(19/2/2017 o texto - Rishikeshi - foto do banho no Ganges no dia do meu aniversário, texto escrito aguardando o Paulo na livraria)
domingo, 19 de fevereiro de 2017
Abraço do tempo
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Delhi
Chegamos em Delhi, cidade que adoro. Um tanto quanto caótica e suja (dependendo do lugar, talvez a maior parte), mas também com sua beleza e charme. É como uma aproximação da realidade, nada aqui me parece falso, parece tudo de verdade. As pessoas, o trânsito, as cores, o cheiro, a sujeira, a beleza... É um golpe caloroso chegar na Índia. Eu me emociono mais, me divirto mais, fica tudo forte e intenso. Muita vida vibrando.
#alinenaíndia
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Brilhos de Mistério
Há um instante em que eu e o mundo somos um
Há um instante em que eu e o tempo somos um
Um instante fora do tempo e do mundo
Um instante de comunhão com o que sou. Apenas sou.
De minhas mãos saem as palavras que não digo, escrevo.
Sobre elas não penso, expresso.
Saem de mim como estrelas cadentes vindas de outra galáxia.
Estão de passagem por meu texto.
São brilhos de mistério que se revelam em meu papel, mas se vão...
(Foto: Wat Arun - Bangkok, Tailândia)
*poema: Brilhos de Mistério
~ 6:51 AM ~ 8/2/2017, em Bangkok
Mistérios da Tailândia
Ainda que eu dissesse de tuas cores, ainda que contasse teus detalhes, mesmo na divindade de um silêncio, ninguém saberia do que falo.
Ainda recoberta de tua beleza, ainda extasiada de teu encanto, ainda que eu roubasse teu mistério, o que é teu não seria compartilhado (senão por ti mesmo).
Pois está em tua beleza teu segredo, acima das visões possíveis por retrato. E nele revelado eu me perco. E volto a procurar-te extenuado.
(Mistérios da Tailândia | 6:42 AM ~ Bangkok ~ 8/2/2017) *foto Grand Palace
Aprofundando a viagem
Eu adoro compartilhar as minhas experiências, especialmente as viagens, pela internet.
Enquanto escrevo para os outros eu também reflito para mim mesma. É como intensificar o sentido de cada acontecimento. Tenho que aprofundar um pouco o olhar para ter o que contar. Paradoxalmente, mesmo escrevendo para pessoas que estão distantes, me sinto mais próxima das pessoas do lugar quando tenho o estímulo de uma companhia ampliada que necessita da minha descrição para se sentir viajando comigo. Há o impulso da escritora que mora em mim, que quer levar o leitor há muitos lugares, sobretudo a si mesmo. E quanto mais dentro de um outro país, de uma outra localidade, mais dentro do outro e mais dentro de mim eu me encontro. Então: nós nos encontramos. Sem distâncias.
(Bangkok | Tailândia ~ vista da roda gigante do Asiatique ~)
sábado, 4 de fevereiro de 2017
O que vale a vida
Aquele abraço
Quem se lembra do primeiro dia de aula? Eu me lembro de ficar ansiosa todos os anos, contar os dias, imaginar quem seriam os novos amigos e se aquela pessoa especial continuaria na escola. Jamais estive distante dos primeiros dias de aula da escola em que estudei. Como aluna este tempo durou de 1986 a 1996. Depois disso vivi alguns primeiros dias na faculdade e então voltei a passar esta data na Av. Esperança 191 (endereço do Colégio Nahim Ahmad), desta vez do outro lado da história, aguardando os alunos, recebendo a ansiedade, o sorriso e o carinho deles; preparando tudo muito antes das aulas começarem. E o ano começou hoje pra gente. Para mim sela um trabalho muito intenso de planejamento, de captação de alunos, de ajustes, e também de entrega e de amor. ❤️ Eu descubro e reverencio talentos o tempo todo. Eles brilham nos olhares dos jovens e crianças com quem convivemos, mas nascem também do meu time, dos professores e colaboradores que temos e que plantam comigo esse jardim imenso e florido, com nossos sonhos em comum. Eu me surpreendo sempre com algo que ainda não tinha visto ou notado. Tanta luz, tanta entrega, tanto comprometimento! Às vezes me questiono se eles se dão conta, sei que não, pois eu mesma que observo não estou atenta sempre. É tão bom estar entre essas pessoas e ao lado delas oferecer esse abraço, mas também ganhar esse abraço! O abraço é esse elemento mágico que a gente só recebe enquanto dá e só dá enquanto recebe, pois o abraço se completa no outro.
O abraço é uma metáfora da educação. O saber transmitido só fica inteiro nos braços do outro (e isso acontece quando o conhecimento está preenchido por verdade, por amor). Então acontece a mágica. A gente entrega e recebe também! Sempre volta. (Como os alunos voltam). Que bom!!!🙏🏻❤️🙏🏻❤️
#somosahmad #colegioahmad #brilhaahmad #vemproahmad
Eu e Exupery, meu príncipe
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Rachadura
Essa linha que atravessa o branco sou eu, na incessante busca por ar, quero respirar o sopro de vida na seiva do céu. Vou subindo em estreitos labirintos de pensamentos pesados. Desvio-me do que não sou eu e subo com o fôlego do espírito.
