sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ana Thomaz

Por volta de 10 anos atrás conheci uma professora de teatro da minha irmã, Adelita, e ficamos algumas horas conversando. Eu não lembro onde estávamos, nem muito bem como aconteceu este encontro, mas algumas coisas que ela me disse ficaram comigo até hoje. Ela tinha uma paixão pela educação e, assim como eu, já conhecia o projeto da Escola da Ponte, de Portugal. Então tive uma rápida empatia com ela. Quando minha irmã ficou grávida - minha sobrinha está com 1 mês - me disse que faria a preparação corporal para um parto natural com essa sua ex-professora, a Ana Thomaz. 


Cada vez que minha irmã voltava de uma sessão com ela nós conversávamos sobre como tinha sido e eu sempre pedia para minha irmã escrever tudo que tinha aprendido, porque eu mesma não queria me esquecer de nada. Eram toques que a faziam ter uma visão completamente diferente sobre a dor, as inquietações que estava passando e sobre seu próprio corpo. 


Ana estava com minha irmã no momento que Amora, minha sobrinha, surgiu neste planeta pela primeira vez. Eu tive um pouco de ciúme, ou inveja, por não estar lá nessa hora. Mas então minha outra irmã, Andreza - a do meio, sou a mais velha e Adelita é a mais nova - me enviou esse vídeo. Depois de assistí-lo eu passei a ter inveja da minha irmã por ter ao seu lado uma companhia tão iluminada neste momento mágico-rasgador da vida. 


O vídeo é uma travessia de uma hora. Um percurso suave para ser feito inteiro, atento e aberto. 


Que possa trazer a você muitos insights como trouxe para mim:




Aqui você encontra alguns trechos reveladores por escrito para ter uma ideia do quanto o vídeo é imperdível.
Aqui você encontra o blog da minha irmã Adelita Ahmad, com muitos depoimentos transformadores, inclusive o que conta sobre o nascimento da Amora.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Poema de um amor maior

Sentir o coração bater
Sentir a dor crescer
Eu não vou dizer que é fácil viver,
Mas vou dizer que é fácil:
Amar você

Sentir seu respirar
Sentir sua luz chegar
Não vou te enganar,
Se acaso eu não aguentar,
me permita chorar, com você...

Sentir você crescer
Presenciar seu caminhar
Você irá cair
Mas vou te levantar
Quantas vezes você precisar

Sentir o sol brilhar você
Sentir a lua na sua pele
Eu não quero que esse momento se encerre...

Mas um dia a vida vai encerrar nosso instante...

Até lá quero sentir você
Até lá nossa vida no meio
Vida de se lambuzar
Com você, no meu seio!

(em um dia muito especial!)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Olhe bem para ela

Olhe bem para ela
Olhe nos olhos
Janela de sonhos
Alma dos desejos.
Olhe no encanto
No canto dos olhos
Na raiz de todos os beijos.
Olhe e se encante
e se cante
Cante para ela
Como se fosse única
Sozinha e bela.
Olhe nessa vida,
Porque uma filha
É a vida toda!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

As histórias que ninguém lê

Abro a janela da varanda e meu olhar percorre a rua, a atravessa, até chegar ao prédio em frente. Ali, em uma janela, vejo uma pessoa pequena, dessas que a idade não chega a preencher os dedos de uma mão e que muito deve usá-la para responder aos que perguntam: "Quantos anos você tem?"Imediatamente lembro da criança, aquela que um dia fui e com quem ainda me deparo nos momentos mais inesperados, mas que não encontro quando a procuro, tampouco a compreendo e, ainda assim, a sinto viver. Respondo suas perguntas como um adulto tolo que só enxerga uma realidade limitada. Ela jamais me responde, se esquiva e sorri. Penso que por dentro ri de mim. Ri das alegrias perdidas, como se fossem vitórias. O abandonado comemora os fracassos daquele que o fez sofrer. Não levei minha criança muitas vezes a sério - e talvez a tenha levado a sério demais -  não deixei que brincasse de realizar seus sonhos. Meus sonhos eram de cristal, não podiam ser brinquedo, até hoje se exibem no alto de uma estante como troféus impossíveis. Realizar um sonho é ter uma história na cabeça e repetí-la na vida. Tudo que fiz foi manter histórias na cabeça, ou presas em papéis, em cadernos, escondidos em gavetas empoeiradas e bolsas velhas. Olho para janela e a criança não está mais ali, olho no espelho, a procuro e não encontro. Restam-me as histórias, as minhas. Ninguém lê. Por conta disso meu troféu continua impossível...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Des-existir

Eu não tenho nome,
(Isto eu só conto em segredo)
Tenho complexos, reflexos, sem nexo
Sobre quem sou.
Eu des-sou,
Eu des-faço,
Eu des-ço.

