quinta-feira, 23 de julho de 2015
A moral para Rudolf Steiner
"Se dermos às crianças preceitos definidos em forma conceitual, obrigando-as a chegar à moralidade na forma de ideias, surge a antipatia; o organismo interior do homem defende-se de preceitos morais abstratos ou mandamentos, ele se opõe a eles. Mas eu posso incentivar a criança a formar seus próprios sentimentos morais diretamente da vida, do sentir, do exemplo e, posteriormente, levá-la para o estágio catabólico: levá-la a formular princípios morais como um ser autônomo livre. Neste caso, eu estou ajudando-a em uma atividade que beneficia todo o seu ser. Assim, se eu der a uma criança preceitos morais faço dessa moralidade algo desagradável, repugnante, para ela e esse fato desempenha um papel importante na vida social moderna. Você não tem ideia do quanto os seres humanos têm sentido aversão a alguns dos mais belos, nobres e majestosos impulsos morais do homem, porque têm sido apresentados a eles na forma de preceitos, sob a forma de ideias intelectuais." (Rudolf Steiner)
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Autoconhecimento na política
Segue trecho de um post que escrevi no facebook em 17 de julho de 2014:
"Queria te contar antes o meu sentimento com relação à política, que começa com o meu entendimento sobre mim mesma e sobre o mundo. Tudo que tenho estudado desde que conheci o Prem Baba é o autoconhecimento, é conhecer a mim mesma, sobretudo minha "sombra", máscaras, etc. A psicologia estuda muito isso, Jung usava o termo "sombra", Prem Baba costuma chamar de "eu inferior" que é aquela parte nossa que toma conta de nós quando por exemplo resolvemos comer um doce quando estamos de dieta, ou trairmos uma pessoa que amamos, ou quando nos sentimos superiores (ou inferiores) em relação ao outro, etc. Quando passei a me conhecer e a reconhecer a minha sombra, percebi, olhando para trás, o quanto eu era inconsciente sobre minhas próprias atitudes. Isso não é novo, Freud já nos trouxe esse conhecimento, de que somos guiados pelo nosso inconsciente, que é ele quem decide por nós. Eu diria que somos guiados por nosso ego, por uma vontade de sermos amados e reconhecidos, por muita vaidade e orgulho (e a maior parte das pessoas não tem consciência disso). Essas motivações para seguir uma carreira, ou desenvolver-se profissionalmente, (querendo ser famoso, amado, reconhecido) são motivações falsas, não são os verdadeiros motivos que nos trouxeram para este planeta. Acredito que temos uma missão e precisamos estar fortemente ligados a ela e ao serviço que queremos prestar nesta vida.
(…) Passei a acreditar que o autoconhecimento é fundamental para qualquer profissão, mas sobretudo para os líderes que vão nos governar (tenho para mim que estes são os segundos a mais precisarem se autoconhecer, os primeiros são os professores, pois formam todas as outras profissões, inclusive os líderes políticos e, mais que eles ainda, os pais, de todas as crianças, pois é na infância que "máscara" e "eu inferior" são forjados). Então eu estava desesperançosa com a política por sentir os políticos muito desconectados deles mesmos (que nada mais é que ser desconectado do Deus que existe em nós, mas que para ser revelado exige de nós passar por estas camadas negativas, reconhecê-las, enxergá-las), por sentir os políticos agindo no "eu inferior" querendo se autopromover, preocupados com a imagem de si mesmos, competitivos, com pouca consciência sobre o coletivo.
Então lá na terça-feira conhecemos algumas pessoas que tem trabalhado no sentido de renovar toda essa mancha de corrupção estagnada nos poderes governantes da sociedade e eles também acreditam que para isso é fundamental que se crie uma rede de autoconhecimento, que os líderes sejam preparados e apoiados por um grupo de pessoas e, assim, compromissados consigo mesmos e com uma agenda a ser seguida e cumprida no congresso. A ideia é tão bonita que me soa quase mágica. Na prática é o seguinte: um grupo de apaixonados por política tem se reunido há 4 anos mensalmente e tem estudado soluções para o nosso país. Um consultor avaliou que entre os 513 parlamentares do congresso apenas 80 são eficientes, portanto chegaram à conclusão de que se conseguissem eleger 10 candidatos comprometidos com a mesma agenda (que é um programa elaborado nesses anos pelo grupo com 10 questões principais ligadas à educação, segurança pública e um outro ponto que não me lembro agora) eles poderiam representar uma bancada de aliados, independentemente do partido, que trabalharia de forma coesa com o compromisso de cumprir aquela agenda e de procurar aliar outras pessoas. O processo de escolha desses candidatos, que serão apoiados financeiramente na campanha e também durante o mandato, se dá à partir de uma avaliação do que ele fez em mandatos anteriores, caso tenha, e também de um conhecimento mais profundo do candidato através de processos de autoconhecimento que ele passa/passará em grupo. Nesses processos a ideia é que esses 10 escolhidos criem fortes laços entre si, de mais amplo conhecimento humano um do outro e de si mesmos. Porque seja estejamos falando de líderes ou de liderados, estamos sempre falando de pessoas humanas e muitas vezes precisamos nos lembrar disso, porque é um conhecimento do qual nos distanciamos constantemente, principalmente em ambientes competitivos, como é a própria política. Somos tão humanos quanto o líder corrupto, quanto o cidadão omisso do exercício de sua própria cidadania, e quanto todos os papéis desempenhados em nossa sociedade, somos sempre igualmente imperfeitos e precisamos nos lembrar que quando falamos do outro, falamos de um igual, portanto falamos de nós mesmos.
