quarta-feira, 28 de junho de 2017

Uma viagem pode ensinar

Toda viagem é uma forma de aproximação com o que somos. Pois distante da vida que levamos, acabamos nos abrindo mais para uma natureza própria, algumas vezes esquecida e distante... Nosso comportamento nas viagens é mais presente e atento, nosso olhar procura conhecer o novo, o nunca antes visto. Temos um tempo a mais para apreciar o belo. Um pouco de ócio, mesmo em uma viagem corrida, pois, ainda que sobrecarreguemos o corpo, liberamos a mente. 

A mente atribulada é como uma janela suja. Não é possível dirigir o veículo sem ver o que está à frente. Pelo vidro empoeirado [mente] não vemos o mundo como ele é. Temos uma percepção empoeirada do mundo. Com a mente uma pouco mais limpa, como acontece durante as viagens, captamos as belezas de forma mais pura. No caminho de volta (como esta foto, tirada na estrada de volta de Alto Paraíso, no último feriado) precisamos lembrar de trazer o mesmo olhar que levamos para a viagem, para que possamos olhar a nossa vida e reconhecer as nossas belezas. Para quem está para sair de férias este pode ser um excelente compromisso. Para quem vai continuar no trabalho, encontrar práticas de esvaziamento da mente vão contribuir para uma vida mais saudável e feliz. Você fica ou vai? #viajar #viagem #altoparaiso #goiás #chapadadosveadeiros #consciência #despertar #meditação

domingo, 25 de junho de 2017

A sabedoria da natureza

Queria lembrar que o aniversário de São João coincide com a época do solstício de inverno (no hemisfério sul). Após esta passagem (da noite mais longa do ano, com mais horas de escuridão) passamos a caminhar para um período de luz, com dias cada vez mais longos (mais horas de luz gradativamente) até o natal, nascimento de Jesus, que coincide com a época do solstício de verão (no hemisfério sul, no norte é invertido...). O solstício de verão é o dia com mais horas de luz do sol.  Com a passagem do natal caminharemos novamente para a escuridão do inverno, gradativamente. 

Podemos observar esses símbolos e a interferência da natureza no nosso humor, estado de espírito, recolhimento, retraimento, expansividade, como um coração pulsando mais para dentro e mais para fora conforme a época do ano. 

Antes das cidades estávamos conectados à natureza e vivenciávamos esses fenômenos mais inteiramente, não tínhamos equipamentos para nos proteger do frio, calor excessivo, escuro, claridade. Éramos impactados fortemente pelo poder da natureza e reverenciávamos a sua sabedoria e beleza. 

Mesmo não acompanhando tão diretamente o que está acontecendo, como todos os seres vivos, continuamos impactados pela Terra, pelo céu, pelo mar... Que tal observar, sentir, estar presente e reconhecer como lidamos com isso?

(Aline Ahmad, inspirada no aprendizado que tive com Marilia Campregher, que estudou este assunto)

domingo, 11 de junho de 2017

Um passeio com Sócrates e Platão

Hoje acordei como um pássaro de amplas asas recebendo o calor do sol e o abraço do vento, em pleno vôo. As imagens me levam para além das palavras. Tudo porque ontem me encontrei com Sócrates pela primeira vez. Eu já o tinha ouvido de muitas bocas e também o tinha conhecido por meus olhos muito distraídos deitados em traduções pouco cuidadosas dos escritos gregos de seu discípulo Platão. Mas ontem, quando saí do curso "Fedro e a loucura da alma", com Cristina Rodrigues Franciscato, na Palas Athena, senti um ímpeto mais forte. Sócrates merecia meu olhar atento, através das palavras de Platão. Eu tinha sido levada pela mão aos arredores de Athenas, caminhado por lagos e relvas, repousado abaixo de um plátano, ouvido a música de verão do canto das cigarras e observado a atmosfera das ninfas. Foi inevitável que algo ficasse comigo desse passeio. Abro as páginas de "Fedro" e me emociono com a inteligência desse mestre (eu bem conheço a dádiva de ter um mestre vivo!), me identifico com Platão, esse discípulo que coloca nos lábios de seu mestre, Sócrates, as suas mais sublimes palavras. Claro, me questiono se admiro a um ou a outro, pois de ambos recebo versos coroados pelo tempo e pela mais almejada sabedoria. Sei que já não escrevo mais como eu mesma, como se tivesse respirado os vapores daquelas presenças e me tornado inspirada pelo que vivificaram na humanidade. Era assim: a pítia, sacerdotisa de Apólo, inspirava seus vapores, as folhas de carvalho (a árvore sagrada de Apólo) para dizer seus dizeres. Ao inspirar ela se tornava inspirada nele, habitada por ele. Debruço as narinas neste livro, respiro um pouco mais e escrevo. [Que convencimento a literatura é capaz de trazer!] Por quantos ares esse texto me leva a voar! 
Fedro pergunta a Sócrates se ele acredita em um mito.
"— Todo aquele que (...) se propuser a explicar cada um (...) precisará de muito tempo para isso. Mas não disponho, em absoluto, de qualquer tempo, e a razão para isso, meu amigo é a seguinte: continuo incapaz (...) de conhecer a mim mesmo, de modo que me parece ridículo investigar coisas sem relevância quando ainda permaneço ignorante (...) empreendo a investigação não de tais coisas, mas de mim mesmo"

sexta-feira, 9 de junho de 2017

É impossível ferir apenas o outro

É impossível ferir o outro sem se ferir. Esta é uma máxima. Então toda vez que alguém sofre, uma parte nossa também dói. E, obviamente, quanto mais próxima estiver a pessoa, mais evidente isso será. Também é impossível amar o outro sem se amar. Estamos sempre caminhando neste percurso. Aprendendo a nos amar e a amar outro. No caminho costumamos nos ferir e ferir o outro. Essa corrente é sempre recíproca porque no mais profundo o que nos separa do outro não existe. 