Eu des-existo,
Isto!
Eu des-isto.


domingo, 3 de março de 2013

Se eu fosse água

Se eu fosse água
Não seria rio, nem mar.
Seria um lago parado.
Queria ter água transparente e lisa,
Refletir o céu azul
E a face dos homens e mulheres à minha beira.
O vento faria rugas em meu rosto,
E eu ameaçaria derrubar os barcos
Para que não me vissem despenteada.
Assustados, eles iriam embora
Até que eu pudesse me recompor.

Eu seria um lago como Bled,
Que dá nome a uma cidade na Eslovênia,
Um lago que ainda hoje afaga meus olhos,
Inspira minha poesia e minha vontade de voltar,
Só para contemplar...

Quando a gente ama
Quer ser o que é amado

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Biópsia

Biópsia é uma palavra feia.
Biópsia agride, assusta

Biópsia é uma palavra sem afeto,
Uma palavra chão.

Biópsia é uma palavra medo.
Uma palavra não.

Biópsia é complicado...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Twitter



Pureza: espaço inalcançável de extrema beleza. Incerteza: espaço de emoções impuras.Tereza: nome da minha tia. Surpresa: inerente a literatura  


#tuiteratura

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Lampejo de esperança

Sinto sua falta e ela é doce e gelada
E quente e súbita

Sinto uma pedra repousando em meu coração
E espero o tempo certo para que crie asas
E voe ao seu encontro.

Sinto um lampejo de esperança
Que revê o futuro sem as lágrimas do ontem

Você encanta meu riso
E faz cantar meu sentimento
E este canto soa como guizos
Que preenchem de alegria este momento

Ainda espero como esperei tanto
E tanto tempo
Ainda estou aqui contida em minha própria espera
Desprovida do espanto
E do contentamento...

Hei de buscar cada memória ensolarada
E construir com tijolos, cimento e amor
Uma nova morada para o que sinto

Porque o que sinto não cabe mais em mim.

9:23 AM - 3/5/2009

Eco do silêncio


Esta noite ouvi o eco do teu silêncio
Senti o vácuo do teu hálito
A ausência do teu abraço
 
Senti o que quero sentir sempre
Se o meu corpo permitir
E minha pele suportar
 
Senti, sonhando que também sentisse algo
Mas a distância me impede tocar-te
E me permite chegar-te só com os dedos do sonho
Mas só as pontas dos dedos...
 
Meus lábios comprimidos desejam encontrar os seus
No encaixe que somente a peça certa preenche o vazio
 
Eu poderia te escrever os mais belos poemas
E as mais lindas palavras
Mas tampouco consigo
Com esta falta que me consome o âmago e a casca
 
Vejo você em lugares que você não está
E sonho sua presença
Com os olhos da minh'alma
 
17:17 - 30-04- 2009

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Enigma

Eu preciso escrever uma história,
uma ideia,
como se houvesse algo sussurrado e inaudível
que eu precisasse alcançar.

Preciso decifrar os sons,
compreender os mistérios,
estar alerta para qualquer coisa que possa ser dita
ou que esteja calada
por fraqueza da vontade
ou por excesso de intensidade
que não me permita captar.

Há forças que me movem e que desconheço...
Sou meu próprio enigma
Como uma esfinge disposta a devorar-se
(Decifro-me ou devoro-me)

E como me parece impossível decifrar
Tenho me alimentado de mim mesma
(Em um processo de nutrição pela palavra)



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Frascos de vida

Por que essa mania de dividir a vida em frascos?
A vida não cabe neles, nem corresponde aos rótulos.

De que substância é feita a vida?
É fluída?
É sólida?

A vida é tecida por mãos invisíveis.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sono

O sono rasga meu olhar,
A esfera vira um risco de pálpebras que se magnetizam.
Abraçam-se os cílios...
Eu, sem abraços, durmo.
Leve-me, sono!
Para que sonhar não seja breve.
Para que viver seja mais leve.
Leve-me!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cabelo branco

Escrevo por humanidade
Dizeres escritos sem destino
Escrevo mentiras como se fossem verdades
E desapego de palavras quandos as ilumino.

Reúno versos, linhas e rimas
Descrevo os instantes... Crio fascínios!

De minha cabeça nascem fios brancos de cabelo crespo
Não tenho vontade de esconder.

Já há tanta falsidade no mundo...

Eu no mundo

Quem sou eu no mundo depende mais de mim do que do mundo.
Quem sou eu no mundo depende mais do mundo do que de mim.
O mundo e eu, ou eu e o mundo, somos entidades misturadas.

Silêncios

A poesia é feita mais de silêncios do que de repetições.

