quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pensando só

Vou voltar para casa e comprar uma poltrona
Vou arrumar minha mesa
Ter lápis de cor e canetinha para pintar meu sonho
Vou fazer coisas que estão escondidas do lado de dentro
Vou realizar
Nem é ano novo
O ano está no meio e meus planos ainda nem chegaram ao começo.

Só minha voz lê o que eu penso.

Sonho

Um sonho acontece se estivermos devidamente acordados.

Silencio

Eu não sei como fazer o mundo ouvir...
Por isso silencio.

Escrevo para os olhos

Eu escrevo para os olhos
São os olhos que procuro
Esta palavras seguem e clamam por olhos.
Eles não vem.
Eles não vêem.

Se soubesse que teria que escrever para mim e por mim, eles viriam?
Se soubessem que escrevo para eles e por eles, eles veriam?

Canudo

E ele me confidenciou que durante a viagem de ônibus para Paraty, a sua primeira viagem sozinho para um mundo que se abria, ele se apaixonou. Chegou cedo, nervoso, ansioso, sentou-se à janela quando tudo ainda era vazio. Logo outros passageiros se acomodaram e, bem ao seu lado, ela, com cachos negros e face rosada. Durante o percurso a saia longa dela dançava sobre seus pés, ele sentia um arrepio ao imaginar que se os seus olhos fossem nas pontas dos pés só teria que olhar para cima para ver o contorno das pernas dela sob a saia. 

Na última parada decidiu "preciso beber alguma coisa". No posto comprou uma lata de cerveja e voltou correndo para seu assento. Era também a primeira vez que beberia cerveja. 

Minutos antes da saída ela volta ao ônibus e sorri para ele dizendo que nunca tinha visto antes alguém tomar cerveja de canudo.

Ele ficou tímido, vermelho, com vontade de jogar o canudo pela janela... "Mas o quê que tem? Você está tomando seu refrigerante de canudo, por que não posso fazer o mesmo com a cerveja?" 

Ela disse que achou estranho, só isso. 

O silêncio reinou até o fim da viagem.

Acontecimentos

Não são palavras que produzem acontecimentos, são os acontecimentos que produzem as palavras.

Vislumbre da verdade

Sou sozinha por dentro. Minha solidão às vezes grita meu próprio nome, eu me confundo. Quando ouço "Solidão" acho que sou eu quem deve responder. Eu me escondo, reclusa em minha vida, eu me isolo do mundo e das pessoas. Deve ser medo de ser descoberta. Na vida é melhor fingir ser qualquer outra coisa, menos si mesmo, para não sofrer. Quando escrevo posso ser um vislumbre da verdade que carrego, depois é só dizer que estava inspirada em outra gente ou personagem. Aqui ficam as verdades minhas... Nas palavras! Não sei onde aprendi a adorá-las tanto... Tanto...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Viagem a Paraty

Às vezes escrevo somente com palavras pensadas. Vou construindo na cabeça todo um texto íntimo e belo - para mim é sempre belo - de coisas que nunca serão ditas ou escritas. Faço isso enquanto observo  a vida. Não é sempre que observo, embora a vida aconteça a todo e cada instante...

Hoje estou realizando um sonho, e acaba sendo uma metalinguagem eu sonhar acordada em literatura (pensada, não escrita) na viagem de ida para uns dos mais importantes eventos literários do país, a FLIP. 

(Muita gente pensa que o "F" é de "Feira", mas não é, é de "Festa", o que faz toda a diferença: Festa Literária Internacional de Paraty. E Paraty, me remete a um diálogo: 

- Essa cidade é Paraty.
- Para mim?
- É, para você!

Aliás, um simples diálogo desses que só acontecem no meu pensamento).

Esta foi minha primeira viagem totalmente sozinha (parcialmente sozinha é quando há alguém nos esperando no destino), o que me permitiu, até agora, muitos momentos para literar. Imaginei-me até outros personagens vivendo a minha experiência. O mundo é tão rico, o olhar que às vezes empobrece as horas... 



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ana Thomaz

Por volta de 10 anos atrás conheci uma professora de teatro da minha irmã, Adelita, e ficamos algumas horas conversando. Eu não lembro onde estávamos, nem muito bem como aconteceu este encontro, mas algumas coisas que ela me disse ficaram comigo até hoje. Ela tinha uma paixão pela educação e, assim como eu, já conhecia o projeto da Escola da Ponte, de Portugal. Então tive uma rápida empatia com ela. Quando minha irmã ficou grávida - minha sobrinha está com 1 mês - me disse que faria a preparação corporal para um parto natural com essa sua ex-professora, a Ana Thomaz. 


Cada vez que minha irmã voltava de uma sessão com ela nós conversávamos sobre como tinha sido e eu sempre pedia para minha irmã escrever tudo que tinha aprendido, porque eu mesma não queria me esquecer de nada. Eram toques que a faziam ter uma visão completamente diferente sobre a dor, as inquietações que estava passando e sobre seu próprio corpo. 