Outra máxima: a violência é sempre um pedido de socorro, um sinal de sentimento de desamor. Quem se sente amado e acolhido não é violento. 

Este é um conhecimento muito importante, pois ouvimos sempre "violência gera violência", isso é verdade, porque não estamos maduros e conscientes para notar o que está por trás (o pedido de socorro) e quebrar a corrente. Quando alguém age com violência conosco (e isso pode acontecer em graus mais sutis até nos relacionamentos mais íntimos) nosso impulso é sempre de revidar, somos tomados pela sombra, perdemos a clareza. Não falo de violência física, falo da violência das palavras, da indiferença, dos gritos, da rejeição, dos julgamentos...

Quando se fala da importância do autoconhecimento é porque só assim podemos abrir os nossos olhos e perceber que o outro é apenas um espelho onde nos vemos refletidos. Tudo que vemos no outro é o que está obscuro em nós. Então o "jogo de acusações" é sempre uma perda de tempo, uma distração, um desvio do olhar que poderia recair sobre nós mesmos. O único ser que temos o poder de melhorar se chama: eu. 
...................

Flor do dia é uma mensagem transmitida diariamente, globalmente, pelo líder humanitário Sri Prem Baba. Muitas vezes, sincronicamente, vai parecer que ele está falando com você. 

A mensagem de hoje fala sobre desamor e ódio.

“O desamor pode se manifestar na forma de um ódio bem objetivo, mas também pode se expressar em graus mais sutis. Independentemente do grau que ele se manifesta (irritação, descaso, indiferença, falta de presença ou desejo de ver o outro sofrer), essa vibração emana de você e causa um impacto. O ódio pode ser transmitido até mesmo através do leite materno que, se contaminado por ele, se transforma num veneno. E a dor gerada pelo desamor faz com que a entidade desenvolva a violência como forma de proteção.”
Sri Prem Baba
  

#flordodia #sriprembaba #prembaba #sabedoria #amor #comunicaçãonãoviolenta #cnv #awakenloveglobal

domingo, 23 de abril de 2017

Vamos falar sobre dinheiro?

Vamos falar sobre dinheiro?
Essa semana tive essa inspiração. O dinheiro é um aspecto da inteligência humana materializado e usado de forma distorcida. Muitas pessoas ainda dedicam suas vidas ao acúmulo de dinheiro e/ou bens materiais. Assim o dinheiro deixa de realizar o seu propósito (dharma) de servir o ser humano e passa a ser servido por ele. 
O propósito humano, quando realizado, gera como consequência  natural toda espécie de riqueza (cultural, moral, material, etc), inclusive dinheiro. O dinheiro vindo da realização do propósito pode ser usado para a ampliação do alcance do propósito, como também para o bem-estar do agente humano. 

O propósito distorcido gera desequilíbrio econômico, acumula-se dinheiro mas perde-se em bem estar, assim como em outros aspectos de riqueza, pois o acumulador não tem na mesma proporção a riqueza cultural, moral e emocional.  De forma desequilibrada ele manteve o foco apenas no dinheiro...

É comum que pessoas muito ricas financeiramente não se sintam felizes, percam seus relacionamentos afetivos (na jornada por ganhar dinheiro), esqueçam as amizades, não tenham tempo para ver os filhos crescerem e se sintam depressivas em algum momento, em geral quando tomam consciência, por terem colocado no dinheiro o único sentido para suas vidas. 

Por outro lado há as pessoas prósperas. O dinheiro vem fácil para elas, pois o foco não é o acúmulo, mas o bem que desejam realizar no mundo. Estas pessoas são advindas de uma família, ou de uma educação, sem vícios na relação com o dinheiro. 
Portanto conseguem se expressar com alegria e naturalidade no mundo profissional. O sucesso delas é uma consequência do alinhamento com o propósito, ou programa da alma. 

Mesmo pessoas que já reconhecem o seu propósito podem não ter a mesma prosperidade por trazerem do passado crenças limitantes e distorções que as impedem de realizá-lo ou de prosperar com ele. Esse é um estudo muito fino e individual.
(Aline Ahmad)

Sobre dores e aprendizados

Inspirações me visitam frequentemente. Hoje uma amiga perguntou quanto tempo demora para passar uma decepção. Resolvi me expressar. Acredito que ficamos apegados à dor.  A decepção poderia durar um segundo se estivéssemos na presença. Mas nossa mente viaja para o passado refazendo as situações que decepcionaram, a gente deixa de viver o presente e sofre. O presente, em geral, é muito belo e vivo. Só traz alegria o instante. Mas quando a mente revê o passado ou inventa o futuro ela não sabe ser tão perfeita como foi o universo para tecer a nossa história. O que é certo é que o sofrimento traz aprendizados, e aprendizados são presentes. Infelizmente, por enquanto, só sabemos aprender assim... Quando vem a gratidão de aprender a decepção passa. 

Vivemos exatamente o que precisamos viver para aprender o que precisamos aprender.  Se fosse diferente não aprenderíamos. E viemos aqui para isso, para nos curar de "desaprendizados" antigos. As oportunidades de cura estão aí mais fortes nestes momentos de decepção. (Assim acredito)
Ratifico que inspirações assim só pude alcançar pelo aprendizado com o mestre Sri Prem Baba. 
Beijos de luz e amor
😉🙏💕😘