Sobre a minha paixão pela moda

Preciso escolher como vestir a minha alma
Que nomes usarei para contá-la?
As roupas que comprei, trajes de pano, sem significado
Arames pendurados como bijuteria
Só posso ter perdido meu tempo com o look errado...
Agora o tempo tem se perdido de mim.

Passarinho

Ele sempre me pergunta:
– Amor, o que você é?
Algum passarinho,
para acordar assim tão cedo e sair de fininho?

– Eu, quando acordo, nem vejo ou sinto
Eu só te beijo, mesmo dormindo.

Tempo

O tempo é um cálice derramando todo o líquido do mundo em um transbordar sem fim.
Eu temo morrer afogada...

O tempo é um alarme ensurdecedor.
Eu temo amanhecer surda.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Biscoito Fino

Meus escritos são biscoitos finos,
Mas não mastigue, quebram.

Não são doces, nem ásperos,
Se os quiser:
Prove!

Constatação.

Dançam em mim tantas aventuras.
Eu digo "dancem!"
Elas pulam, se sacodem, remexem lembranças...

Parada penso:
"Eu quase não vivi..."

Deram um salto sobre mim as incertezas.
Para estar certa estive muda, intacta, estática.
De tanto ficar quieta aprendi a gritar,
Em silêncio.

Ninguém ouve...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dicionário

Quero comer as palavras, sentir o gosto cálido das letras, beber os sons, significados.
Quero comer os livros, mastigar as páginas, os conhecimentos, as conclusões...
Quero comer as informações, as histórias, os dizeres, os poemas.
Há tanta fome.

Quero engolir os capítulos, fazer com que desçam goela abaixo,
Quero engolir as frases, as crases, os acentos, as pontuações,
Quero engolir até que constituam meu sangue, minha alma...

Quero comer os textos, os pretextos, os parágrafos, os verbos,
Até que os nomes das coisas se tornem meu próprio nome,
Depois deste banquete, palavrete, verbete, o cacete(!)
Ainda tenho fome.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Palavra

Acredito em um tipo de despertar pela palavra.
Acredito na palavra justa, certa, exata, que acorda a alma e encerra silêncios.
Acredito que cada um tem a sua e que ela fica escondida inaudível como se o ouvido, para esse som, precisasse de apuro e preparo.
Mas também precisam estar afinados os dedos que escrevem e a voz que canta a palavra.
O mestre é sempre o tempo, afinador dos aprendizes, encantador dos instantes.
A palavra serpenteia as horas e espreita o tempo, esta sempre na iminência de ser dita, mas ninguém a conhece.
O seu rosto é uma sombra que ninguém vê, e seu nome é uma senha que ninguém diz.
Ainda assim acredito no despertar pela palavra, nas raras vezes em que pode ser pensada, escrita e dita. Ela é o único antídoto para a alma que dorme.
E dormem todas as almas vivas, enquanto o despertar da palavra "morte" não chega.

Morto é aquele que não sabe que está vivo, ou que, se vivo, não sabe que vai morrer.

A voz (e a escrita) são os instrumentos da palavra, pelos quais ela se concebe bela e única.
A poesia é a música da linguagem e a palavra é a sua melodia.

(21/04/2012)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Para morrer onde se nasce

"Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado". (Fernando Pessoa)

Ali depois do imenso portão um novo mundo se abria, em que duas rodas giravam embaixo de si e uma enorme, de fogo e de luz, o aquecia muito mais alto que sua cabeça. As de baixo o faziam desbravar caminhos, a de cima bronzeava sua pele. Levava apenas o vento na garupa. Algo assim como liberdade. Livre do mundo e para o mundo. "Adiante! Avante!" Gritava o menino. Pelas duas margens da estrada as copas das árvores se debruçavam para dentro como se tentassem abraçar-se, eram fugazes desenhos de sombra no chão que a mobilete atravessava em velocidade. Para onde ia? Lugar nenhum. E lugar nenhum era o mundo todo, a terra toda, a natureza completa, com feitiços e matizes, com silêncios e mistérios que habitavam seus sonhos fugidios e presentes desejos de esconder-se de si, para somente assim ser si mesmo.

Acelerava na descida e a pequena moto ameaçava voar. Voava a dor, voava a solidão, voava a angústia... Subia a estrada íngreme de onde podia apreciar a paisagem verde e árida. Parecia estar tão perto, chegando em algum espaço de chegada, mas nunca chegava. Porque não havia chegada, só uma partida constante. E um deixar-se. Para ser-se era preciso deixar-se em cada trecho da estrada. Espalhar-se pela terra como um semeador faz com as sementes.

Aquela terra é testemunha de tanta vida! Uma vida que ele busca respirar de novo.