Perceber que existem pessoas com esse tipo de consciência trabalhando para colocar essa luz nas lideranças políticas me deixou extremamente feliz, pois é uma esfera da sociedade tão carente quanto cada um de nós, porém com poderes muito maiores. Uma luz colocada ali pode iluminar muita gente e trazer esperança e claridade para imensuráveis distâncias, ao alcance de muitas pessoas. Que assim seja!!!"
terça-feira, 14 de julho de 2015
A pintura, de tão linda parece a natureza
Uma vez meu terapeuta me disse "Aline, você é uma pessoa muito mental, com a sua mente você nunca consegue ver a beleza. Você se depara com a beleza da natureza e o impacto é parecido com estar diante de uma tela, ou uma foto, você não sente a beleza viva, pois todas as sensações passam por sua mente". Aquilo fez todo sentido para mim. Lembro que fazíamos sessões de terapia usando o corpo e exercícios de respiração. No final da sessão eu sentia que meus pés, literalmente, tocavam mais o chão. Sentia também uma abertura na visão. Ele, então, costumava me apontar uma flor no centro da mesa, ou uma planta do jardim, para que eu aproveitasse aqueles instantes de presença para "ver" a beleza, ou sentir seu impacto diante de mim. Para isso é preciso silêncio, vazio... Na semana que ele me disse isso lembrei da expressão "tão bonito que parece uma pintura". Nós dizemos isso. Que a beleza natural parece uma pintura. Mas, não, dizer isso é loucura. São as pinturas belas que parecem a natureza real, mágica, viva, presente. Esta foto parece a natureza que vi no Parque Burle Marx neste final de semana. Parece, por isso é bela. A beleza pura não parece uma pintura, isso seria desmerecer a vida. Pois a arte está sempre em dívida. Viver é mais. O máximo da arte é nos permitir sentir isso.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
A arte de preencher vazios com vícios
Ontem foi assim...
Vim visitar minha cunhada, minha sobrinha de um mês, ver esse céu e ser feliz❤️❤️❤️
De um lado o preenchimento da vida. De outro o vazio do distante.
Resultado = Estou muito viciada no snap. Quem também está?
O meu é: 👻ahmadaline
#tentandopreencherosvazios
#tentandoaproximarseparações
#tentandoeliminardistancias
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Beleza espontânea
Há uma certa beleza na natureza que se completa com um olhar atento.
Há uma exuberância espontânea que se mostra mesmo na ausência do olhar.
Estou me contradizendo por conta de um olhar para dentro.
A natureza está sempre completa.
Quem não está sou eu, por isso preciso olhar.
Amor antigo
Sempre fico tentando adivinhar a idade do amor nas rugas da humanidade. Fico encantada olhando o amor viver sem tempo e preenchido de histórias. Tive que fotografar essa cena de cumplicidade e doçura raras. Ainda existe amor, pensam os olhos tocados por esse encontro
Escrevi há 91 semanas, sobre esta foto:https://instagram.com/p/fLmYNjSRqx/
sábado, 4 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Nossas escolhas
A indústria industrializa nossos desejos, nossos pensamentos, mas não corrompe o nosso coração. Uma geração consciente vem por aí questionando tudo, se posicionando e nos fazendo refletir.
Eu não fui uma criança que gostava de tudo cor-de-rosa, eu não queria ser criança, me sentia discriminada e subestimada pelos adultos, então queria usar cores adultas e achava o rosa muito infantil. Cresci. Hoje a capa do meu computador é rosa, minha garrafa d'água é rosa, meu pijama é rosa, minha lapiseira é rosa… Cheguei `a conclusão que a indústria me pegou, colocou na forma o meu gosto, o meu olhar, a minha feminilidade. Tudo ficou rosa. Não há nada de mal nisso, mas a consciência sobre essas escolhas inconscientes nos permite fazer melhores escolhas, mesmo que sejam rosa.
Eu não fui uma criança que gostava de tudo cor-de-rosa, eu não queria ser criança, me sentia discriminada e subestimada pelos adultos, então queria usar cores adultas e achava o rosa muito infantil. Cresci. Hoje a capa do meu computador é rosa, minha garrafa d'água é rosa, meu pijama é rosa, minha lapiseira é rosa… Cheguei `a conclusão que a indústria me pegou, colocou na forma o meu gosto, o meu olhar, a minha feminilidade. Tudo ficou rosa. Não há nada de mal nisso, mas a consciência sobre essas escolhas inconscientes nos permite fazer melhores escolhas, mesmo que sejam rosa.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Um pouco sobre liderança
Ontem fui em um jantar na casa do chefe do meu marido. Sou tão admiradora dele e da esposa! Gente tão "gente como a gente", moram em uma casa aconchegante, perto da natureza e o que eu mais gosto é a simplicidade deles.
Ele tem uma equipe incrível com pessoas muito competentes, acredito que são os melhores da América Latina (no mínimo), meu marido entre eles. E o chefe vem e diz: "O que me deixa mais feliz com esta equipe é que vocês são muito melhores que eu, mas muito melhores, tenho orgulho de vocês, porque é assim que tem que ser mesmo"
Ele fala da equipe com admiração verdadeira. Um líder assim faz toda a diferença. Ele diz que só precisa soltar a rédea, deixá-los livres... E assim aprendi um pouquinho sobre liderança ontem. Foto da mesa do jantar.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Surpresa de amor
Todo dia é dia de grandes emoções no Colégio Nahim Ahmad. (Jamais subestime nossa capacidade de nos emocionar e emocionar os outros 😂). Rose é uma professora querida que completou 20 anos no colégio em fevereiro deste ano, quase este tempo todo trabalhando na alfabetização das crianças. Hoje, exatamente, ela completa 20 anos de casamento. Estávamos reunidas na escola (eu e algumas professoras) fazendo a nossa "Ciranda das Mulheres Sábias", um momento de relaxamento e autoconhecimento para todas nós, ao final, quando fazíamos nosso minuto de silêncio de olhos fechados, com a ajuda de algumas "anjinhos", o marido da Rose entrou com uma cesta de flores para ela, que por sensibilidade abriu os olhos antes de todas nós. Aproveitei para perguntar o que os manteve juntos por 20 anos e ele respondeu "o amor". Então quis saber o que ele mais gosta na Rose e ele disse "tudo". Foi muito especial e inspirador presenciar esse momento romântico do casal. Saímos do encontro todas preenchidas com este mesmo sentimento.