(Escrito em 20/04/2016)

domingo, 16 de abril de 2017

Os pensamentos e a presença

Se você encontra uma pessoa conhecida na rua e ela faz uma determinada cara quando te vê, você pensa: "Por que será que ela fez essa cara? Será que ela gosta de mim? Será que ela não gosta? Será que ela me acha feio? Será que ela gostou de ter me encontrado? Será que ela percebeu que eu não gosto dela?" Enfim, qualquer pensamento. Neste caso acontece tudo, menos um encontro verdadeiro de aceitação à pessoa, à vida e à si mesmo.
Em um relacionamento (de família, de amor, de amizade, etc) esses pensamentos podem ser ainda mais destruidores, porque eles não são reais e nos impedem de viver o momento, de viver o encontro, de realmente estar inteiro e receber o outro na sua inteireza particular em um processo de aceitação que envolve aceitar e amar a realidade do jeito que ela é, estando presente. É muito gostoso estar em contato com essa energia.
O aborrecimento, o ciúme, a raiva, etc., podem durar um segundo, são emoções fluídas como todas as outras (como os pensamentos) a ideia é aceitar essa emoção (ou esse pensamento) e deixar fluir sem se apegar. O sofrimento está no apego que temos à essas emoções e pensamentos venenosos... Se você se sente apegado a pensamentos ou emoções negativas é uma oportunidade para olhar para esse apego. Ou seja, ao invés de pensar: "esta pessoa está me traindo" escolher pensar "eu sou uma pessoa que se sente traída diante de tal situação". Ao invés de pensar  "que pessoa irritante!" escolher pensar "eu sou uma pessoa irritável". Ao invés de olhar para o outro olhar para si mesmo. Somos a única possibilidade de mudança que existe.
(Lembrança do que escrevi e postei no Facebook em 7/4/2014)

quinta-feira, 9 de março de 2017

Quero fazer você se apaixonar pela Índia

Eu quero fazer você se apaixonar pela Índia

É um amor que já não cabe inteiro em mim

Transborda. 

Não me basta amar a Índia, quero que você ame. 

É porque estou apegada a você. [por mais que a Índia me ensine o desapego]

Quero te revelar a Índia que invade os sentidos, os cheiros, os temperos, o gosto do naan, o sabor do paneer, o som dos mantras, o silêncio dos ashrams, o barulho das buzinas, a textura das peles, dos tecidos, dos saris.


Quero caminhar com você, atravessar a ponte mágica que interliga às margens do Ganges, desviar das motos e vacas, fugir dos macacos (ou você vai querer alimentá-los?), namorar as vitrines de imagens e jóias, comprar japa malas e incensos de presente... Vamos banhar nossos corpos no rio sagrado, eu te apresentarei a Ganga, Shiva, Rama, Baba... Levarei você para sentar e tomar um chai, ver o sol se perder no horizonte, entre árvores distantes, e testemunhar a primeira estrela surgir no céu de Rishikeshi. Vou entrelaçar meus dedos levemente aos seus, pois a alma é sensual, sexual, quando o ritual dos corpos nasce do coração. 

Vamos dançar escondidos, quando os olhos se fecharem. Escondidos também de nós mesmos, ou daquilo que costumávamos ser antes da Índia. Vamos nos mostrar como somos, na nudez que só acontece por dentro com quem se revela. Desvendaremos os mistérios da Índia a medida que me revelar os seus. E os mistérios serão sempre renovados pois seremos sempre novos, e outros, e jamais os de antes. Sempre mais livres que antes. 

Eu quero que você se apaixone pela Índia. Quero a Índia e também quero você. 

Quero vocês juntos e quero vocês comigo. 

Quer?


#alinenaíndia

#rishikeshi #incredibleindia

sábado, 4 de março de 2017

O olhar da Índia

Como me encanta! 

Eu olho e me vejo. 

Eu olho e me encontro. 

Os olhares que olham e me vêem. A beleza que existe e me alumbra, pelo olhar que me mira. 

Um velho, um jovem, dois meninos.

Os que brincam, o que sonha, o que sabe. 

A humanidade em uma foto. 

A idade da vida nessa distância. 


A contemplação. A observação. A presença. 


#alinenaíndia 

quarta-feira, 1 de março de 2017

O amor e seus lugares misteriosos

É o amor que vai te chamar. Talvez você atenderá. Ele te dirá aonde ir. Passará o endereço. E se estiver atento você compreenderá. 

O amor estará espalhado como uma noite de luar que se vê de todo canto, mas você irá querer se aproximar. Como a lua, alta e viva no céu, o amor parecerá enorme, mas caberá na palma da sua mão, como uma ruga comprida e de nascença. 

Você não poderá ler o futuro por sinais que, sozinhos, o contam, mas poderá viver e realizá-lo com passos firmes de atleta e coragem de instinto. 

O amor dirá de novo o lugar, uma palavra pequena, para o território que o corresponde. 

Se seguir as instruções você partirá em sua jornada e verá que o amor pode escolher lugares populosos e barulhentos para existir. Verá que ele entrará em seu peito na forma de compaixão e você se verá completamente misturado a tudo que sempre considerou muito diferente. Você vai descobrir os muitos sorrisos da tua alma, que sorriem fora da tua boca, as tuas lágrimas que choram em outros olhos... Tudo tão distante do teu corpo mas tão próximo do sentimento que você será invadido. O amor vai fazer teus olhos chorarem a dor de outras almas e tua boca sorrir a alegria de outra gente. O amor fará isso com você. Presente em tudo e em todos, sendo você e o outro, um estranho tão comum e semelhante... O amor quebrará todas as barreiras de separação, estará além da linguagem e abrirá novas vias no teu peito. Ele não existirá só naquela geografia indicada, mas você se sentirá grato por ele ter escolhido se mostrar naquele lugar. 

#alinenaíndia

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Olho-te uma vez mais

Olho-te uma vez mais e tua beleza ainda me invade. Tens o aroma antigo de mulheres e homens, tens a pálpebra de dentro aberta, quando a de fora se encerra em silêncio. Os muitos sons que te contemplam não rompem teu mistério e encanto, nem corrompem tua luz. És tudo e nada. 

Contigo encontro-me. 

Até o nosso próximo encontro!