"Quando eu morrer vou me enterrar aqui. Para que eu possa voltar pro lugar onde nasci". Um homem só nasce no lugar que o amor se fez sentir pela primeira vez, onde a sua existência, de fato e consciência, começou a ser moldada. Por isso era ali que tinha nascido. Antes tinha só existido, ou vivido, mas "nascido", começado-se... Aquele era o lugar. Uma terra de montanhas ao redor de onde podia ser observado o por-do-sol e o raiar das estrelas. De onde era possível sentir o cheiro do mato e da flor, da chuva, do bolo de chuva... O calor da lareira, do sol, do amor...

Ele falou "vou me enterrar aqui", assim dessa forma, como se fosse possível a alguém enterrar a si mesmo. Talvez, caso se percebesse morto ainda vivo... Quanta gente morta não há que vive andando por aí só com o corpo e olhos abertos? Provavelmente se "morresse" mesmo vivo - dizem que se morre quando se abandona os sonhos - gostaria de ordenar seu corpo a deitar-se naquela terra até parar de respirar, para que respirasse pela última vez no lugar onde nasceu. Para que respirasse-se, respirasse a si mesmo, misturado aquele ar. Tanto Paulo há pelos ares de Ibiuna... Paulo misturado ao rio, Paulo misturado às folhagens, às plantas, aos cachorros vira-latas que andam como selvagens pelo condomínio Colinas. Paulo misturado ao céu e às piscinas.

Dizem que naquele tempo de antes piscinas eram invadidas por espíritos da floresta, só os íntimos sabem, porque só a eles contou, mas era o espírito dele e o de outros amigos - que também estavam nascendo ali - que pulavam muros ou criavam passagens secretas por baixo de cercas de arame em busca do proibido. O proibido era mesmo mais gostoso!

Ele abre a janela do carro e respira o ar que sempre esteve misturado a ele. Está de novo chegando em seu recôndito lugarejo. Inspira fundo como quem sente um perfume amado e conhecido, cheiro do passado que fica guardado no vento (o mesmo que andava em sua garupa), e mais uma vez as partículas se misturam ao seu sangue e passam a fazer parte do seu ser.

Então ele me disse: "-Vou te mostrar os 'matos' que comprei!"

Estava, obviamente fazendo alusão a um fato que contei a ele. Esta foi a frase escrita pelo o meu avô em uma carta para minha vó quando eles começaram a namorar. Era um amor platônico, dito em palavras escritas, em um tempo que só se permitia um relacionamento que acontecesse unicamente em mãos dadas, nenhum toque além desse. Minha vó não sabia ler, precisava de ajuda para entender o que as cartas diziam. Depois de lidas, as cartas eram guardadas em um porta-jóia como objetos de muito valor. Foi somente pelo cuidado e afeto com que foram mantidas que, uns 50 anos depois de escritas, eu as encontrei. Esta era a frase que mais tinha me causado estranheza... "Vou te mostrar os matos" resgatava da minha cidade uma lembrança que eu não tinha. Para mim Guarulhos era um lugar urbano, com prédios e avenidas. Imaginar que tudo aquilo tinha sido um aglomerado de matos com estradas de terra ligando uma propriedade a outra me causava espanto. Depois, compreender que a prosperidade de meu avô tinha começado com aquele estreito pedaço de terra, foi como encontrar um sentido. Uma coisa não começa do jeito que é. Pelo menos não em aparência. As coisas nascem e se tornam outras coisas, em geral maiores. A riqueza do meu avô - que em grande parte me sustenta até hoje - tinha começado modestamente do jeito que ele descrevera como "matos".

"Olha é aqui. Meus matos!" Ele apontou um pedaço de terra, o seu primeiro, e pude agradecer por existir ainda começos e nascimentos no mundo, e por ele poder começar da mesma forma que meu avô. Quando li aquela carta tive a sensação de que não existiam mais "matos" como ele descrevera. Ainda há. Não se sabe por quanto tempo...

Pode ser que toda riqueza comece do mato, ou, se não começa mais, um dia começou. Mas além dessa riqueza, constituída de dinheiro, capaz de comprar terrenos e sustentar bocas com comida, havia escondida ali uma outra riqueza. A riqueza dele, feita de sensibilidade e sentimento, feita de canto e doçura, plantada com ferramentas de agricultor e com muitos passeios levando o vento na garupa. Espalhou-se por Ibiuna a riqueza do meu amor, riqueza que não caberia naquele primeiro pedaço de mato comprado com notas verdes. Porque precisa do mundo todo para abrigá-la. Meu amor é rico! E já o era, desde menino. E o será, até o dia de espalhar-se de novo, só que em matéria, enterrado naquele lugar.