Depois, conversando com a Rose por facebook, ela me disse que o colégio e o marido são dois casamentos de muito amor na vida dela.
Para nós também, Rose, tenha certeza!
#SomosAhmad #AhmadApaixonadoPorVocê
Corrente do Bem
Felipe Ventura, esse rapaz de 24 anos é uma inspiração para os jovens do nosso Brasil. Sensibilizado com o Teleton, quando tinha apenas 8 anos, ele pediu aos pais para doar suas economias no banco da emissora que estava promovendo a campanha. Por uma série de coincidências a família foi confundida com uns amigos de Silvio Santos, que chegariam naquele horário, e foi parar nos bastidores da gravação. Quando esclareceram que o menino estava ali porque queria apenas doar o seu cofrinho de economias Hebe Camargo ouviu e quis levá-lo ao palco. Silvio Santos o entrevistou e fez um desafio "Felipe ano que vem você volta e me traz 2 cofrinhos?" No ano seguinte ele estava lá. Silvio pediu "ano que vem 3?" E assim acontece há 16 anos. No começo era uma contribuição de amigos e familiares apenas (esta contribuição continua e chegou a mais de 30 mil reais no ano passado), mas há 10 anos Felipe percebeu que poderia ir mais longe. Então ele passou a dedicar parte do seu tempo fazendo palestras pelo Brasil, deixando seus cofrinhos e arrecadando dinheiro para construção de hospitais e ajuda na manutenção das AACDs que existem no país. O projeto que ele começou com 14 anos se chama "Corrente do Bem", ano passado o valor arrecadado chegou a um milhão de reais. Por sorte, nossa aluna Ana Júlia, uma linda cadeirante, conheceu Felipe nos bastidores do Teleton e este ano o convidou para visitar o Colégio Nahim Ahmad e compartilhar a sua história com nossos alunos. Foi muito emocionante!
Eu me sinto honrada por proporcionar aos nossos alunos a convivência com Ana Júlia (e também por proporcionar a ela a convivência conosco, afinal sabemos da dificuldade que essas crianças passam para serem aceitas em escolas e na sociedade como um todo) e também por eles terem como exemplo este jovem, uma chama de solidariedade capaz de trazer luz e fazer brilhar o que cada criança e adolescente tem de melhor. Entramos com tudo nesta campanha. Até semana que vem chegarão nossos cofres de arrecadação e até setembro queremos reunir nossos esforços para contribuir com o Teleton.
CHE Guevara
Em uma venda de livros de um morador de rua, na calçada da Av. Paulista, ele nos mostrou este livro, no domingo passado. Conversamos tanto com ele que, quando eu disse que queria tirar uma foto da frase, ele me falou "é seu". Claro que não quis levar o livro de graça. Pagamos por ele. A frase linda é de #CheGuevara
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Quando estamos muito próximos
Quando estamos muito próximos, criamos fantasias, porque somos próximos, porque nos vemos, nos sentimos e sinto que você cabe em todas elas.
Quando não estamos próximos, criamos fantasias, porque estamos distantes, porque a distancia permite as fantasias e elas aumentam.
Quando estamos presentes, inteiros, completos, não criamos fantasias, vivemos, criamos a nossa história, sem expectativa do que poderia ser ou do que eu pensamos que seria, simplesmente com o que é. Você é. Eu sou. Somos. Juntos, presentes, criadores da nossa realidade. Então a realidade fica sendo nosso sonho. E o nosso sonho, que é viver essa doce realidade, a gente não sonha mais: vive.
Quando não estamos próximos, criamos fantasias, porque estamos distantes, porque a distancia permite as fantasias e elas aumentam.
Quando estamos presentes, inteiros, completos, não criamos fantasias, vivemos, criamos a nossa história, sem expectativa do que poderia ser ou do que eu pensamos que seria, simplesmente com o que é. Você é. Eu sou. Somos. Juntos, presentes, criadores da nossa realidade. Então a realidade fica sendo nosso sonho. E o nosso sonho, que é viver essa doce realidade, a gente não sonha mais: vive.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
O olhar da árvore
Ela estava tão sozinha diante desta linda vista que resolvemos oferecer nossa companhia e ela, aos nossos olhos, deixou a vista mais linda...
sábado, 23 de maio de 2015
Nascimento da vida e consciência de viver
Ontem eu vivi uma das maiores emoções de toda a minha vida. Eu agradeço muito por fazer parte desta família que me permitiu entrar em contato com esse momento tão mágico, tão verdadeiro, que acontece todos os dias, mas que não nos damos conta: viver! Porque estar diante de um nascimento renova todos os nossos conceitos sobre o milagre de viver. Alguém nascer faz respirar em nós a nossa própria vida e vibrar na pele o respeito e amor por cada vida deste mundo, por cada pessoa que nasceu e vive, e por todas que viveram esta experiência [viver] e não estão mais aqui. Tive um vislumbre de consciência como se estivéssemos a maior parte do tempo dormindo, sem notar a riqueza e o milagre que é a vida. Recebi um sopro forte de "verdade" vindo de dentro do vidro, de uma criança absorvendo seu primeiro sopro e de todos em volta, cada um à sua maneira, sendo impactados por isso.