#alinenaíndia #incredibleindia #laxmanjhula

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ganges

Te olho como quem vislumbra um sonho dourado, há um apreço por tua transparência renegado no tempo, tens levado de mim tanto que pouco sei do que se foi e já nem mais me reconheço. Ainda te descubro desbravando horizontes, confundindo-te com o céu. Não és só um reflexo, o céu é que é, em tuas águas. [E eu, também, que tenho sido apenas reflexo]. Nossa existência se funde e sei que também me olhas, me vês mais completa do que me sinto e me renovas em teu amor divino. Lançamos nossos mil beijos, nossos mil abraços neste instante, em todos os instantes. Lançamos nossas vidas neste vento redentor. Uma vida que nunca acaba. Recomeça. A cada olhar. Pois aqui te olho de novo. 


#alinenaíndia #rishikeshi #incredibleindia

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Aos 36

Horas atrás foi o dia do meu aniversário. 
É preciso rever o que eu vivi. Já são 36 anos, mas ainda não me sinto velha, nem perto disso, como não considero velhos os que têm o dobro da minha idade. Acumular anos não é tornar-se imprestável, como a velhice já foi vista. A idade traz sim uma sabedoria. Embora o mundo valorize o jovem, acho que eu nunca fui tão boba quanto quando era "jovem". A sabedoria mora nos extremos da vida, infância e velhice e eu sou grata por parte dela ter me visitado aos 30 e poucos, não sei exatamente quando, mas eu tenho florescido. 
A flor é a ejaculação da planta, a exuberância da beleza que precede o fruto. Eu tenho florescido. Um florescimento que pode durar uma vida toda (ou mais!?) e mesmo neste processo eu tenho gerado frutos. Tudo que escrevo e que sai do meu coração; as palavras que passam pela minha boca como expressão do meu ser; os atos por mim praticados que geram frutos em outras pessoas, por intervenção da minha relação com elas, do amor que reverbera do nosso encontro, da luz que se celebra em uma alma e outra, de uma alma para outra. Enfim percebo que os frutos não são meus, mas da árvore (ou floresta) "humanidade", a qual me sinto pertencer, porque tenho florescido. 
Eu tenho florescido e vejo mais beleza no mundo e em mim mesma. Há flores que são sementes, vejo que um fruto aconteceu antes, para que a semente pudesse existir. E estas flores são belas, na semente que elas sabem ser, e eu uma privilegiada por vê-las neste instante do crescimento, quando elas nem imaginam a beleza que sairá delas mesmas, então às vezes são duras, como algumas sementes precisam ser para sobreviver. Mas há a incandescência (a indecência!) dos pequenos brotos, dos botões prestes a se abrir e há as flores que me mostram perfume, ou que me permitem saborear seus frutos e me alimentar de sua existência. Ah, como são lindas as pessoas a minha volta! Tenho florescido e visto, não o tempo todo, confesso, mas meu florescimento é conseguir ver e o florescimento dos outros é conseguir me ver... Mesmo quando não consigo ver...
Eu aceito vida! Eu agradeço por tudo que tenho recebido, por tudo aquilo que já compreendo, e por tudo aquilo que ainda não posso compreender, pois eu tenho florescido, mas não sei sobre tudo ainda, nem sequer sinto todo amor e beleza disponíveis neste Universo tão vasto, tão próspero... A natureza não economizou em nada. Ela me invadiu e, até por isso, por vezes eu não suportei tanto deslumbre, eu me fechei.
Neste ano, que se iniciou aos meus 35, no dia 18 de fevereiro de 2014 (com um sarau comemorativo em que fui muito feliz compartilhando minhas poesias e recebendo o talento de tantos amigos) e se finalizou no dia 17 fevereiro de 2015, eu vivi muita coisa: muitos retiros; muitos contatos com o silêncio e comigo mesma; eu consegui um editora para publicar meu primeiro romance (um projeto antigo que tenho sonhado há quase 30 anos!); eu iniciei um processo de transformação da escola que sempre foi minha mas que eu ainda não tinha conquistado; eu experimentei o que é ter um guru, um mestre espiritual, uma guiança de luz e amor infinitos... Eu compreendi tantas coisas de que nem fazia ideia!
Eu reconheci meus dons e meus talentos, que são as ferramentas que tenho para fazer o que eu vim fazer nesta vida. E à partir deste contato interno eu me conectei com todos ao meu redor, eu reconheci o talento das pessoas e a riqueza de tê-las comigo. 
Não há como perceber a si mesmo sem que se perceba os outros. E também não há como perceber os outros sem se perceber. 
Até que, por lampejos de consciência, eu concluo, em alguns instantes da minha existência, que "os outros" são também uma manifestação, uma criação minha, da minha vida, pelo menos esta forma de vê-los e percebê-los é uma expressão do meu próprio ser, que nada mais é que um ser único e maior: a mesma árvore, a mesma floresta!

É, meu Deus, tenho florescido! Obrigada!

(Escrito em 19/2/2015)

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Abraço do tempo

Eu sou essa intensidade toda que gela, resfria, invade e arrasta. Toda a força nasce de mim e se potencializa em mim. Sou o grande ser, regente do meu próprio universo, recebo o brilho das estrelas, o calor do sol, o perfume das flores, a fluidez do rio, em mim. Sou uma vida oceânica, efervescente, potente. Trago meus tesouros preciosos no olhar e muitos sorrisos verdadeiros para oferecer ao mundo. Eu me escondo e me mostro conforme a dança do vento, que é o movimento do meu espírito em mim, eu me revelo quando tenho a segurança da terra abrindo espaço para minha raízes firmarem seu caminho de teias no solo fértil da humanidade. Sou o que se recolhe no abraço do tempo, o que abre os braços para acolher e sou também o próprio abraço da essência. Estou no seio do mundo que amamenta todas as bocas com o leite da mesma mãe: o amor. Estou nas águas que me habitam, que me lavam, que me elevam. Renasço nas águas sagradas. 38 anos de vida esse corpo. Quantos anos essa alma?