Ana estava com minha irmã no momento que Amora, minha sobrinha, surgiu neste planeta pela primeira vez. Eu tive um pouco de ciúme, ou inveja, por não estar lá nessa hora. Mas então minha outra irmã, Andreza - a do meio, sou a mais velha e Adelita é a mais nova - me enviou esse vídeo. Depois de assistí-lo eu passei a ter inveja da minha irmã por ter ao seu lado uma companhia tão iluminada neste momento mágico-rasgador da vida. 


O vídeo é uma travessia de uma hora. Um percurso suave para ser feito inteiro, atento e aberto. 


Que possa trazer a você muitos insights como trouxe para mim:




Aqui você encontra alguns trechos reveladores por escrito para ter uma ideia do quanto o vídeo é imperdível.
Aqui você encontra o blog da minha irmã Adelita Ahmad, com muitos depoimentos transformadores, inclusive o que conta sobre o nascimento da Amora.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Poema de um amor maior

Sentir o coração bater
Sentir a dor crescer
Eu não vou dizer que é fácil viver,
Mas vou dizer que é fácil:
Amar você

Sentir seu respirar
Sentir sua luz chegar
Não vou te enganar,
Se acaso eu não aguentar,
me permita chorar, com você...

Sentir você crescer
Presenciar seu caminhar
Você irá cair
Mas vou te levantar
Quantas vezes você precisar

Sentir o sol brilhar você
Sentir a lua na sua pele
Eu não quero que esse momento se encerre...

Mas um dia a vida vai encerrar nosso instante...

Até lá quero sentir você
Até lá nossa vida no meio
Vida de se lambuzar
Com você, no meu seio!

(em um dia muito especial!)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Olhe bem para ela

Olhe bem para ela
Olhe nos olhos
Janela de sonhos
Alma dos desejos.
Olhe no encanto
No canto dos olhos
Na raiz de todos os beijos.
Olhe e se encante
e se cante
Cante para ela
Como se fosse única
Sozinha e bela.
Olhe nessa vida,
Porque uma filha
É a vida toda!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

As histórias que ninguém lê

Abro a janela da varanda e meu olhar percorre a rua, a atravessa, até chegar ao prédio em frente. Ali, em uma janela, vejo uma pessoa pequena, dessas que a idade não chega a preencher os dedos de uma mão e que muito deve usá-la para responder aos que perguntam: "Quantos anos você tem?"Imediatamente lembro da criança, aquela que um dia fui e com quem ainda me deparo nos momentos mais inesperados, mas que não encontro quando a procuro, tampouco a compreendo e, ainda assim, a sinto viver. Respondo suas perguntas como um adulto tolo que só enxerga uma realidade limitada. Ela jamais me responde, se esquiva e sorri. Penso que por dentro ri de mim. Ri das alegrias perdidas, como se fossem vitórias. O abandonado comemora os fracassos daquele que o fez sofrer. Não levei minha criança muitas vezes a sério - e talvez a tenha levado a sério demais -  não deixei que brincasse de realizar seus sonhos. Meus sonhos eram de cristal, não podiam ser brinquedo, até hoje se exibem no alto de uma estante como troféus impossíveis. Realizar um sonho é ter uma história na cabeça e repetí-la na vida. Tudo que fiz foi manter histórias na cabeça, ou presas em papéis, em cadernos, escondidos em gavetas empoeiradas e bolsas velhas. Olho para janela e a criança não está mais ali, olho no espelho, a procuro e não encontro. Restam-me as histórias, as minhas. Ninguém lê. Por conta disso meu troféu continua impossível...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Des-existir

Eu não tenho nome,
(Isto eu só conto em segredo)
Tenho complexos, reflexos, sem nexo
Sobre quem sou.
Eu des-sou,
Eu des-faço,
Eu des-ço.

Eu des-existo,
Isto!
Eu des-isto.


domingo, 3 de março de 2013

Se eu fosse água

Se eu fosse água
Não seria rio, nem mar.
Seria um lago parado.
Queria ter água transparente e lisa,
Refletir o céu azul
E a face dos homens e mulheres à minha beira.
O vento faria rugas em meu rosto,
E eu ameaçaria derrubar os barcos
Para que não me vissem despenteada.
Assustados, eles iriam embora
Até que eu pudesse me recompor.

Eu seria um lago como Bled,
Que dá nome a uma cidade na Eslovênia,
Um lago que ainda hoje afaga meus olhos,
Inspira minha poesia e minha vontade de voltar,
Só para contemplar...

Quando a gente ama
Quer ser o que é amado

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Biópsia

Biópsia é uma palavra feia.
Biópsia agride, assusta

Biópsia é uma palavra sem afeto,
Uma palavra chão.

Biópsia é uma palavra medo.
Uma palavra não.

Biópsia é complicado...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Twitter



Pureza: espaço inalcançável de extrema beleza. Incerteza: espaço de emoções impuras.Tereza: nome da minha tia. Surpresa: inerente a literatura  


#tuiteratura

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Lampejo de esperança

Sinto sua falta e ela é doce e gelada
E quente e súbita

Sinto uma pedra repousando em meu coração
E espero o tempo certo para que crie asas
E voe ao seu encontro.