A irmã do meu marido, Marília, deu à luz a sua primeira filha, minha segunda sobrinha. Ela teve todo o cuidado para que este momento fosse reservado e vivido intensamente por ela, seu marido, a equipe médica (que incluía sua prima Daniela e meu marido Paulo), ela estava um pouco avessa a expor este episódio a um grupo de pessoas assistindo ao vivo por um vidro, soava um pouco como uma "espetacularização" do nascimento, creio eu. Eu pensava da mesma forma, achava esquisito expor um momento tão íntimo. Mas da sala ao lado, onde aguardávamos o nascimento, recebemos a mensagem de que ela tinha liberado o vidro. Flora tinha acabado de nascer, de fora da sala vi aquela pequena criança ainda absorver suas primeiras frações de ar, todo seu corpo movimentar-se com este enorme desafio vivido pela primeira vez, vi meu marido emocionado chorando, tanto quanto eu, presenciando o "tornar-se mãe" de sua irmã mais nova. Vi os recém-pais tranquilos e tocados e a médica e prima segurando todas as pontas para não chorar junto com a família inteira. Do lado de fora os quatro avós não sabiam se riam, pulavam, choravam e faziam um pouco de tudo isso para verem um pouco mais, o que nem mesmo os olhos acreditavam serem capazes de ver. Os sentidos desacreditam que a vida existe. O coração pulsa no peito para provar que é verdade.
Eu me senti um pouco mais viva, um pouco mais "pessoa", um pouco mais"gente" do que costumo ser, um pouco mais humana do que minhas distrações permitem...
Enquanto eu chorava e tirava fotos, nem sei como, a cortina se fechou. Todos saíram. Precisei de alguns longos minutos sozinha para chorar mais e sentir mais a emoção que eu deveria sentir em cada instante da vida. Fui tomada.
Silenciei com os olhos fechados para estender, o máximo que pude, aquela sensação de presença e consciência que Deus me presenteou sentir. Fui arrebatada!
É exatamente a sensação que busco através da meditação: sentir-me viva, plena, completa, unida a tudo e a todos, mesmo aos que parecem dormir...
A sensação de uma compreensão maior que demora a chegar: "Como não chorei assim antes? Como não vivo assim emocionada? Eu deveria me sentir assim o tempo todo. Então é isso que é estar vivo!"
E, sinceramente, como não me sinto assim o tempo todo, não é sempre que estou completamente viva e desperta, não é sempre. Mas agradeço por cada instante em que isso acontece!
Flora acabou de nascer e já começou a nos ensinar. ❤️
(Na foto: de perfil, meu marido Paulo e, no centro, a prima dele, e da mãe, vendo toda a família no vidro e sendo com maestria a médica responsável pelo parto. Mágico!)
Uma lição de vida (e amor!) no elevador
Em 23 de fevereiro de 2015:
Depois de um dia longo de tristeza com a perda de uma amiga querida, de muitos abraços em seus irmãos tão queridos quanto, da tentativa de dar algum consolo a sua mãe, de uma visita a minha mãe, eu cheguei na garagem de casa exausta. Do elevador saem um casal de senhores distintos, alegres, bonitos. Eles sorriem para mim e meu marido e a alegria deles nos invade. Entramos no elevador, ele segura a porta e ela pergunta se moramos no prédio. Dizemos que há 2 anos. Ela explica que nunca nos viu porque não usa muito o elevador pois mora no primeiro andar e emenda a pergunta: vocês estão casados há quanto tempo? Assim que respondemos o senhor nos diz: "estamos casados há 55 anos".
Eu amo casais que estão juntos há bastante tempo, eles me trazem esperança e fé no amor, sempre que posso eu abordo e pergunto há quanto tempo estão juntos e em seguida lanço um "como faz?", adoro conversar com essas pessoas e ouvir como elas me respondem, dessa vez ele me disse: "Como faz? Eu acordo todos os dias, olho para ela, dou um beijo na boca e digo 'eu te amo', isso há 55 anos, todos os dias", ela ouvia sorrindo de orelha a orelha e os dois aparentavam muito mais jovens do que são. Aquela energia contagiou a gente de tal forma que eu abracei meu marido e desejei que possamos construir um relacionamento assim, verdadeiro, presente, amoroso, que seja um amor que possa se espalhar pelas pessoas, inspirar os mais jovens e nos ensinar a ser, cada vez mais, quem somos.
domingo, 17 de maio de 2015
Festa Infantil
Papai & mamãe da Amora, esse aniversário foi muito fofo!
Por muito tempo as famílias se acostumaram a fazer aniversários infantis em buffets com super produções que atendem mais a necessidade dos pais de se autoafirmarem do que a delicadeza da infância de ser só si mesma, com acolhimento e amor. As crianças precisam do lúdico, da imaginação, da criação para crescerem saudáveis e conectadas. Uma festa onde tudo está planejado (por adultos) e não há espaço para esta "criação", para a invenção da brincadeira como experimentação do mundo, não é uma festa infantil, pois a "brincadeira" mesmo, foi feita pelos adultos. Sobrou para a criança copiar, repetir, seguir o planejado. Assim agem os "monitores" dos buffets, propondo atividades o tempo todo para entreter os pequenos e despreocupar os pais.
Hoje, na festinha de 2 anos da minha sobrinha, fiquei feliz em ver a "produção" amorosa dos pais, que receberam os convidados na casa dos avós. Conforme a festa foi enchendo de gente e crianças, Amora, minha sobrinha, diante do "agito" pegava a mão de seu amiguinho querido (no caso, Paulo, meu marido) e pedia: "vamos para a cabana". A cabana ficava do lado de fora da casa, em seu espaço aberto ela podia olhar para cima e ver o céu, andar em seu cavalinho e atravessar montanhas e florestas sem sair do lugar.