(19/2/2017 o texto - Rishikeshi - foto do banho no Ganges no dia do meu aniversário, texto escrito aguardando o Paulo na livraria)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Delhi



Chegamos em Delhi, cidade que adoro. Um tanto quanto caótica e suja (dependendo do lugar, talvez a maior parte), mas também com sua beleza e charme. É como uma aproximação da realidade, nada aqui me parece falso, parece tudo de verdade. As pessoas, o trânsito, as cores, o cheiro, a sujeira, a beleza... É um golpe caloroso chegar na Índia. Eu me emociono mais, me divirto mais, fica tudo forte e intenso. Muita vida vibrando. 

#alinenaíndia


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Brilhos de Mistério

Há um instante em que eu e o mundo somos um


Há um instante em que eu e o tempo somos um


Um instante fora do tempo e do mundo 


Um instante de comunhão com o que sou. Apenas sou. 


De minhas mãos saem as palavras que não digo, escrevo. 


Sobre elas não penso, expresso. 


Saem de mim como estrelas cadentes vindas de outra galáxia. 


Estão de passagem por meu texto. 


São brilhos de mistério que se revelam em meu papel, mas se vão...


(Foto: Wat Arun - Bangkok, Tailândia)

 *poema: Brilhos de Mistério 

~ 6:51 AM ~ 8/2/2017, em Bangkok


Mistérios da Tailândia

Ainda que eu dissesse de tuas cores, ainda que contasse teus detalhes, mesmo na divindade de um silêncio, ninguém saberia do que falo. 


Ainda recoberta de tua beleza, ainda extasiada de teu encanto, ainda que eu roubasse teu mistério, o que é teu não seria compartilhado (senão por ti mesmo). 


Pois está em tua beleza teu segredo, acima das visões possíveis por retrato. E nele revelado eu me perco. E volto a procurar-te extenuado. 


(Mistérios da Tailândia | 6:42 AM ~ Bangkok ~ 8/2/2017) *foto Grand Palace


Aprofundando a viagem

Eu adoro compartilhar as minhas experiências, especialmente as viagens, pela internet. 

Enquanto escrevo para os outros eu também reflito para mim mesma. É como intensificar o sentido de cada acontecimento. Tenho que aprofundar um pouco o olhar para ter o que contar. Paradoxalmente, mesmo escrevendo para pessoas que estão distantes, me sinto mais próxima das pessoas do lugar quando tenho o estímulo de uma companhia ampliada que necessita da minha descrição para se sentir viajando comigo. Há o impulso da escritora que mora em mim, que quer levar o leitor há muitos lugares, sobretudo a si mesmo. E quanto mais dentro de um outro país, de uma outra localidade, mais dentro do outro e mais dentro de mim eu me encontro. Então: nós nos encontramos. Sem distâncias. 

(Bangkok | Tailândia ~ vista da roda gigante do Asiatique  ~)


sábado, 4 de fevereiro de 2017

O que vale a vida

Entre mim e o mundo há uma distância inteira
Eu estou fora dele
Por isso o observo de longe
Com cautela de pedra
Eu me reservo ao que imagino
Não me firo com as mentiras
Tão pouco me alegro
Não sou alma
Sou embalagem de carne

Mas se eu respiro 
O ar me penetra por dentro
É um sopro de vida clareando o vácuo escuro. 
Se eu respiro o ar do mundo
Ele vive no meu colo
Sinto dor e também rio
Meu êxtase é tão completo
O sofrimento também 

Sabedoria adivinha que qualquer hora desisto por não suportar alegria sem desmesuras
Uma hora preciso voltar ao conforto da não existência 
Parece que foi de lá que eu vim 
É que foi lá que eu me inventei
Depois achei que eu era isso. 
Assim fui ficando. 

Restam as efêmeras lembranças. 
Elas já valem a vida. 
(Em 3/2/2017 às 21:29)

Aquele abraço

Quem se lembra do primeiro dia de aula? Eu me lembro de ficar ansiosa todos os anos, contar os dias, imaginar quem seriam os novos amigos e se aquela pessoa especial continuaria na escola. Jamais estive distante dos primeiros dias de aula da escola em que estudei. Como aluna este tempo durou de 1986 a 1996. Depois disso vivi alguns primeiros dias na faculdade e então voltei a passar esta data na Av. Esperança 191 (endereço do Colégio Nahim Ahmad), desta vez do outro lado da história, aguardando os alunos, recebendo a ansiedade, o sorriso e o carinho deles; preparando tudo muito antes das aulas começarem. E o ano começou hoje pra gente. Para mim sela um trabalho muito intenso de planejamento, de captação de alunos, de ajustes, e também de entrega e de amor. ❤️ Eu descubro e reverencio talentos o tempo todo. Eles brilham nos olhares dos jovens e crianças com quem convivemos, mas nascem também do meu time, dos professores e colaboradores que temos e que plantam comigo esse jardim imenso e florido, com nossos sonhos em comum. Eu me surpreendo sempre com algo que ainda não tinha visto ou notado. Tanta luz, tanta entrega, tanto comprometimento! Às vezes me questiono se eles se dão conta, sei que não, pois eu mesma que observo não estou atenta sempre. É tão bom estar entre essas pessoas e ao lado delas oferecer esse abraço, mas também ganhar esse abraço! O abraço é esse elemento mágico que a gente só recebe enquanto dá e só dá enquanto recebe, pois o abraço se completa no outro. 