Eu me entrego, ó força súbita do meu ser, tu que és o puro frescor da inocência misturado à coragem dos amantes, tu que és o conhecedor da história vivida, a que me identifiquei... À tu me entrego. Relaxo em teus grandiosos braços de vento, inspiro o ar do teu pulmão imenso, recaio em mim sem medo, no sussurro de teu sublime canto. Me encanto de teu brilho encantado, de tua poesia suspensa por estrelas-rainhas da noite, que seguram como a um véu, uma bandeira no marinho infinito do universo. Cintilam as palavras e eu não as leio. Deitada no teu seio, apenas me entrego. Sou eu este incansável mistério?
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
O͟͟ q͟͟u͟͟e͟͟ s͟͟o͟͟u͟͟
Sei dizer o que escondo? Sei falar das partes que envergonham? Sei mostrar o feio, esquisito, duvidoso?
Não. Eu não sei. Eu me preocupo demais com os outros, com o que pensam de mim. Para mim é muito importante ser amada, admirada e, até mesmo, curtida e comentada (rs). Tenho loucuras difíceis de compreender, fanatismos, amores que preenchem meu coração. Converso com fotos e choro com lembranças vivas em mim.
Eu renasço e a vida se contenta.
S͟͟e͟͟n͟͟t͟͟i͟͟r͟͟
Pronto. Agora todos já sabem que aquilo não era.
Não bem assim.
Por mais que tentasse fingir, peso demais para mentir o tempo todo.
O que é, é! Me diz uma amiga.
O que é, é!
Somos o que somos. E mesmo sem ninguém ter nada a ver com isso, os outros são o espelho do olhar que lançamos sobre nós mesmos. O julgamento severo que nós mesmos nos fazemos. Por vezes encobrindo segredos.
E se todos souberem? Não seremos mais amados? Somos mesmo amados?
E se eu souber? Como viver com o que sei? Como seguir com o que eu não sei?[de mim]
Respirar. Relaxar. Provar a leveza de ser.
Lembrar de respirar. Lembrar de relaxar. Le͟͟m͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ d͟͟e͟͟ m͟͟i͟͟m͟͟💕
sábado, 31 de dezembro de 2016
O que acabou
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
O Caminho da Comunicação Não-Violenta
Um barquinho de papel no oceano
Primeiro caderno
Amigas
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
GPS da alma
Há alguns anos eu comecei a compartilhar alguns insights da minha busca por autoconhecimento.
Está é, sobretudo, uma jornada interna. É preciso atravessar dores do passado (são sempre elas que plantam o sofrimento do presente), porém por serem as "raízes", na maior parte estão em áreas de difícil acesso consciente, protegidas por camadas de amortecimento, esquecimento e apego. É isso que fazemos com a dor, não é? Escondemos em porões escuros, para ninguém ver, principalmente nós mesmos, para não sentir.
Só que junto com a dor negada está a nossa essência, a espontaneidade, também condenada aos porões do nosso ser, pois é só na liberdade do que realmente somos que sentimos a vida inteiramente. Só assim somos feridos, mas também só assim abrimos nossos canais para receber amor, alegria, união. Se nossos canais estão fechados, se nossos sentimentos estão reprimidos, vivemos uma vida artificial.
Meio-sorrisos, meias-alegrias, meios-amores, meios-relacionamentos, meias-entregas... Nada é inteiro e vivo.
Até que alguns raios de luz, lampejos de consciência, atravessam as frestas das portas que protegem o porão. Somos banhados por uma luminosidade, por instantes, que, às vezes ilumina a nossa dor, parece que vamos morrer (quando na verdade é só um sinal que ainda estamos vivos mesmo após tanto amortecimento), ou então, ilumina a nossa alegria, o amor, somos capazes de sentir novamente um prazer puro, um gosto de infância feliz, de abraço verdadeiro, de amizade, de "eu te amo" em silêncio. Respiramos fundo para sentir!
São sempre poucos instantes, mas suficientes para nos lembrar quem somos, o que viemos fazer aqui. Dura até o esquecimento do momento seguinte...
Mas há os que sustentam esses instantes. São raros! Na simples presença deles somos iluminados por sua luz. Sentimos ainda mais fortemente este acesso de consciência. Estes seres são poderosos, porque são eles mesmos. Não fingem, não escondem a dor, não maquiam os sentimentos, por isso os chamamos "iluminados", "mestres", "gurus", "santos". Eles nos lembram que é possível o despertar em vida. Generosos que são nos ensinam o caminho que percorreram, nos oferecem o mapa de percurso. São o GPS ou o Waze da alma. Têm o localizador perfeito. Eles nos encontram. E se estivermos prontos nós os encontramos também.
São o símbolo externo do que há dentro de nós. Até sermos capazes de nos fundirmos no que eles são. A luz é a mesma. A nossa só está apagada.


















