma única do amor se expressar em cada um. Cada país também tem sua expressão. A Índia é misteriosa, notoriamente conhecida como tendo como principal presente a espiritualidade. É o país que mais produz iluminados no mundo. Mas antes da espiritualidade tem a característica de produzir confusão. Da um nó na mente, especialmente do ocidental. A Índia é um quebra-cabeça pro ocidental. É um dos lugares de mais contrastes (...) Vai entender isso com a cabeça! Você só entende o significado da vida com o coração. A vida é um mistério que só se desvenda através do coração. Não importa onde você esteja a vida está constantemente te chamando para ser desvendada através do coração. Está constantemente nos convidando a olhar nas entrelinhas."

E a Índia faz isso com as pessoas, disponibiliza para uso esse olhar mais apurado, esse amor mais pulsante, esse gosto mais picante na boca... Parece que ficamos mais vivos, inteiros ou mexidos, despedaçados, às vezes, mas vivos!

E entre tantos sons e cores e gostos, o deslumbre diante da realidade é um presente que tenho recebido, como uma graça divina, um beijo do sagrado no meu corpo tão humano. 

Meus olhos estão mais abertos para a vida, e meu sorriso também!

quinta-feira, 26 de março de 2015

Iniciação e raspar o cabelo - sobre o 25/03/2015

Ontem eu postei uma foto de uma criança e falei sobre uma questão sobre o meu cabelo (que não deveria ser motivo de assunto, mas no atual estágio existencial em que estou ainda é) e percebi que há algum tempo, mesmo antes desta viagem, eu tenho feito uma escolha.
Nós, seres humanos, escolhemos o tempo todo, consciente ou inconscientemente. 
Optei, (inconscientemente, mas agora reconhecendo), por transformar a minha busca particular e íntima (ou que, ao menos, poderia ser assim) por mim mesma e por uma conexão mais ampla e real com o amor, em uma coisa, compartilhada, pública. Quando vi já tinha feito. Preciso assumir que tenho usado esse processo não somente para mim, mas, amorosamente, como um resgate possível a todos que me acompanham e, egoicamente, como um trunfo, que no fundo não há, pois se esgota à medida que é usado assim
Portanto espero que reste ainda o amor desta partilha, pois heroísmo não há nesta exposição. 
Esclarecendo esses aspectos mais implícitos vou continuar sendo eu mesma, alguém que adora se expor um pouquinho e receber um pouquinho de atenção por isso, oras. Com a licença poética da contradição existente em mim, da incoerência e imperfeição que me são humanas.
Muitas mulheres que admiro fizeram este gesto (de raspar a cabeça) em algum momento, minha irmã Adelita foi uma. Passei a admirar esta coragem há alguns anos. Eu me sentia incapaz de fazer o mesmo nem que quisesse, para mim seria como morrer, sofrer por anos (até crescer de novo) e ser feia durante uma eternidade limitada. O mais curto que meus cabelos chegaram foi na altura do queixo, quando eu tinha 8 anos. Sempre fui das que soltavam o cabelo, mesmo no maior calor, em qualquer oportunidade de ser vista ou notada, bastava cruzar com um conhecido que eu já ia soltando para que pudesse ser vista com os cabelos adornando o rosto. Quando minha jornada de autoconhecimento se aprofundou e eu quis ter um mestre, para seguir além na travessia da escuridão para a luz, essa questão (o cabelo) começou a se tornar central, passei a me perguntar se era necessário, soube que não é, o questionamento continuou. Desde o início eu sabia que o cabelo era um símbolo, uma dependência minha e que a maior beneficiada em abrir mão desta dependência seria eu. Um grito de liberdade! Passei a alternar a vontade de raspar a cabeça com o imenso medo de fazer isso. Conversei com várias pessoas, com lindas mulheres que rasparam há anos, com outras que tinham acabado de fazer isso, com uma amiga querida, a Marilia, também iniciada, que não raspou e me disse: "O cabelo foi a última coisa que pensei na minha iniciação", então caiu a minha ficha. Se o meu cabelo era o centro da minha preocupação, mesmo diante de um evento de extrema doçura, delicadeza e amor, estava mais que certo que deveria aproveitar a oportunidade para renunciar à tê-lo. 
Foi então que me decidi. O conflito foi se esvaindo com a decisão. Foi ficando claro que era isso mesmo, e que nem era nada tão importante ou traumático assim. O ato foi perdendo a força e ela (a força) foi passando para mim. Meu marido me apoiou desde o início e isso me ajudou muito. Combinei com ele que arrumaríamos uma tesoura e que ele cortaria meu cabelo no Ganges. A cada tesourada muita alegria e poder tomavam conta de mim, foi um ato simples, mas bem forte, me senti muito corajosa e via nos olhos dele que ele também, isso só me dava mais coragem. Ele ia me olhando e dizendo que estava me achando bonita, foi gostando, até que me deixou de cabelo curtinho. Entrei no rio com todas as mechas na mão, fiz uma oração e entreguei. Então voltamos para o centro de Laxman Jhula para procurar um barbeiro. Eu queria igualar tudo o mais comprido possível. Mas, sem querer, ele (Paulo) tinha feito uma falha bem na minha testa. Para completar o barbeiro não falava inglês. Cada vez que ele cortava ou passava a máquina outras falhas iam aparecendo e tentávamos explicar que queríamos deixar tudo igual. E ficou, quase tudo igual, porém bem, bem, curto...
O cabelo se foi. Sobrou meu ser. Sobraram também a verdade e o amor que se expressam através de mim.
E, quer saber? 
Não foi um ato tão heróico, mas mesmo assim estou me sentindo muito poderosa! E linda. E eu. Estou me sentindo eu. ❤️