O abraço é uma metáfora da educação. O saber transmitido só fica inteiro nos braços do outro (e isso acontece quando o conhecimento está preenchido por verdade, por amor). Então acontece a mágica. A gente entrega e recebe também! Sempre volta. (Como os alunos voltam). Que bom!!!🙏🏻❤️🙏🏻❤️

#somosahmad #colegioahmad #brilhaahmad #vemproahmad


Eu e Exupery, meu príncipe

A minha história com "O Pequeno Príncipe" começa quando eu era criança e Antoine de Saint-Exupéry já não existia mais. A delicadeza com que ele contou a história e expressou seus pensamentos à respeito das crianças e das incoerência humanas presentes, sobretudo, no mundo adulto, ecoaram em mim. Pela primeira vez eu senti aquilo que sentimos diante das obras que nos tocam. É como se o artista em questão entrasse dentro de nós e reproduzisse o que está escrito no âmago de nosso coração. Sain-Exupéry tinha lido e reescrito todas as minhas linhas... Cresci e reli aquelas palavras inúmeras vezes e foi como se tivessem se tornado mágicas. Através delas eu podia me reconectar com a criança que fui e também enxergar a adulta que estava me tornando. Desde então, tal qual o autor, eu tinha paixão por crianças menores que eu e uma arrogância natural, já que eu era uma e acreditava serem estes (as crianças) os seres mais puros, inteligentes e especiais do planeta, embora absolutamente subestimados, menosprezados e desacreditados pelos adultos. Uma ideia um tanto romântica, mas ainda vigente em mim. Acabou que nasci em uma família de educadores que tinha uma escola (Colégio Nahim Ahmad) que hoje é também administrada por mim (ao lado de minha irmã Andreza e de uma equipe incrível, com os pitacos bem-vindos de minha mãe - às vezes não tão bem-vindos...rsrs) e temos como concorrente uma escola com o nome do meu livro preferido. Isso me impede de pintar as paredes do colégio com as aquarelas de Antoine e suas poéticas frases... E mais triste ainda é que esta escola nem aproveita a verdadeira beleza da obra, porque tem o formato de um castelo e todos que leram o livro sabem que o verdadeiro reinado do Pequeno Príncipe era tão somente seu pequeno planeta e sua rosa, uma única e singela rosa, que justificava tudo, inclusive toda a história. Hoje visitei a Exposição sobre o livro no Shopping JK Iguatemi e me dei o direito de tirar muitas fotos e me emocionar. Exupéry se quisesse poderia entrar de novo dentro do meu coração ler e reescrever seu livro novamente. Sairia idêntico, palavra por palavra.
(Escrito em 4/2/2014)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Rachadura

Há uma rachadura na parede do meu quarto, ao lado da minha cama um sentimento rachado, eu sou a veia que corta o tijolo que edifica a parede, sou esse vazio no concreto, eu sou a poeira entre  os tijolos, o silêncio entre o cimento, o vácuo do concreto, o oco do meu sono, a fresta do meu sonho. 

Essa linha que atravessa o branco sou eu, na incessante busca por ar, quero respirar o sopro de vida na seiva do céu. Vou subindo em estreitos labirintos de pensamentos pesados. Desvio-me do que não sou eu e subo com o fôlego do espírito. 

Eu me entrego, ó força súbita do meu ser, tu que és o puro frescor da inocência misturado à coragem dos amantes, tu que és o conhecedor da história vivida, a que me identifiquei... À tu me entrego. Relaxo em teus grandiosos braços de vento, inspiro o ar do teu pulmão imenso, recaio em mim sem medo, no sussurro de teu sublime canto. Me encanto de teu brilho encantado, de tua poesia suspensa por estrelas-rainhas da noite, que seguram como a um véu, uma bandeira no marinho infinito do universo. Cintilam as palavras e eu não as leio. Deitada no teu seio, apenas me entrego. Sou eu este incansável mistério?

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O͟͟ q͟͟u͟͟e͟͟ s͟͟o͟͟u͟͟

Quanto de mim eu sou capaz de expor e contar?

Sei dizer o que escondo? Sei falar das partes que envergonham? Sei mostrar o feio, esquisito, duvidoso?

Não. Eu não sei. Eu me preocupo demais com os outros, com o que pensam de mim. Para mim é muito importante ser amada, admirada e, até mesmo, curtida e comentada (rs). Tenho loucuras difíceis de compreender, fanatismos, amores que preenchem meu coração. Converso com fotos e choro com lembranças vivas em mim. 

Eu renasço e a vida se contenta.

S͟͟e͟͟n͟͟t͟͟i͟͟r͟͟

Pronto. Agora todos já sabem que aquilo não era. 

Não bem assim. 

Por mais que tentasse fingir, peso demais para mentir o tempo todo. 

O que é, é! Me diz uma amiga. 

O que é, é!

Somos o que somos. E mesmo sem ninguém ter nada a ver com isso, os outros são o espelho do olhar que lançamos sobre nós mesmos. O julgamento severo que nós mesmos nos fazemos. Por vezes encobrindo segredos. 

E se todos souberem? Não seremos mais amados? Somos mesmo amados?

E se eu souber? Como viver com o que sei? Como seguir com o que eu não sei?[de mim]

Respirar. Relaxar. Provar a leveza de ser. 


Lembrar de respirar. Lembrar de relaxar. Le͟͟m͟͟b͟͟r͟͟a͟͟r͟͟ d͟͟e͟͟ m͟͟i͟͟m͟͟💕

sábado, 31 de dezembro de 2016

O que acabou

Quero compartilhar com vocês que meu mundo acabou muitas vezes nessa vida.

Um dia meu pai enfurecido me deu uma sapatada na cabeça, outro dia uma garota que eu considerava uma grande amiga me chamou de “rabo” na frente de todos os colegas e me pediu grosseiramente para parar de seguí-la no intervalo da escola. Percebi que não era a filha preferida da minha mãe. Meu amor platônico passou por mim no corredor do colégio e não me disse nem “oi”. O primeiro namorado com quem eu, ingenuamente, acreditava que dividiria uma vida disse que não queria mais me namorar. Uma professora que confiava muito em mim me pegou colando na faculdade. Fui traída, rejeitada, mal amada por uma grande paixão. O médico do meu pai disse que o câncer dele tinha voltado. Passaram muitos meses, e até mesmo anos, e o grande amor da minha vida, mal se dava conta do quanto eu o amava. 