Que possamos permitir à criança o sonho, a pureza de sonhar, antes de realizar o que ela jamais sonhou e que pode impedir que o sonho exista.
sábado, 16 de maio de 2015
Livros e livrarias
Eu já contei uma vez que um dos passeios familiares que fazíamos muito na minha infância e adolescência eram idas ao shopping. Meu pai tinha muita paciência com suas 4 mulheres (minha mãe, eu e minhas duas irmãs) ele adorava nos esperar na livraria, conforme cada uma ia acabando o que queria fazer a livraria era nosso ponto de encontro para esticarmos em um jantar ou sorvete. Era comum que cada um de nós escolhesse um livro, meu pai lia às vezes mais de um por semana e sempre nos dizia que com livro não se faz economia. Até hoje acho tão gostoso visitar as livrarias no final das compras (ou durante, ou antes). Sempre pego vários para olhar e procuro comprar apenas um por vez, nem sempre consigo. Hoje comprei esse primeiro "Como ficar sozinho", uma indicação do Léo Fraiman, o autor das apostilas de autoconhecimento e projeto de vida que usamos no Colégio Nahim Ahmad. O segundo se chama "O brilho do bronze", do historiador Boris Fausto, que vai ser um dos convidados da Flip deste ano, a festa literária de Paraty.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Amor de irmãe
Acerca desta foto, postada por minha irmã no facebook, em que a seguro com amor e cuidado em seu aniversário, eu escrevi a ela:
Eu ainda não tenho filhos e não sei se terei mas você e Deza foram o vislumbre da maternidade em minha vida. Eu me senti um pouco "mãezinha" de vocês, embora não tivesse um pingo de maturidade para isso... Sei que fui muito cruel, mas também amei muito e ainda amo. E para sempre vou amar você e Deza (Andreza Ahmad) como as filhas de uma gestação no meu coração.
domingo, 10 de maio de 2015
O dia das mães e a gratidão pelo feminino em mim
Estas são as reverberações do feminino em mim,
"Como um eco que sem querer ressoa"(Drexler)
Uma origem e um destino,
Uma partida e um caminho,
Um deixar-se e um vir-a-ser:
Mãe, filha, irmã
Aspectos da deusa, mãe divina,
Que habita todas as mulheres
Aquela que tem útero
De onde a vida brota
E faz continuidade
E faz eternidade
Para a matéria mortal.
"Eu recebi essas flores, beleza que não tem igual..." (Prem Baba)
Estas são as flores que recebi no jardim da minha vida. A primeira flor foi minha mãe, eu a recebi como mãe, enquanto eu me tornava sua primeira filha. Ela foi meu portal de nascimento neste mundo, fiquei em seu colo interno durante meses e passei pelo vão do seu corpo para tornar-me eu: Aline. Uma travessia que em uma esfera mais ampla ainda continua. Depois, ainda muita pequena, meu reinado acabou. A chegada das minhas irmãs dilacerou meu ego, moeu meu sentimento e, ao mesmo tempo, fez brilhar a minha vida para sempre. Eu recebi duas raras e femininas flores. Um jardim sagrado se compunha em minha vida. Não poderia jamais ser tão feliz e tão eu sem elas. Elas são a mais pura e real alegria da minha infância. Nem sempre estive consciente desta dádiva, nem sempre... Mas hoje estou!
Quanta beleza e amor neste jardim!
Quanta gratidão por estar entre vocês!
E mais uma flor chegou, há quase 2 anos e outra se prepara para chegar no mesmo ventre mais jovem das irmãs: uma mãe que tem revelado a verdadeira riqueza da maternidade nesta familia: Adelita. Uma mãe que nasceu da minha mãe e que contém muitos pedaços meus, sangue, cor, pele.
Minha mãe, rainha, Avanil, espero que você possa olhar seu jardim e ver as muitas reverberações e o florescimento do seu ser através de outros corpos. Somos pedaços seus! Obrigada por ter permitido esta existência, por ter nos escolhido como filhas e perpetuado esse império de mulheres na nossa família. Viva, você, mamãe! Viva! Viva!❤️❤️❤️
(Foto do almoço de dia das mães do ano passado, em breve a desse ano)
terça-feira, 5 de maio de 2015
A vida é mágica
A vida é mágica. Chega um momento que você olha para o céu e percebe. Era a imagem que faltava para concluir.
Tenho vivido dias de muito florescimento no trabalho, quero compartilhar com calma estas sementes, que são o processo natural da flor e do fruto do ser: lançar sementes!
Hoje conversei com vários alunos do colégio que me pediram esse contato individual e pessoal. Estou com uma listinha ainda para atender. Lembrei que quando eu era adolescente, na idade deles, eu sonhava em estudar psicologia e, embora não o tenha feito academicamente, eu me lancei por estudar por conta própria e, sobretudo, por me estudar, mais profundamente há uns 5 anos. As coisas foram clareando e passei a acreditar na minha sensibilidade e intuição. Eu não sou uma psicóloga, sou apenas um ser que quer ouvir, conhecer e acalmar, trazer alguma consciência e clareza a esses jovens. Eles me dizem que sentem isso de mim: paz, calma. Fui muito paciente até conquistar estes "pacientes" que me procuram espontaneamente para pedir ajuda. Eu só posso olhar para o céu e agradecer. Enquanto procuro curar a história deles tenho certeza que curo a minha: vertendo a frustração em sonho realizado, o vazio em preenchimento, o dom em ação. É tempo de colocar o amor em movimento!❤️❤️❤️
domingo, 3 de maio de 2015
Amortecedores de consciência
Por que tantos amigos (queridos) associam alegria, bem-estar, descanso e feriado ao consumo de bebida alcoólica? Pelo visto os publicitários das grandes marcas entram em nossas cabeças (na minha não nesse caso, mas quando se trata do consumo de moda eu preciso reconhecer que eu caio como uma patinha) e nos convencem sobre o que é felicidade. Até parece que a alegria cabe dentro de uma garrafa, e cabe mesmo, para os que acreditam nisso.
Só queria trazer um pouco de consciência para olharmos nossos vícios e refletirmos se esta alegria é verdadeira ou se é uma fuga daquilo que não queremos sentir?(seja o que for)
Os vícios tampam os buracos das sensações com as quais não queremos ter contato. Podemos até fazer uso deles, mas propagar que isso é um bom jeito de se curtir o domingo, ou sábado, ou o feriado? Para mim parece uma atitude sem consciência, uma confissão de angústia. Estamos mudando os valores de lugar, não?