Sinto um lampejo de esperança
Que revê o futuro sem as lágrimas do ontem

Você encanta meu riso
E faz cantar meu sentimento
E este canto soa como guizos
Que preenchem de alegria este momento

Ainda espero como esperei tanto
E tanto tempo
Ainda estou aqui contida em minha própria espera
Desprovida do espanto
E do contentamento...

Hei de buscar cada memória ensolarada
E construir com tijolos, cimento e amor
Uma nova morada para o que sinto

Porque o que sinto não cabe mais em mim.

9:23 AM - 3/5/2009

Eco do silêncio


Esta noite ouvi o eco do teu silêncio
Senti o vácuo do teu hálito
A ausência do teu abraço
 
Senti o que quero sentir sempre
Se o meu corpo permitir
E minha pele suportar
 
Senti, sonhando que também sentisse algo
Mas a distância me impede tocar-te
E me permite chegar-te só com os dedos do sonho
Mas só as pontas dos dedos...
 
Meus lábios comprimidos desejam encontrar os seus
No encaixe que somente a peça certa preenche o vazio
 
Eu poderia te escrever os mais belos poemas
E as mais lindas palavras
Mas tampouco consigo
Com esta falta que me consome o âmago e a casca
 
Vejo você em lugares que você não está
E sonho sua presença
Com os olhos da minh'alma
 
17:17 - 30-04- 2009

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Enigma

Eu preciso escrever uma história,
uma ideia,
como se houvesse algo sussurrado e inaudível
que eu precisasse alcançar.

Preciso decifrar os sons,
compreender os mistérios,
estar alerta para qualquer coisa que possa ser dita
ou que esteja calada
por fraqueza da vontade
ou por excesso de intensidade
que não me permita captar.

Há forças que me movem e que desconheço...
Sou meu próprio enigma
Como uma esfinge disposta a devorar-se
(Decifro-me ou devoro-me)

E como me parece impossível decifrar
Tenho me alimentado de mim mesma
(Em um processo de nutrição pela palavra)



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Frascos de vida

Por que essa mania de dividir a vida em frascos?
A vida não cabe neles, nem corresponde aos rótulos.

De que substância é feita a vida?
É fluída?
É sólida?

A vida é tecida por mãos invisíveis.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sono

O sono rasga meu olhar,
A esfera vira um risco de pálpebras que se magnetizam.
Abraçam-se os cílios...
Eu, sem abraços, durmo.
Leve-me, sono!
Para que sonhar não seja breve.
Para que viver seja mais leve.
Leve-me!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cabelo branco

Escrevo por humanidade
Dizeres escritos sem destino
Escrevo mentiras como se fossem verdades
E desapego de palavras quandos as ilumino.

Reúno versos, linhas e rimas
Descrevo os instantes... Crio fascínios!

De minha cabeça nascem fios brancos de cabelo crespo
Não tenho vontade de esconder.

Já há tanta falsidade no mundo...

Eu no mundo

Quem sou eu no mundo depende mais de mim do que do mundo.
Quem sou eu no mundo depende mais do mundo do que de mim.
O mundo e eu, ou eu e o mundo, somos entidades misturadas.

Silêncios

A poesia é feita mais de silêncios do que de repetições.

Sobre a minha paixão pela moda

Preciso escolher como vestir a minha alma
Que nomes usarei para contá-la?
As roupas que comprei, trajes de pano, sem significado
Arames pendurados como bijuteria
Só posso ter perdido meu tempo com o look errado...
Agora o tempo tem se perdido de mim.

Passarinho

Ele sempre me pergunta:
– Amor, o que você é?
Algum passarinho,
para acordar assim tão cedo e sair de fininho?

– Eu, quando acordo, nem vejo ou sinto
Eu só te beijo, mesmo dormindo.

Tempo

O tempo é um cálice derramando todo o líquido do mundo em um transbordar sem fim.
Eu temo morrer afogada...

O tempo é um alarme ensurdecedor.
Eu temo amanhecer surda.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Biscoito Fino

Meus escritos são biscoitos finos,
Mas não mastigue, quebram.

Não são doces, nem ásperos,
Se os quiser:
Prove!

Constatação.

Dançam em mim tantas aventuras.
Eu digo "dancem!"
Elas pulam, se sacodem, remexem lembranças...

Parada penso:
"Eu quase não vivi..."

Deram um salto sobre mim as incertezas.
Para estar certa estive muda, intacta, estática.
De tanto ficar quieta aprendi a gritar,
Em silêncio.

Ninguém ouve...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dicionário

Quero comer as palavras, sentir o gosto cálido das letras, beber os sons, significados.
Quero comer os livros, mastigar as páginas, os conhecimentos, as conclusões...
Quero comer as informações, as histórias, os dizeres, os poemas.
Há tanta fome.

Quero engolir os capítulos, fazer com que desçam goela abaixo,
Quero engolir as frases, as crases, os acentos, as pontuações,
Quero engolir até que constituam meu sangue, minha alma...

Quero comer os textos, os pretextos, os parágrafos, os verbos,
Até que os nomes das coisas se tornem meu próprio nome,
Depois deste banquete, palavrete, verbete, o cacete(!)
Ainda tenho fome.