Para cada vez que meu mundo acabou ele também recomeçou, em processos mais e menos lentos. Meu pai me abraçou e me amou com o olhar, diversas vezes, tanto que ainda o tenho comigo mesmo na sua ausência. A amiga que me rejeitou na escola se tornou uma foto na minha lista de conhecidos do facebook, minha mãe tem orgulho por eu ser a filha que mais se parece com ela, no jeito de ser. Meu amor platônico não era meu grande amor. Sou muito grata ao meu ex por não ter se casado comigo. A professora que me pegou colando soube de uma parte desonesta que faz parte de mim por mais que eu tente esconder. A grande paixão que me fez sofrer, sofreu muito por me perder. Os anos de vida do meu pai com câncer foram uma oportunidade única de dar e receber afeto como se cada instante fosse o último (na verdade todos os instantes com as pessoas que amamos podem ser o último, mas quase nunca nos damos conta disso). E o grande amor da minha vida? Um dia, finalmente, percebeu que eu também era o amor da vida dele. Mas isso ainda é só o começo. Mais um...

Muitos começos e recomeços para todos vocês!

Beijos de luz,

Aline***
(31/12/2012)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O Caminho da Comunicação Não-Violenta

Ontem, 1º de outubro de 2016, acordei cedo, um pouco mais inspirada e impactada que o normal. Fruto da noite anterior. Segui para dar continuidade ao workshop de Comunicação Não-Violenta, com Dominic Barter. No caminho (a vida toda é esse caminho, mesmo quando não o noto) passei por pessoas que tinham acordado de mais uma noite dormida embaixo de um viaduto. Olhei para elas e por algum motivo eu senti que "via" aquela existência tão distinta da minha (algumas palavras às vezes precisam de aspas para que seu sentido seja reforçado após o desagaste do uso). Eu via, notava, sentia e percebia o humano em nós, o que me separava e me unia a elas. Segui meu caminho mais presente de mim mesma e delas. 
Ontem também foi o primeiro dia do Navaratri, o festival da cultura védica que comemora/revive o embate de 9 dias da deusa Durga com um demônio Mahisha que se divide em centenas de outros demônios, uma batalha que acredita-se acontecer também internamente e sistemicamente. 
A comunicação não-violenta tem sua origem também nesta cultura. "Ahimsa" uma palavra para determinar aquilo que não é violência, justamente porque aquilo que é a não-violência, de tão sublime, não pode ser denominado. Como se o nome, ou palavra, fossem diminutos demais para determinar um conceito que está além do que se pode ser dito ou escrito. Assim, falar de comunicação não-violenta, em sua origem, é falar de algo sagrado, que nos estimula a falar (não com a boca, mas com todo o corpo, incluindo nossos silêncios, sangue, carne, olhar) do sagrado em nós (do secreto em nós!) que não costuma ser dito, ou exposto. 
Martin Luther King dizia que começamos a morrer quando deixamos de falar sobre as coisas que importam. Concluo que falar sobre o que nos importa traz potência à vida. Acorda o sagrado.
Acorda a religiosidade, em seu caráter original [de acordo com sua etimologia]: religar. Reconectar. Assim me sinto. 
Ontem os "demônios" morreram um pouco. Em pleno primeiro dia de Navaratri a espada de Durga cortou a cabeça do búfalo que Mahisha havia se tornado, mas de cada gota de sangue outros demônios se personificavam. Então a deusa na forma de Kali bebe todo esse sangue e finca sua espada no coração de Mahisha, o egoísmo.
Nossos demônios são mortos quando são reconhecidos e integrados. O demônio do outro se dissolve quando vejo que o mesmo demônio existe em mim. Estou tão ligada ao outro, mesmo que não veja ou perceba isso sempre, que não há como não impactá-lo e não ser impactada. O inimigo é meu próprio egoísmo e isolamento que me separa dele e de mim. Que não quer penetrar ou beber daquilo que o outro é, ou daquilo que eu sou. É bebendo do outro que minha potência se revela. 
O caminho para a verdade. 

#DominicBarter #CNV #comunicaçãonãoviolenta

Um barquinho de papel no oceano

Amado Guruji:
Eu compreendi o que me faz amar você: é o seu amor por mim!
O seu amor desata os nós do meu coração e permite o fluir do amor (por você) de uma forma que eu não saberia mensurar. Então o meu amor por você vai invadindo tudo que há em volta. Vai preenchendo de amor a minha relação com meu pais, com minhas irmãs, com meu marido, com as pessoas que trabalham comigo, com a natureza, com o céu, com o sol, a lua e as estrelas... Eu simplesmente sinto esse amor, como um presente que seu olhar me dá. Como uma joia preciosa que recebo em seu sorriso. E, de repente, acontece um fenômeno. Sou capaz de receber o amor que você oferece ao mundo. Eu recebo o olhar e o amor que flui do seu coração para todas as direções, eu sinto sua mão tocar a minha cabeça, quando você acolhe qualquer outra lágrima que não seja a minha. Pois é como se o mundo todo fosse eu e você. E também recebo seu amor em todas as pessoas, e todas as coisas, nas flores perfumadas que você envia pelo caminho onde andam meus passos, nos raios de sol que tocam as folhas das árvores formando desenhos de amor pela minha jornada, eu vejo se aproximarem de mim pessoas que me trazem o seu sorriso, o seu carinho, o seu amor... E vejo todas as lições que você me ensina, sem palavras, mesmo quando aparentemente não está comigo. Só aparentemente, pois você está comigo sempre, misturado a mim... Você é sim o meu coração, o mais puro do meu ser, e essa é a maior alegria da minha vida, a minha maior gratidão, o encontro mais valioso, a revelação que me encerra e me inicia, a descoberta brilhante e doce da minha história. 