Não estou julgando como quem olha de fora, mas como quem olha de dentro, pois também tenho meus vícios e acho que também sinto vontade, às vezes, de propagá-los para confessar-me. Então questiono a você e a mim. Que orgulho é esse que sentimos quando amortecemos nosso sentir consumindo, bebendo, comprando?
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Sobre decepções
Acredito que ficamos apegadas a dor, a decepção poderia durar um segundo se estivéssemos na presença. Mas nossa mente viaja para o passado refazendo as situações que decepcionaram, a gente deixa de viver o presente e sofre. O presente, em geral, é muito belo e vivo. Só traz alegria o instante. Mas quando a mente revê o passado ou inventa o futuro ela não sabe ser tão perfeita como foi o universo para tecer a nossa história. O que é certo é que o sofrimento traz aprendizados, e aprendizados são presentes que, por enquanto, só sabemos aprender assim... Quando vem a gratidão de aprender a decepção passa. Vivemos exatamente o que precisamos viver para aprender o que precisamos aprender. Se fosse diferente não aprenderíamos. E viemos aqui para isso, para nos curar de "desaprendizados" antigos. As oportunidades de cura estão aí mais fortes nestes momentos. (Assim acredito)
Se quiser conversar é só chamar.
Beijos de luz e amor
😉🙏💕😘
domingo, 19 de abril de 2015
Reflexão
A͟͟m͟͟o͟͟r͟͟ e͟͟ s͟͟o͟͟f͟͟r͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟ s͟͟ão͟͟ p͟͟u͟͟r͟͟o͟͟ m͟͟e͟͟r͟͟e͟͟c͟͟i͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟
A͟͟l͟͟e͟͟g͟͟r͟͟i͟͟a͟͟ é v͟͟i͟͟v͟͟e͟͟r͟͟ c͟͟o͟͟m͟͟ c͟͟o͟͟n͟͟s͟͟c͟͟i͟͟ên͟͟c͟͟i͟͟a͟͟ e͟͟ c͟͟e͟͟l͟͟e͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ o͟͟s͟͟ m͟͟o͟͟m͟͟e͟͟n͟͟t͟͟o͟͟s͟͟
Sobre a beleza e a foto
A foto tirei no domingo de Páscoa, em Jacareí.
A beleza de um instante invade todos os instantes.
A foto tem data, a beleza não.
Foto é registro, beleza é acontecimento.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Partilha de ontem
Desde o ano passado eu tenho refletido sobre esse chamado de compartilhar, reunir e oferecer partilha, espalhar amor e conhecimento... Por isso ontem foi uma data especial, por que eu consegui realizar esse "dharma"(missão, verdade) que vem chegando à minha consciência, cada vez mais forte.
Meu pai, antes de casar, foi padre. Sinto que, mesmo depois de se desligar da igreja, ele tinha esse dharma de entusiasmar as pessoas que encontrava com seu otimismo, com sua fé e espiritualidade.
O contato que tenho tido com o amor, na forma personificada de um mestre (Prem Baba) tem acendido a chama deste mesmo dharma em mim. Senti que o dharma também pode ser herdado, pode ser uma realização da família. Poder reunir pessoas e falar um pouquinho sobre isso, na forma da experiência vivida na Índia, é a realização deste dharma, é a realização da minha natureza, da minha verdade. Eu agradeço à cada olhar e à cada coração que estava lá comigo, celebrando a união, a sabedoria e o amor. Unidos podemos fazer muito! E há tanto a ser feito neste planeta. Cada pessoa tem tanta luz... Precisamos acender essas chamas!
Na vida corrida que levamos é muito difícil conseguirmos respirar, parar um instante e olhar para dentro. Tudo nos distrai e o nosso coração fica um pouquinho (ou muito) de lado. A proposta do encontro foi um pouco esta também: olhar para dentro. Sendo assim dá ensejo a outras reuniões.
Espero que no próximo encontro todos que se sentirem chamados possam participar. 💗
domingo, 12 de abril de 2015
A metáfora do "Cinquenta Tons de Cinza"
Tenho ainda muito a contar sobre a Índia, um país de assuntos inesgotáveis para mim, até porque se confunde com o país que eu mesma sou, sob a superfície de pele do meu corpo, com tudo que há por dentro dele, não fisicamente, mas os tecidos psíquicos, emocionais e espirituais que me preenchem. Talvez eu não os tenham escrito `a toa assim no plural, somente uma alusão aos inúmeros habitantes deste país chamado "eu".