Então te envio esta mensagem, como que escrita em um barquinho de papel que eu lanço neste oceano de vida que nos une. ❤️ 
18/07/2016

#sriprembaba #prembaba #paidoamor

Primeiro caderno

Em tempos de muita tecnologia ainda sou dessas que coleciona cadernos. Fica em cada linha um pedacinho do meu ser espalhado, remoído, vivido, sonhado. 

No Colégio Nahim Ahmad valorizamos esse símbolo de tanto afeto, eternizado na música "O caderno", de Toquinho. 

Aprendi a gostar de suas páginas através da ternura de duas mulheres e um homem. Ele era meu avô, que anotava em seu caderno de brochura a contabilidade de seus negócios. Eu nem sabia ler, via naquelas letras e números um traço único que subia e descia na linha. Eu gostava de rabiscar uma folha para imitar. Uma das mulheres foi minha mãe, professora, com pilhas de cadernos para corrigir e uma doçura em querer me introduzir na escrita. A terceira foi minha professora da segunda série. Com muita sensibilidade, ela decorava a lousa com frases, flores e estrelas, eu fazia o mesmo no meu caderno e aquele objeto virava jardim e luz, uma lembrança etérea da criança que fui e sou. 
Anos depois esta professora foi reconhecida, passou a coordenar a equipe de professores e por seus olhos claros e brilhosos resolveu através de invenções que saíam de seu coração no formato de ideias para os alunos. Uma de suas primeiras iniciativas foi criar um dia solene para o recebimento do "Primeiro Caderno": o momento mágico de transformação do instante em história, do momento em trajetória. 

Os alunos do Pré I fazem as atividades em folhas solteiras, soltas uma da outra, não há início, não há fim, só presente. Até que recebem o primeiro caderno, ali ficarão os primeiros registros, os primeiros progressos. Um caderno que os seguirá "do primeiro rabisco até o bê-a-bá".

A professora que tive é hoje a diretora do colégio, Alzira Torrado. Ela manteve as delicadezas que sempre criou para o calendário de eventos anuais da escola. Neste sábado, os alunos do Pré I vão receber das mãos dos veteranos, do Pré II, o primeiro caderno. 

Esta é mais uma ideia inspirada e bonita, de nossa diretora Alzira, que eu aplaudo com toda admiração, a mesma da criança de tranças que olhava a sua lousa, a "muitos-alguns" anos atrás. 

Amigas

Eu tinha 5 anos quando fui para escola pela primeira vez. Até então eu brincava com minha irmãs, menores que eu. Quando conheci uma ruivinha, carioca, descolada e risonha percebi que ela tinha uma segurança que eu ainda não sabia o que era. Nasceu uma admiração e uma amizade. Acho que também dividíamos uma paixão: Eduardo Alexandre.  Michelle Lima era seu nome. Mas eu nunca mais a vi, não sei se foi ela ou eu quem saiu da escola antes. Lá se foi uma infância de saudade da amiguinha. 
Então conheci Sabrina, aos 7, depois Tatiana Mendonça, aos 9, (as procuro até hoje), todas admiráveis, cada uma a seu modo. Sabrina criativa, completava os desenhos que pintávamos com árvores e flores diferentes. Eu copiava. Tatiana era estudiosa, educada, bailarina...
Anos depois finalmente pude estudar de manhã, meus pais preferiam à tarde. Tantos colegas novos, entre eles uma amizade antiga, tínhamos estudado juntas na infância, mas já éramos adolescentes. Era o único rosto conhecido, Georgia Regina, ela era linda, popular, eu, tímida, a seguia o tempo todo. Acho que isso a irritava. Era um peso. Com 13 anos estávamos descobrindo os relacionamentos (acho que bem mais ela do que eu). Eu a admirava também. Mas me sentia diferente e excluída. Minha salvação foram as doces Gabi, Pity e Juliana Juliana Reis Moreira. Uma vez nos lambuzamos uma a outra cheirando shampoos no supermercado. Tudo era motivo de muita risada. 
Por volta dos 15 anos resolvi fazer um curso diferente, eu já era outra, queria amigos novos que não me vissem com olhos viciados pelo passado. Conheci a linda Gláucia Lucas. Eu, ela, Regina Videira e Lilian éramos um grupo animado e unido. Pela primeira vez, além de admirar minhas amigas eu sentia que eu também era admirada e querida. Fui muito feliz com elas. Lembro de sairmos para dançar juntas e nos divertirmos muito indo pra escola no dia seguinte, quase sem dormir. 
Na faculdade passei de novo pelo desafio de conhecer amigas. Helen Carvalho e Juliana Cavalcante eram altas, magras, atraentes para os rapazes. Recebi delas proteção ( Helen me defendia de tudo e de todos) generosidade, amizade, carinho... 
Depois de me formar retomei uma amizade de escola, antiga, mas que não tinha sido uma amiguinha e sim minha professora da 2ª série Alzira Torrado, a sua torcida por mim e a minha por ela nos tornou confidentes. O mesmo aconteceu, naturalmente, quando conheci Renata. Relação pautada por admiração mútua, afinidades filosóficas e poéticas, assuntos que sempre nos uniram e reuniram, na história de nós. 
❤️🙏🏻
Olhando para a história da minha amizade com o feminino concluo que mais admirei do que fui admirada, mais recebi do que me senti doando. Recebemos o que entregamos. 🙏🏻

Concluo, também, que a escola é o grande palco para o encontro das amizades. Por isso é tão importante. Pois a escola passa, as amizades ficam 🙏🏻❤️

Sou muito grata às amizades que tive, mulheres que marcaram minha vida. Sem as experiências com elas eu seria outra pessoa. 

(Ainda falta contar sobre as vizinhas Daniela Portela e as Kurita: Luciana, Thais e Emi. ❤️🌸)