Esse preâmbulo é só para justificar que vou mudar levemente de assunto para escrever sobre algo que ficou comigo. Antes da viagem fui assistir ao filme "Cinquenta tons de cinza". Eu viajei pensando que precisava escrever sobre ele e sabia que só teria tempo na minha volta. Não li o livro, falo apenas do filme, mas sobretudo da história, que me parece ser a mesma, até porque cinematograficamente pode não ser um filme com a sensibilidade da arte em sua expressão e linguagem. Este seria um assunto para outro texto, porque embora eu não seja uma especialista, eu admiro o cinema como arte e linguagem, meus olhos ficam preenchidos e encantados quando o diretor escolhe contar uma história por um viés novo, quando ele mistura a história a ser contada com o tipo de enquadramento, com as cores da direção de fotografia, com a música ou ausência dela… Enfim, não foi um filme que fez com que eu me apegasse a esses detalhes, mas a história me toca porque é uma história de amor, embora tenha toda essa embalagem "sexual". Sinto vontade de escrever sobre ele pelas críticas de que foi um filme fútil e bobo, ou de que valoriza a violência contra a mulher, ou de que é vulgar. O problema é que a maioria de nós leva uma vida bastante fútil, convive com pessoas (ou é a própria) que maltratam a mulher, seja com preconceito (no trânsito, no trabalho, na vida doméstica), seja com violência verbal ou física. Essa "guerra" de desrespeito com o "feminino" é muito mais vigente no "mundo real" do que no filme e isso se exprime muito nos relacionamentos afetivos. Então achei pertinente aproveitar o ensejo do filme para olharmos a nós mesmos, deixarmos o julgamento do filme um pouco de lado para esvaziados disso podermos ser mais transparentes com nossas próprias mazelas e violências reprimidas no nosso sentimento ou memória. Eu e diversas amigas fomos muito mais maltratadas em diversos relacionamentos "amorosos" que tivemos do que a personagem "Anastassia". Porque o "sadomasoquismo" não é só um modelo de relação sexual. O "sadomasoquismo" é o principal modelo de relação afetiva que permeia a maioria dos relacionamentos. Há sempre um "agressor", no casal, a figura que domina, que manda. E há um "dominado", uma vítima que cede, que atende e aguenta tudo, para que ela possa se queixar e lamentar eternamente. Pode ser que esses papéis até se invertam eventualmente, mas se formos detalhistas e sensíveis poderemos encontrar esses perfis em nossos próprios relacionamentos e em todos os relacionamentos a nossa volta. Veremos também o prazer que um sente em humilhar, mas também o prazer que o outro sente em ser humilhado, por mais que seja difícil reconhecer. Esse jogo de violência velada é tão comum que a sociedade se acostumou a chamar isso de "amor", de "relacionamento amoroso", de namoro, de casamento. Esta não é uma teoria minha, a psicologia está cansada de saber disso. Sempre comento que tenho aprendido demais com meu mestre Sri Prem Baba, ele tem inúmeros satsangs (uma espécie de palestra em que os textos são redigidos e ficam disponíveis em seu site) que falam sobre isso. Como este a seguir que comenta sobre onde podemos perceber o sadomasoquismo nos relacionamentos:
"Na necessidade de controlar o outro; na dependência ou na codependência que você tem do outro. Na necessidade de que o outro sofra para que você se sinta seguro; necessidade do outro estar por baixo, para você se sentir por cima; de ver defeitos no outro, para você sentir que tem alguma virtude. Essas são formas de exercer poder sobre o outro. São formas de eternizar o jogo do sadomasoquismo. (…) Ora você é o sádico, ora você é o masoquista. Esses papéis se alternam na relação - às vezes, dentro de um minuto, dentro de uma hora, semanas, meses ou mais.
Se você está no papel do masoquista, você se sente uma vítima indefesa da maldade do outro. Se você está identificado com o sádico, você vai agredir ao outro com o seu falso poder. Existe um abuso de poder. O sádico humilha o outro para exercer poder; e o masoquista se sente humilhado para obter poder. Você tenta mostrar para o outro, o quanto ele está sendo cruel com você; o quanto ele é responsável pela sua infelicidade. É sempre um jogo de acusações, e nesse jogo a energia é consumida. Nesse jogo, você vai se esquecendo cada vez mais da sua identidade, e vai fortalecendo cada vez mais a identificação com a criança que precisa ser amada, reconhecida e considerada."
Esses mecanismos podem ser observados, porém para explicá-los preciso me apegar ao que acredito e tenho aplicado `a minha própria experiência de autoconhecimento. Portanto é uma veracidade que tenho vivenciado em mim. A raiz está na infância, em nossos relacionamentos com as pessoas que participaram da nossa criação e que contribuíram para a nossa conclusão de mundo. Ali se instalaram "crenças" e as crenças foram tomadas como verdade. Ali estabelecemos o que é um relacionamento; as maneiras de manipular o poder; como se comporta uma mulher; como se comporta um homem em uma relação; ou na forma invertida; como nunca devemos nos comportar.
Voltando um pouco ao ponto do filme, o que também me interessa é o sucesso que ele fez. Eu sou uma escritora, isto está gravado na minha vocação, mesmo que nenhum livro meu tenha (ainda, por enquanto) sido publicado. Eu me comunico na forma escrita com o coração nos dedos. Mesmo que o livro não seja sucesso de crítica – eu sei bem o que é beleza literária e reconheço que provavelmente eu não a encontre no livro – admiro quando alguém escreve e faz uma multidão se identificar. Foi, evidentemente, um fenômeno! O que o fez ter este sucesso todo? Na minha opinião foi a riqueza dos personagens principais, ela uma mulher comum, que poderia ser qualquer leitora ou espectadora, sem nenhuma qualidade de beleza, riqueza, ou inteligência muito além da média (por favor não analise a ordem das qualidades que descrevi pois pode acabar descobrindo demais sobre as crenças desta que escreve), enquanto que ele é um príncipe moderno: lindo, rico e inteligente. Ao personagem "Grey" podemos acrescentar a característica tão perseguida nos dias de hoje: "bem-sucedido". Mas com tanta perfeição ele poderia se tornar "chato", "tedioso", "boring", como se diria em inglês (um termo que uso por expressar melhor, ao meu ver, sonoricamente, o que procuro dizer). Os príncipes dos contos de fada só duram até a infância, cada vez menor, aliás, as crianças são precoces. Logo as mulheres se interessam pelos "cafas", "bad boys", então a autora de "Cinquenta Tons" foi capaz de fazer este príncipe, que é um "gentleman", cavalheiro, carinhoso, educado, ter esta "pimenta" agressiva. Foi a combinação perfeita para satisfazer o desejo feminino pelo masculino. Grey tem uma doçura, mas a sua virilidade fica intacta pelo apelo sexual que se estabelece entre os personagens. Anastassia realiza suas fantasias sexuais, mas ele realiza todos os sonhos de romance encantado da maioria das mulheres. Como chamar este romance de violento se ele a trata como a maioria das mulheres jamais foi tratada? Ou então não se ouviriam suspiros no cinema. O que acontece no quarto reservado (no filme) é combinado por contrato, com antecedência. Não acontece o mesmo quando um homem trai a confiança de uma mulher, quando a rejeita, ou a trata com descaso, na vida cotidiana, no passar dos dias, diante dos amigos ou na presença-ausente de uma companhia que não existe, e isso vale também ao contrário. Há mulheres que fazem o mesmo, porém ouvimos menos estas histórias, pois os homens não estão tão acostumados a contar as decepções que vivem e sentem.
Enfim, recomendo o filme, que seja visto pelos homens com esta atenção: o que nele encanta tanto as mulheres? Garanto que não é o chicote, mas pode também ser, em alguns casos. Por que não conversar sobre sexo e intimidade com seus pares?
E que seja visto pelas mulheres, para que se alimente o sonho, daquelas que o tiverem, e para que se reconheça a metáfora. Afinal, o sadomasoquismo, entre quatro paredes, é apenas uma metáfora dos relacionamentos que vivemos o tempo todo, porém com muito menos consciência e, muitas vezes, com muito mais violência e desrespeito pelo outro.
Minha irmã
Há as irmandades de sangue, mas não é só isso. Esta é uma irmandade de alma, um vínculo de origem mais profundo...
Há pouco tempo me questionei, afinal, onde este vínculo nasceu, ou onde ele se fez forte e a memória me trouxe a cena.
O escuro era aterrorizante. A idade era tenra e a noite misteriosa, eu ainda não sabia que podia sair viva desta morte que é o sono. Eu tinha somente uma cúmplice para atravessar o medo. Por isso dormíamos de mãos dadas e guardávamos nosso segredo. Quando o espanto viesse, quando eu me sentisse só no silêncio eu apertaria sua mão. A minha mão seria apertada de volta. Era o jeito de saber que eu não estava só naquela jornada até o dia amanhecer. Ela na cama mais baixa às vezes fazia o mesmo e eu prontamente respondia sem palavras apertando sua mão, assim caminhávamos juntas sem usar os corpos, somente a alma. Assim atravessávamos pântanos sombrios, nuvens de medo e pesadelos.
Deza, porque você existe eu sei que jamais estarei só neste mundo. A vida com você é um vale sem solidão.
Viva o seu dia, minha irmã, Andreza, Deza, minha querida, amada, maninha!!!
Que você saiba atravessar sozinha todos os desertos da sua existência, ciente de que uma mão a sustenta e a acompanha, uma mão da qual eu fui apenas expressão e canal, pois esta mão é a de todos as pessoas que a amparam amorosamente, e também das ausências dessas pessoas, pois até na ausência delas Deus, na forma do seu coração, te abraça e te ama. 💗💕
Você é seu maior dom!
Beijos com amor
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Cada vez mais perto de mim
Alguns amigos não se conformam com a loucura que eu fiz.
Outros me acham linda!
O que cada um sente ou acha é uma disposição do coração. O meu só agora se abriu para aceitar minha irmã que quase não deixa o cabelo crescer, está sempre curtinho. Os padrões de beleza mudam, o nosso gosto e olhar também. Às vezes olho no espelho e vejo meu rosto de um jeito que eu não conhecia. Eu me vejo com cara de força e de coragem, como um personagem mitológico capaz de acabar com todos os demônios da história. Parece que me tornei uma guerreira. Logo eu que sempre me senti tão frágil. Se eu soubesse que este simples gesto (agora parece simples e bobo, antes não) de raspar o cabelo, me traria tanta força, teria feito antes.
Acho que minha vida antes disso foi de sempre corresponder às expectativas dos outros em relação a mim. (Vide minha amiga de faculdade que prometeu andar pelada na praça se eu voltasse careca. Ela tinha certeza que eu jamais faria...rs Não vou dizer o nome para não comprometer a amiga), eu fazia igual ou menos do que esperavam, eu não sabia me superar, ir além, atravessar... Agora eu sei. E é emocionante, delicioso, se desafiar e se conquistar: ser si mesmo! Cada vez mais perto de mim.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Em um primeiro de abril
Há 6 anos, era 2009, no dia 1º de abril, eu estava em casa, desesperançosa com a vida, com o futuro, principalmente na área dos relacionamentos. Então recebi no meu celular uma ligação. À partir daquele dia tudo mudaria, minha vida daria inúmeras voltas, voltas que continuam sendo dadas até hoje. Era ele! O homem que entrou no meu coração 5 anos antes, mas que eu não sabia que ainda faria pulsar amor no meu peito. Bastou ouvir sua voz e a palpitação começou. Não nos falávamos ou nos víamos há 4 anos e meio. Ele tinha ido morar do outro lado do planeta, nós dois tínhamos começado outros relacionamentos e eu nem podia imaginar que bem em um dia 1º de abril sua voz voltaria a soar em meus ouvidos e espalhar doçura em meu corpo. Em poucos dias a certeza que tive na primeira vez que o vi ficou novamente evidente: era (e é!) o homem da minha vida!
Nessas muitas voltas eu fui ao seu encontro em uma senda de um país longínquo, ele mudou de país, meu pai faleceu, ele enveredou por esta mesma Índia (que agora descubro ser minha também), conheceu um homem que, hoje, é uma inspiração que me preenche completamente (Prem Baba), e este foi apenas nosso primeiro ano juntos.
Ele diz que quando nos conhecemos eu parecia uma criança. Quando nos reencontramos ele brincava que eu tinha entrado na adolescência, sinto que agora, careca, ao seu lado, eu renasci como mulher. Um feminino além das aparências, do que é possível ver ou julgar, mas suscetível ao sentir.
E esta história mágica que vivemos se tornou o primeiro romance que escrevi. Sai esse ano e espero que envolva muitas pessoas na energia da confiança e do amor: algumas das verdades da nossa existência.
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